Contee, importante na luta por educação, saúde e contra o governo genocida

Na primeira reunião de 2021 da Diretoria Executiva da Contee, nesta terça-feira, 26, o coordenador-geral, Gilson Reis, destacou que “neste ano, de grandes desafios, a Contee é importante na luta por educação, saúde e contra o governo genocida de Jair Bolsonaro. A par das lutas específicas da nossa categoria e demais trabalhadores, temos o desafio de construir alternativa para o povo brasileiro. Alternativa para enfrentar a pandemia, gerar empregos, valorizar o trabalho e retomar a soberania nacional, aviltada pelo atual governo”. A reunião foi realizada via Internet.

Os diretores debateram a atual situação política, os desafios sanitários colocados para garantir a volta às aulas presenciais, o enfrentamento à ofensiva do capital contra o trabalho capitaneada por Bolsonaro e seus ministros, a defesa e ampliação das conquistas dos trabalhadores em estabelecimentos de ensino nas campanhas salariais do novo ano.

Foi denunciado que a política diplomática bolsonarista subordinou o Estado brasileiro aos interesses dos Estados Unidos liderados por Donald Trump e que, com a derrota deste nas eleições presidenciais de 2020, o Brasil ficou isolado internacionalmente, tanto no campo econômico quanto no próprio enfrentamento à pandemia, com dificuldades com a China e a Índia na produção da vacina. Isolou-se, inclusive, dentro dos BRICS (bloco formado pelo Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), do qual foi um fundador, e na América Latina e União Europeia. Indicou-se que os setores mais à extrema direita vêm perdendo posições no cenário internacional, mas continua forte (Trump, por exemplo, perdeu a eleição norte-americana, mas teve votação expressiva). Na América Latina, projetou-se a eleição de candidatos mais à esquerda em países como Venezuela, Equador, Argentina e Bolívia.

O enfrentamento à pandemia da covid-19 se mantém como uma questão central. Continua a expectativa de acesso à vacina e vacinação em pouco tempo, apesar do negacionismo do Governo Bolsonaro. Devido à orientação federal genocida, o processo de vacinação não se apresenta tranquilo, por falta de infraestrutura para produção e administração da vacina na população. A saúde nacional está sendo estrangulada pela atual gestão federal, com destaque para a Amazônia, mas é crítica em todo o país.

O reflexo dessa situação na economia é o caminho do colapso. Desinvestimento, desindustrialização, importação de produtos de primeira necessidade (por falta de estoque federal), desemprego, perda do poder do salário, miséria, inflação em alta e aprofundamento da crise social. “Isso leva ao desgaste do Governo Bolsonaro, conforme tendência que as pesquisas apontam. Por isso, a necessidade premente de rearticulação do campo popular e dos partidos de esquerda para elaborar um programa que aponte novo rumo para o país. Na eleição do ano passado, nosso campo continuou no mesmo patamar e, em alguns lugares, refluiu. Mas a mudança pode ser rápida e expressiva. No sábado e domingo passados, ocorreram manifestações em todo o Brasil contra o Governo Bolsonaro, inclusive de setores que apoiaram o bolsonarismo. A luta pelo impeachment é importante para desgastar o governo”, destacou Gilson.

Ele lembrou, ainda, o problema do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), que considerou “uma tragédia. Lutamos para que fosse adiado, o governo não aceitou e o abstencionismo foi recorde. Isso ressalta que estamos sob um governo em crise, em um país em crise, com uma elite desapontada que vai abandonando o governo, mas não sua política econômica, comandada por Paulo Guedes”.

Os diretores executivos da Contee consideram que “o movimento sindical precisa sair da sombra, pois está sendo duramente atacado. Precisa atuar na política geral, articular com movimentos sociais e partidários oposicionistas. Realizar mais carreatas e outras formas de luta que sejam seguras. Colocar nossa energia e nossa saúde a serviço do povo brasileiro. Nesse sentido, acompanhamos com interesse a formação de um bloco que derrote o candidato da Bolsonaro na disputa pela presidência da Câmara dos Deputados. Nossa nação está sendo destruída e temos que reagir, defendê-la! A indignação tem que ser transformada em luta”, conclamaram.

Bandeiras unificadoras

A direção destacou que a Contee se incorpora às demandas que unificam o movimento sindical, popular e democrático, tendo por bandeiras a vacinação, a volta do auxílio emergencial à população carente e o impeachment de Bolsonaro. E reafirmou que a categoria não voltará ao trabalho presencial enquanto não houver vacina para os profissionais do ensino. “É o rumo da Contee, em consonância com o movimento sindical brasileiro. Vamos fortalecer os movimentos populares, a Frente Sem Medo, a Frente Brasil Popular etc. Nossas entidades, diretores e trabalhadores da base são chamados a participar dessa grande articulação”, considerou o coordenador-geral.

Tratando das questões especificas dos trabalhadores em estabelecimentos de ensino da rede privada, a Diretoria Executiva decidiu que realizará, em fevereiro, reunião com as entidades que a integram para construir a orientação geral da campanha salarial de 2021.

Ficou definida a publicação, também em fevereiro, da convocação do Congresso da Contee, que deverá ocorrer nos dias 23, 24 e 25 de julho, podendo ser realizado à distância, caso as condições sanitárias não permitam reunião presencial.

Foram formadas três comissões especiais. Uma para preparar a realização do Congresso, presencial ou virtual; outra para discutir as questões financeiras com as entidades filiadas e uma terceira para debater as negociações com redes nacionais de estabelecimentos de ensino, como a Metodista e a Kroton-Anhanguera. “A negociação de cada sindicato tem consequência para todo o país, por isso devemos estar coordenados nacionalmente”, justificou Gilson.

A próxima reunião da Diretoria Executiva ficou marcada para 23 de fevereiro.

Carlos Pompe

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