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Sem os profissionais de saúde que estão na linha de frente, não haveria combate possível à Covid-19. Sem o esforço e o trabalho incansável de professores e auxiliares de administração escolar, não haveria continuidade de educação possível durante esse período de excepcionalidade — nas escolas e comunidades em que o trabalho remoto consegue ser uma opção (infelizmente não são todas e não por culpa desses trabalhadores, mas da abissal desigualdade social do Brasil). E, sem os entregadores de aplicativos que se arriscam diariamente no trânsito, não haveria sobrevivência possível, em tempos de afastamento social, a um sem-número de estabelecimentos de alimentação, agravando-se ainda mais a crise econômica.

Os trabalhadores dessa última categoria, no entanto, são submetidos a péssimas condições de trabalho e inexistentes direitos trabalhistas. Os lucros das empresas de entrega por aplicativos são mantidos à custa de baixíssimos salários recebidos pelos entregadores que, com motos, bicicletas ou mesmo a pé, trabalham sem quaisquer garantias para empresas como Loggi, Rappi, UberEats ou iFood. Empresas que seguem a lógica perversa batizada de uberização do trabalho — uma vez que se iniciou com o Uber, mas se estendeu a outras plataformas —, de um capital que explora a mão de obra sem ser dono de meio de produção algum.

Enquanto isso, esses trabalhadores seguem, sem nenhum vínculo empregatício — e a recusa das empresas em reconhecê-los —, sem quaisquer benefícios como alimentação ou plano de saúde, tendo de se responsabilizar pessoalmente por qualquer dano a si mesmos ou a seus instrumentos de trabalho (de mochilas a veículos) e chegando a receber, por entrega, ínfimos R$2 ou R$3. Não é empreendedorismo, é trabalho precário forçado pelo aumento dos índices de desemprego e pelo rebaixamento das perspectivas.

É por isso que a Contee manifesta seu apoio à paralisação nacional dos entregadores de aplicativos, o #BrequedosApps, que acontece hoje (1°). A categoria denuncia o agravamento dessa situação durante a pandemia de Covid-19 e reivindica melhores condições de trabalho, como salário decente e redução da jornada, além de garantias de assistência e segurança.

Há diversas formas de apoiar a manifestação desses trabalhadores. Uma delas é deixar mensagens no setor de avaliação dos aplicativos neste dia 1° — sem fazer pedidos! — em apoio à paralisação. Outra é compartilhar nas redes sociais informações sobre movimento com as hashtags #BrequedosApps e #ApoioBrequedosApps. Pode ser inclusive com a receita da refeição que será preparada em casa, sem recorrer a qualquer serviço de entrega. O panelaço hoje é na cozinha.

Por Táscia Souza

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