Cimi: Bruno e Dom foram mortos pelos que sequestraram as instituições do Estado

“É sempre muito dolorido rememorar todo esse conjunto de coisas que nós passamos”, disse o procurador da Univaja, Eliesio Marubo

Ao responder a provocativa pergunta do Contee Conta desta segunda-feira (27) — a quem interessa matar Bruno e Dom —, o secretário executivo do Cimi (Conselho Indigenista Missionário), Luis Ventura Fernandez não vacilou em responder de forma clara e objetiva.

“Interessa a todos aqueles que têm como projeto a exploração e o lucro dos territórios indígenas. Que tem como projeto continuar tirando toda a riqueza [da região], a partir do processo de expropriação dos territórios daqueles que habitam esses territórios, que são os povos indígenas”, esclareceu Luis Ventura.

“Interessa a esses grupos e setores, que nos últimos 4, 5 anos, sequestraram as instituições do Estado, principalmente, as instituições do Poder Executivo”, destacou.

“Diferentemente de muitas pessoas que trabalham conosco”, Bruno atuava com engajamento na causa indígena, lembrou Eliesio Marubo, do povo Marubo, procurador na Univaja (União dos Povos Indígenas do Vale do Javari).

“Bruno [Pereira] era figura gigante”, avaliou o procurador ao descrever o indigenista assassinado no Vale do Javari, com o jornalista britânico Dom Phillips.

“Ele alcançou o respeito das comunidades indígenas do Vale do Javari, não pelo trabalho pontual, mas pelo engajamento na causa indígena”, enfatizou Eliesio. “É sempre muito dolorido rememorar todo esse conjunto de coisas que nós passamos”, desabafou o procurador da Univaja.

Comoção nacional

Na esteira da comoção que se abateu sobre o Brasil, o assassinato do indigenista Bruno Pereira e do jornalista britânico Dom Phillips, o Contee Conta desta segunda-feira (27) procurou entender o fato, a partir da leitura e compreensão de pessoas que conheciam o trabalho de ambos, em defesa da causa indígena na região Amazônica.

Para isso, o professor Gilson Reis e a jornalista Táscia Souza receberam para conversar: Eliesio Marubo, do povo Marubo, procurador jurídico na Univaja (União dos Povos Indígenas do Vale do Javari); e Luis Ventura Fernandez, secretário executivo do Cimi.

Assista a íntegra da conversa:

Marcos Verlaine

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