Brasil pode ter queda de 9,1% no PIB de 2020, segundo OCDE

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Reprodução

A Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) desenha um cenário sombrio para a economia mundial e, em particular, o Brasil em 2020. Projeções da entidade divulgadas nesta quarta-feira (10) indicam que a queda no PIB do Brasil pode chegar a 9,1% se a pandemia do coronavírus se agravar.

Na previsão mais otimista, que pressupõe um combate mais eficiente da doença, a queda da produção é de 7,4%. Num ou noutro caso ficará configurada a mais profunda recessão da nossa história. A taxa de desemprego aberto deve superar 15%, na estimativa da OCDE, mas muitos economistas estão convencidos de que vai a mais de 20%.

Depressão global

O Banco Mundial é outra instituição que prevê uma deterioração drástica da economia brasileira, com queda de 8% do PIB neste ano. Dias atrás, os analistas de mercado revisaram para baixo pela 15ª vez suas projeções para o ano, agora situadas em média num índice negativo de 6,48%.

A depressão será global e generalizada. De acordo com o Banco Mundial, a chamada Zona do Euro, que já não ia bem antes da pandemia, vai tombar 9,1%, os EUA devem recuar 6,1%, o México, 7,5%, Argentina, 7,3% e mesmo a Índia verá um recuo de 3,2% no PIB.

A China, apesar do forte impacto sofrido pela indústria, está em recuperação e vai fechar o ano com uma taxa positiva do valor anual agregado à produção. O PIB deve crescer 1%, a julgar pele Bird. O Oriente, de uma forma geral, tende a uma recuperação mais rápida e robusta do o Ocidente, o que vai reforçar o processo de deslocamento do poder geopolítico para a Ásia.

Socialismo chinês

O bom desempenho relativo da economia chinesa, em contraste com o cenário de depressão global, tem muito a ver com as medidas drásticas adotadas pelo regime socialista do país, sob a liderança do Partido Comunista, para deter o avanço da Covid-19.

A próspera potência asiática abriga cerca de 1,4 bilhão de humanos e, embora tenha registrado os primeiros casos do novo coronavírus, acumula até o momento um total de 4.634 mortes, enquanto os EUA, presidido por Donald Trump, já enterraram mais de 110 mil vítimas fatais da doença, com uma população quase cinco vezes menor.

O Brasil (210 milhões de habitantes) atingiu na manhã desta terça (10) 38,7 mil óbitos, segundo números das secretarias estaduais da Saúde. Segundo muitos especialistas, ao contrário do que hoje afirma o governo, tais estatísticas subestimam a realidade.

Escondendo o sol com a peneira

Bolsonaro, que considerava o novo coronavírus uma “gripezinha” qualquer, agora se esforça para manipular os números e mascarar o fato de que chegamos à marca trágica de mais de uma morte a cada minuto pela “gripezinha”.

Suas tentativas de manipular os dados,com a cumplicidade dos milicos que tomaram de assalto o Ministério da Saúde, foram alvos de críticas indignadas no Brasil e em todo o mundo, mas é como tentar tapar o sol com a paneira. Tudo que conseguiu foi desacreditar a atual equipe da Saúde e desgastar (ainda mais) as Forças Armadas.

Conduta criminosa

O governo neofascista tem responsabilidade nas mortes e, além de negligenciar a crise sanitária, também reluta em tomar as medidas indispensáveis para minimizar os graves efeitos sociais da depressão econômica que já está em curso no país e vai se agravar.

O enfrentamento da crise requer ampliação substancial dos gastos e investimentos públicos, sobretudo no fortalecimento do SUS e garantia da renda, do emprego e socorro as micro, pequenas e médias empresas, deixadas hoje ao deus-dará.

Embora seja a receita recomendada pela maioria dos economistas e adotada em inúmeros países, a ampliação dos investimentos públicos vai de encontro aos dogmas neoliberais que orientam a política econômica da dupla Guedes/Bolsonaro: Estado mínimo, austeridade fiscal, privatizações e abertura econômica, sob a falsa suposição de que tais medidas vão provocar um tsunami de investimentos estrangeiros.

A atual gestão é um atentado à saúde pública, à economia, à soberania, ao meio ambiente, à nação e ao povo brasileiro.

Umberto Martins

CTB

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