Brasil e o perigo do fascismo!

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Por Nivaldo Mota*

Realmente o mundo não está para brincadeiras. Em todos os níveis, sejam eles culturais, ideológicos, políticos ou militares, o imperialismo vai fazendo a cabeça das pessoas, aqui e alhures.

No Brasil, por exemplo, enfiaram uma tese de que aqui, juntamente com países que tenham governos de representação popular mais avançada,  já vivemos no comunismo ou em estágio final de ser implantado, num mirabolante plano arquitetado pelo Foro de São Paulo.

Vendo e assistindo no Facebook uma mulher, transtornada, dizendo que a Embaixada da Palestina, em Brasília, é uma afronta ao povo brasileiro. Como assim? Até a Fifa aceita a Palestina, menos os ditos de direita no Brasil, ignorância pura!

Vomitam por aí que países como a Venezuela, a Bolívia, o Uruguai são todos comunistas! Que o Brasil estava a caminho, com o PT, é para rir ou chorar? Mas isso é parte do plano: confundir, mentir, dizer que a corrupção no Brasil foi inventada nos governos Lula/Dilma. Encheram as redes sociais, como muita gente está por aqui, e como essa gente, principalmente de classe média, tem raiva do PT e das esquerdas, ficou fácil passar uma ideia.

Depois disso, a contribuição inestimável da Rede Globo, do Judiciário reacionário e, pronto, está montado o golpe. Mas isso tem preço! O preço das entregas de nossas riquezas. O sonho dourado da classe média, que alardeia ser liberal, mas não deixa de fincar a boca nas tetas do Estado, começa a ficar ameaçado.

A coisa é séria, inventaram dois personagem no submundo da velhacaria da política, um certo Ludwig Von Mises, um teórico da economia de mercado que não conseguiu fazer nada mais do que reproduzir as teses iluministas. O outro é Olavo de Carvalho, como disse da tribuna da Câmara dos Deputados o ultra direitista Eduardo Bolsonaro, o “maior filósofo brasileiro da atualidade”. Dá para aguentar uma afronta dessas?

Essas duas figuras, que ninguém conhecia, passaram a ser lidas com avidez, algo engendrado de fora do país. Criam-se mecanismos para isso, desde ONGs, passando por clubes nem tão inocentes de leituras, todos com o pensamento de disseminar essas ideias e se contrapor às posições mais progressistas e de esquerda de nossa sociedade, notadamente os partidos, como os comunistas e o PT, que eles identificam como comunista também. Faz parte do pacote da desinformação.

Aproveitaram muito bem as manifestações de junho de 2013. Era para ser uma revolta do busão, mas num piscar de olhos passamos a ter grandes manifestações que visavam a uma coisa só: desmoralizar o sistema político vigente. Os partidos políticos agora já não representavam mais nada, todos eram iguais! Algumas organizações de esquerda, notadamente os de linha trotskista, como PSTU, por exemplo, irradiavam em suas publicações que ali se processava a verdadeira revolução em nosso país. Veja o que dizia o jornal Opinião Socialista, em seu editorial de 14 de agosto a 3 de setembro de 2013:

“As mobilizações de junho mudaram a situação politica do país. Agora, se discute política nas conversas durante o trabalho, em casa, nas festas. Pessoas que antes não participavam das lutas, viraram ativistas. As pessoas estão mais animadas para se mobilizar. Os governos ficaram na defensiva, acuados pelas mobilizações”.

Quer dizer, bastou ter gente nas ruas para esse setor comungar com o golpismo que se processava e ninguém alertava. A exceção foi o PCdoB, que no alto da sua experiência histórica, de ser um partido quase centenário, a maioria dos anos na clandestinidade, mostrava em artigos, como o de José Carlos Ruy, no site Vermelho.org.br, o que estava de fato ali representado. Com o título “O Gigante acordou em 2013”?, o autor discorre com estas afirmativas:“Em junho de 2013 ocorreu uma grande explosão do descontentamento popular; ela expôs vicissitudes da luta de classes que ocorre no Brasil. Aquele movimento teve algumas marcas principais. Primeiro, a enorme dispersão de reivindicações que surgiram na esteira da exigência de transportes urbanos de melhor qualidade e preços acessíveis. Outra foi à virulenta posição contra os partidos políticos de esquerda por parte de alguns grupos que participavam dos protestos. Tudo isso acompanhado pela ação violenta de grupos como os black-blocs que, a pretexto de reagir contra a violência policial, partiram para o vandalismo puro e simples. Outra característica foi o uso da internet, das redes sociais (como o twitter e o facebook) para mobilizar as pessoas”.

Tem outra conotação, o enfoque tem a preocupação de que aquele movimento podia estar em disputa, mas boa parte da esquerda, principalmente os radicalóides, que não percebem um palmo na frente do nariz, achava que o processo revolucionário era por aquele caminho. Nada mais falso!

Pelo contrário, estamos desde aquele período vivendo uma onda conservadora que ataca não só aqui o nosso país, mas toda a América Latina. Essa ofensiva é articulada, não se podem ter governos tão independentes assim, o império que subserviência total, todas as nossas riquezas sendo entregues e o povo, ainda letárgico, achando que os malefícios de tudo e de todos os problemas foram obra e graça dos petistas, dos comunistas e democratas!

Essa invenção não é de agora, ela foi gestada, por sinal muito bem organizada, e desestrutura tudo. O mercado quer o controle de tudo e de todos, mesmo que para isso eleja uma anta como o candidato fascista. Enquanto isso, se as esquerdas, mesmo com todos os problemas, se unificarem em uma candidatura plausível, podem ganhar e bem este processo eleitoral!

Hoje a ponta o iceberg do fascismo se mostra na força policial, principalmente as polícias estaduais. Não é de hoje que os movimentos que pedem intervenção militar estão presentes, cometendo crimes. Está em nossa Constituição, mas ninguém liga para isso, continuam a  pregar intervenção militar, jogam a favor do retrocesso, acham que o candidato estrume, que defende o fascismo abertamente, pode dar guarida a todos, principalmente no combate à criminalidade contra aqueles mais pobres. Estes valentões da polícia não afrontam os “homens de bens”, mesmo que estes ditos homens de bens não sejam tão do bem assim.

Outro setor que vem operando posições claramente fascistas são as ditas igrejas evangélicas, muitas delas criadas nos Estados Unidos. Atuam por aqui apenas para cumprir o papel de enrolar os incautos que acham que pode melhorar de vida, se não for por aqui na terra, acham eles que no céu tudo dará certo!

*Nivaldo Mota é diretor-presidente em exercício do Sinpro-AL
 
Os textos desta coluna são de responsabilidade de seus autores e não necessariamente representam o posicionamento da Contee.

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