A ‘caça ao dinheiro’ que abriu polêmica sobre humilhação de professores nos EUA

Nela, uma dezena de professores de escolas de Dakota do Sul, nos Estados Unidos, competem para pegar a maior quantidade de notas de US$ 1, de um total de US$ 5.000 que ficaram espalhadas no meio de um campo de hóquei no gelo.

No vídeo que se tornou viral, professores são vistos com capacetes na cabeça, engatinhando enquanto colocam nas roupas as cédulas que conseguem pegar com as mãos.

O concurso fez parte de um evento de caridade realizado no último sábado chamado “Dash for Cash”, que em português se traduz como “corrida por dinheiro”, pelo qual seus organizadores tiveram que se desculpar após a onda de indignação e protestos que causou.

“Embora pretendêssemos proporcionar uma experiência divertida e positiva para os professores, podemos ver o quão degradante e insultante foi para eles e para a profissão”, disseram o Sioux Falls Stampede e o CU Mortgage Direct Bank em um comunicado.

“Lamentamos profundamente e pedimos desculpas a todos os professores por qualquer constrangimento que isso possa ter causado a eles.”

Eles explicaram que receberam inscrições de 31 professores e selecionaram 10 ao acaso para participar do concurso no gelo.

Cada professor recebeu pelo menos US$ 500, disseram. Cada um deles receberá agora mais US$ 500 e outros US$ 500 serão pagos aos outros 21 professores que não foram selecionados para a competição.

Os professores disseram ao jornal local Argus Leader que o dinheiro seria gasto em escrivaninhas e materiais didáticos.

Algumas vozes críticas compararam o evento à série de TV coreana de sucesso da Netflix, “Squid Game”, na qual os competidores lutam até a morte por um prêmio em dinheiro.

Outros chamaram de “humilhante” e apontaram as muitas maneiras pelas quais os professores se sacrificaram diante da pandemia.

Os professores de Dakota do Sul ganham um salário de cerca de US$ 49.000 por ano, o que os torna alguns dos mais mal pagos do país. O estado ocupa o último lugar em gastos com educação nos EUA.

Não é incomum que professores de escolas públicas nos Estados Unidos, onde o financiamento da educação às vezes é insuficiente, sejam forçados a comprar materiais para suas aulas com seu próprio dinheiro ou com a ajuda de amigos, familiares e outros.

BBC

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