A Jornada Continental pela Democracia e contra o Neoliberalismo: espaço de resistência e de proposição dos movimentos sociais

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Por Maria Clotilde Lemos Petta*

“Trouxemos uma pá (…) porque aqui, em Mar del Plata, está o túmulo da Alca (…) a Alca foi derrotada pelo povo”, disse Hugo Chávez, o então presidente venezuelano, durante a IV Cúpula das Américas, no dia 5 de novembro de 2005. Neste momento, passados mais de dez anos da derrota da Alca (Área de Livre Comércio das Américas), após o ciclo progressista da América Latina, uma nova ofensiva liberal conservadora pressiona por novos tratados de livre comércio, representando uma grave ameaça aos direitos dos trabalhadores e à soberania dos países da America Latina e do Caribe. Uma série de golpes atingem países da região, a exemplo do que ocorreu no Haiti (2004), Honduras (2009), Paraguai (2012) e Brasil (2016), onde o poder econômico atua para fazer desmoronar governos legitimamente eleitos e que representem qualquer entrave ao poderio imperialista dos EUA e seus aliados. Os grandes desafios que o Brasil vive hoje, no pós-golpe, com a crise política e a retomada da agenda internacional neoliberal, reforçam a importância da luta pelos direitos dos trabalhadores, pela democracia e pela integração soberana da América Latina e do Caribe.

Nesse contexto, os movimentos sociais constroem espaços de resistência e proposição a essa nova ofensiva. Entre esses se destaca a Jornada Continental pela Democracia e contra o Neoliberalismo, um espaço construído pelo movimento sindical e vários movimentos sociais das Américas com o objetivo de mobilizar pela defesa da democracia, integração soberana do continente e contra a agenda neoliberal. A Jornada vem se estruturando desde 2016 rumo ao grande encontro nos dias 16, 17 e 18 de novembro, em Montevidéu, Uruguai.

O secretário de Política Econômica e Desenvolvimento Sustentável da CSA (Confederação Sindical das Américas), Rafael Freire, afirma que “o Brasil, ao inserir suas lutas sociais dentro de um marco mais geral da Jornada Continental, contribui para uma resposta regional a um problema regional. Portanto, os brasileiros e brasileiros, lutadores e lutadoras sociais, quando lançam a Jornada e relacionam sua luta nacional a uma luta continental, estão contribuindo para resistirmos e para passarmos a uma ofensiva contra essa onda neoliberal.”. Freire analisa o quadro geral da resistência, dizendo que “o Brasil tem todas as condições não só de reverter à situação golpista, mas também em contribuir para uma América Latina integrada que possa derrotar de uma vez por todas o neoliberalismo, seus agentes e suas políticas”.

A Contee participará desse encontro, enviando uma delegação com o compromisso de reforçar na pauta da Jornada a denúncia da mercantilização e privatização da educação e com a divulgação da campanha pela valorização dos professores. Objetiva também contribuir no debate sobre os impactos dos tratados de livre comércio na educação, que, se efetivados aprofundam o processo de destruição da escola pública.

A perspectiva é de que o encontro se constituirá num amplo espaço de articulação da Jornada na definição de uma agenda comum, confluindo cerca de 5 mil pessoas das mais diversas organizações e movimentos sociais de todos os países das Américas.

Link para o site da Jornada:
https://seguimosenlucha.wordpress.com/

*Maria Clotilde Lemos Petta é diretora de Relações Internacionais da Contee, diretora do Sinpro Campinas e Região e vice-presidente da CEA

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