Covid-19 avança cada vez mais rápido entre as crianças

Registros de casos infantis têm avançado por conta da baixa cobertura vacinal ante o que tem ocorrido entre adultos

Os médicos Paulo Lotufo e Marcelo Otsuka conversaram com os jornalistas Luis Nassif e Marcelo Auler sobre a vacinação infantil no Brasil, além da conduta do ministro da Saúde Marcelo Queiroga, na TV GGN 20 horas desta quarta-feira (02/02).

Paulo Lotufo é epidemiologista, e o pediatra Marcelo Otsuka é vice-presidente do Departamento Científico de Infectologia da SPSP (Sociedade de Pediatria de São Paulo).

Sobre os dados de covid-19 no Brasil, foram registrados 172.903 casos nesta quarta-feira. A média diária semanal chegou a 179.604, alta de 12,3% ante sete dias e de 79,7% ante 14 dias. Dois estados não divulgaram seus dados.

Quanto aos óbitos, 893 pessoas perderam a vida para a covid-19. A média diária semanal chegou a 650, alta de 77,8% ante sete dias e de 206,4% ante 14 dias.

No mundo, a média de casos em sete dias ficou em 2,587 milhões, queda de 9,7% em sete dias. Dos 20 países com maior crescimento per capita, 16 são da Europa.

Vacinação infantil contra a covid-19

Para discutir a vacinação infantil no Brasil, Luis Nassif e Marcelo Auler conversam com o epidemiologista Paulo Lotufo e o pediatra Marcelo Otsuka, vice-presidente do Departamento Científico de Infectologia da SPSP.

“Hoje, para ter uma ideia, no meu hospital – um hospital pediátrico, que não é referência de covid, nós a princípio não atendemos pacientes com covid, estou com 12 crianças internadas”, disse o pediatra Marcelo Otsuka.

“Só que são crianças com câncer, crianças com problema renal, crianças com outros problemas graves. E isso é um problema sério. A gente tem relatado, e tem notificado, um aumento importante de casos em crianças, isso porque nós temos muitos casos”.

Segundo Otsuka, se atualmente se registra um aumento de casos como tem ocorrido atualmente, é óbvio que aparecerão mais crianças infectadas. “E essas crianças infectadas acabam aparecendo mais, porque os adultos estão imunizados em uma porcentagem muito maior”, diz o pediatra.

Marcelo Otsuka ressalta que é justamente por conta da maior vacinação que menos adultos tem sido internados, enquanto as crianças “ainda não são vacinadas como a gente gostaria”.

“Então, sim, nós temos um aumento importante de casos em crianças por causa desse aumento de casos de uma forma geral – e esse acaba sendo um problema sério, porque a gente nunca viu tanta criança acometida como agora”, ressalta o pediatra.

Quem está vacinado está mais protegido contra a ômicron

Sobre os estudos envolvendo a reinfecção de pessoas pela ômicron, e o consenso de quem está vacinado está mais protegido, o epidemiologista confirma esse consenso.

“O que estamos lendo é que a ômicron tem uma atração muito maior da superfície das células do aparelho respiratório alto (nariz, boca, garganta, faringe) e, com isso, ela consegue se espalhar mais rápido – mas, por outro lado, ela não vai descer até o pulmão”, explica.

“Mais ou menos, seria uma inteligência do vírus para ele poder se reproduzir mais (…). Realmente, é impressionante o número de pessoas no circulo pessoal que estão ficando (doentes)”, diz Lotufo. “É uma coisa muito grande, e isso é realmente o dado principal que nós temos”.

Otsuka e Lotufo também confirmam a existência de uma nova cepa da ômicron. “Já tem a descrição da variante BA2, que é uma variante da ômicron, que tem uma capacidade de transmissão ainda maior que a ômicron”, diz Marcelo Otsuka.

Contudo, o pediatra ressalta que ainda não é possível dizer se quem foi contaminado pela ômicron está protegido para essa nova variante – e também não é possível afirmar se quem teve a infecção pela ômicron amanhã ou depois não pode ter uma nova infecção pela ômicron.

“É interessante a gente entender que, de uma forma geral, os coronavírus – assim como o influenza, até por conta dessas mutações que eles sofrem”, explica o pediatra. “Nós temos uma validade na imunidade nossa em relação a essas variantes, e alguns dados sugerem que, após em torno de cinco meses, você pode ter uma reinfecção”.

No caso da ômicron, Otsuka lembra que ainda não dá pra traçar esse prognóstico uma vez que esse prazo ainda não venceu, mas que é possível fazer tal afirmação por conta do conhecimento já existente em torno das variantes – e é importante entender “que tem a variante, vai se multiplicando, vai ter mutação”.

“Na maioria das vezes, (a mutação) não vai ajudar o vírus – ela não vai aparecer, mas em algumas vezes ela vai ajudar o vírus quer seja fugindo da vacina, quer seja fugindo da imunidade natural, e acaba tendo uma efetividade maior e acaba se disseminando de uma forma como a ômicron está fazendo hoje”.

Jornal GGN

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