Contra a mordaça: Somos todos Marlene!

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A Confederação Nacional dos Trabalhadores em Estabelecimentos de Ensino — Contee, autora da Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) que suspendeu a Lei da Mordaça no estado de Alagoas, vem agora se unir ao Sinpro Itajaí e Região no apoio à professora Marlene de Fáveri, historiadora e docente do Programa de Pós-Graduação em História (PPGH) da Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc), e no repúdio a essa e a todas as tentativas de calar e amordaçar o magistério. Nossa atuação se dá no combate à criminalização de professores e professoras e na defesa de uma educação verdadeiramente crítica, democrática e cidadã.

Leia abaixo a nota do Sinpro Itajaí e Região, assinada por sua presidenta, Adércia Bezerra Hostin dos Santos, coordenadora da Secretaria de Assuntos Educacionais da Contee:

O Sindicato dos Professores de Itajaí e Região solidariza-se com a historiadora e professora do Programa de Pós-Graduação em História (PPGH) da Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc), Marlene de Fáveri, na luta contra a injustiça e a perseguição que vem sofrendo. Marlene está sendo processada por dano moral movida por sua ex-orientanda do mestrado, depois que teve a orientação negada e, também, de ser reprovada em banca examinadora sob orientação de outro professor. Essa negativa deu-se depois de diversas manifestações públicas nas quais a aluna desqualifica as mulheres, menospreza a pesquisa de gênero e os estudos universitários e, ainda, se mostra sexista.

A diretoria do Sinpro qualifica essa atitude como reacionária por seu intuito de querer calar as vozes acadêmicas que defendem os direitos humanos e a luta pelo empoderamento da mulher na vida social. Posturas dessa natureza ganham espaços em uma sociedade com fortes traços fascistas e em um país que vive em estado de exceção após o golpe político-jurídico-midiático na destituição de um governo eleito pelo povo. O resultado desse processo traumático é embalado por mobilizações de rua que reivindicam, entre outras, a volta da Ditadura Militar, além de movimentos de extrema direita, como o MBL com sua principal bandeira, o projeto “Escola sem Partido”, que busca eliminar nas escolas o pensamento crítico e implantar o regime de “lei da mordaça” aos professores. No entanto, não para por aí. Entre as anomalias de nossa época, o crescimento de políticos marcados por discursos homofóbicos, racistas, sexistas e de fomento à cultura do estupro.

Marlene está sendo processada justamente por uma simpatizante do MBL e propagadora das ideias de Jair Bolsonaro e Marco Feliciano, parlamentares que constantemente ferem os direitos humanos, praticando todo tipo de violência simbólica. É evidente que uma ex-aluna do programa de Mestrado da Udesc, ao fazer apologia à violência, desqualificar a luta das mulheres e tentar reproduzir seus estereótipos no espaço acadêmico, não obtenha os resultados esperados no projeto e nas ementas das linhas de pesquisas do curso. Ao desqualificar, inferiorizar, julgar, menosprezar àqueles que não se pautam pelo determinismo do sexo e pelo poder opressor de um gênero sobre o outro, ancorada em uma leitura pessoal da bíblia, ocorre, ainda, uma segunda violência simbólica: a de proferir ódio a todos que defendem a emancipação da mulher, assim como as liberdades de gênero e as ideias progressistas. Marlene está sendo perseguida pelo ódio descabido de uma personagem marcada pelo moralismo hipócrita e fascista que ganha repercussão em redes sociais da internet e em vídeos no YouTube.

Quando essas distorções sociais chegam às universidades, cuja pesquisa está encorada em um campo de conhecimento e de pressupostos teórico-metodológicos, vimos, então, bater à porta daqueles que querem impor a “lei da mordaça”. Tempos de exceção. Estado de exceção. Somos todos Marlene!

Adércia Bezerra Hostin
Presidente do Sinpro Itajaí e Região e coordenadora da Secretaria de Assuntos Educacionais da Contee

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