Clima para reforma política depende da mobilização dos movimentos sindical e sociais

“O problema não é a Dilma assumir a Constituinte, isso ela já fez, mas sim criarmos condições para que, nesse processo, não se repita a correção de forças do atual Congresso.”

A frase do ministro-chefe da Secretaria da Presidência da República, Gilberto Carvalho, que participou do encerramento 5ª plenária nacional do Plebiscito pela Constituinte para a Reforma do Sistema Político, nessa quarta-feira (15), em Brasília, aponta para a necessidade de ampliar a campanha e de a mudança nas regras do jogo político ter a participação popular como base.

Segundo ele, a reforma apontada por Dilma como “mãe” das outras reformas, será prioridade no próximo mandato, caso seja reeleita.

“Da parte dela, não faltará apoio (ao plebiscito), mas precisamos massificar processo para que a maioria dos brasileiros se convença da importância da reforma. Para que os mais ricos, mais poderosos ou que se deixam corromper pelo Capital não se elejam deputados ou senadores  e deturpem completamente a representação do povo no Poder Legislativo”, afirmou.

Carvalho também criticou a decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, de pedir vista do processo da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) para proibição da doação de empresas para campanhas políticas. A ação aconteceu em abril deste ano, quando seis dos 11 ministros se mostravam favoráveis ao impedimento.

“O Gilmar Mendes sentou em cima do processo para postergar até a bancada conservadora assumir e apoiar a contribuição financeira dos empresários. E ninguém está denunciando essa manobra. Uma pessoa está impedindo que as eleições representem a maioria do povo brasileiro e não o poder econômico. Precisamos dialogar com o Supremo para que aja o final da votação e tenhamos uma Constituinte Exclusiva em condições adequadas.”

Comitês serão mantidos

Na assembleia final da plenária, a organização do plebiscito divulgou duas cartas. Na primeira, fez um balanço da campanha e afirmou que a luta terá continuidade. Na segunda, as entidades defenderam a reeleição de Dilma contra o retrocesso e os ataques a direitos e conquistas dos brasileiros.

Integrante do comitê do plebiscito popular, Ricardo Gebrim destacou que a proposta de consulta popular apresentada pela presidenta como resposta as manifestações de junho de 2013 é a bandeira que unifica a juventude organizada em torno dos protestos, os movimentos estudantis, a maior central do país e os partidos progressistas.

Ele também rechaçou o temor de que uma consulta popular possa ser vencida pela direita. Para exemplificar, resgatou o exemplo da campanha pelas Diretas Já, no início da década de 1980. Na ocasião, o maior partido era a Arena (Aliança Renovadora Nacional), ligado aos governos militares, mas na construção da campanha os setores progressistas cresceram.

“A força se constrói na luta de massas”, avaliou Gebrim. “A história não é uma fotografia, é um filme em movimento. Como ontem, quando a burocracia do Congresso não queria nos deixar entrar e o ato elevou nossa consciência. Fe z com que entendêssemos o papel do Congresso Nacional e nos ensinou mais em alguns minutos do que muitos cursos.”

A campanha deve ter agora como foco três pontos: organização, formação e lutas. Os comitês serão mantidos e os militantes promoverão reuniões para discutir mobilizações e apresentar o balanço das ações à população que votou e participou do plebiscito. A ideia é também fazer um curso da campanha com base nos pontos unitários e, no dia 15 de novembro deste ano, quando a proposta da consulta popular completa um ano, preparar um jornal e mobilizações.

O dirigente propôs ainda um dia nacional de lutas, inicialmente, pensado para março de 2015

“O  papel do lutador popular é jogar fagulhas. Muitos fósforos queimam antes de o fogo pegar, mas um deles pode acender a fogueira”, comparou.

Para o dirigente do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra), Marcos Araújo, a manutenção do debate será fundamental para impedir que discursos e propostas vazias de reforma política sem participação popular iludam a sociedade. “A transformação será feita pela luta da população”, definiu.

Diretor Executivo da CUT, Júlio Turra, alertou que se a aprovação da proposta de plebiscito pelo presidente da Câmara dos Deputados, Henrique Alves (PMDB-RN), teve a intenção de desmobilizar as organizações, foi um equívoco.

“Ele disse não ver problema algum na consulta porque, por si só, ao define para qual lado vai a decisão. Se esse discurso pretende nos acalmar, não conseguira, porque estaremos atuantes para que proposta de Constituinte Exclusiva e Soberana se concretize e que a composição dessa constituinte se dê em outras bases, sem financiamento empresarial e com respeito às diversidades”, falou.

Da CUT

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