CTB repudia o preconceito infame de Paulo Guedes contra domésticas

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Foto: Adriano Machado/Reuters

Poucos dias depois de proferir ofensas intoleráveis contra os servidores públicos, a quem chamou de parasitas, o ministro da Economia do governo Bolsonaro promoveu na quarta-feira (12) um novo show de misoginia, preconceito e ódio contra a classe trabalhadora. Desta vez elegeu por alvo as trabalhadoras domésticos.

Ao enaltecer a alta do dólar em relação ao real durante um seminário em Brasília, Paulo Guedes afirmou que quando a moeda estadunidense valia apenas R$ 1,80 (na quinta bateu novo recorde, fechando em R$ 4,326) “todo mundo ia para a Disneylândia. Empregada doméstica indo pra Disneylândia, uma festa danada”.  O deplorável preconceito contra as mulheres trabalhadoras é transparente.

Na sequência do discurso, o ministro da extrema direita disse que “todo mundo quer ir para a Disneylândia”, mas não “três, quatro vezes ao ano”. É notório que o trabalho doméstico (que não compreende apenas mulheres e não se restringe a uma categoria profissional) é pessimamente remunerado no Brasil e não permite luxos de viagens à Disneylândia, muito menos três, quatro vezes ao ano.

As asneiras proferidas por Guedes refletem o profundo desprezo e ódio que ele e os atuais ocupantes do Palácio do Planalto nutrem pela classe trabalhadora. Um ódio de classes que infelizmente não está confinado ao plano da retórica de matriz neofascista. É traduzido principalmente em medidas concretas impostas ou propostas pelo governo: reforma da Previdência, reversão da política de valorização do salário mínimo, MP 905, reforma administrativa, PEC 187, privatizações, fim dos concursos públicos, corte de investimentos em diferentes áreas, entre outras.

O resultado desta orientação reacionária é a depreciação da força de trabalho, o arrocho dos salários, a precarização das relações entre capital e trabalho, efeitos sentidos sobretudo nas camadas menos favorecidas dos assalariados. A evolução da situação do trabalho doméstico (formalizado no governo Dilma, depois de décadas à margem da legislação trabalhista), é exemplar neste sentido. Desde o golpe de 2016 assiste-se ao avanço da precarização e redução da formalidade no trabalho doméstico, o que significa redução de salários e direitos.

A CTB manifesta profundo repúdio ao preconceito, à misoginia, intolerância e ódio de classes externados por Paulo Guedes e cobra respeito à dignidade das trabalhadores domésticos, bem como dos servidores públicos e do conjunto da classe trabalhadora brasileira, que produz a riqueza nacional, mas dela não usufrui, é expropriada.

A valorização do trabalho, preconizada pela Constituição Cidadã de 1988, é o caminho mais seguro e promissor para o desenvolvimento nacional, bem como para a defesa da soberania e da democracia brasileira. Em contraste, a depreciação da classe trabalhadora, ardorosamente defendida pela dupla Guedes/Bolsonaro, agrava o quadro de gritantes desigualdades sociais, enfraquece o mercado interno e alimenta a estagnação da economia.

São Paulo, 13 de fevereiro de 2020
Adilson Araújo, presidente da CTB (Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil)

CTB

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