Dependência tecnológica e produtiva está tirando o direito à vida no Brasil, afirma economista

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Foto: Istockphoto

Por Railídia Carvalho

A pandemia do coronavirus expôs a fragilidade do Brasil quando se trata de tecnologia e produção nacional. A afirmação é do economista Carlos Grabois Gadelha que participou da Sala Virtual da Central de Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) de terça-feira (14) sobre o tema  “Projeto Nacional de Desenvolvimento e o direito à vida”. Gadelha é integrante do Comitê de Ciência e Tecnologia da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco) e pesquisador da Fiocruz.

“A pandemia deixou evidente que uma visão de desenvolvimento tem que procurar ao mesmo tempo a dimensão social, a dimensão dos direitos, a dimensão ambiental e a dimensão que aponta para o papel do Estado em alavancar os investimentos e a promover um direcionamento para o próprio investimento privado”, afirmou. Ele completou: “Eu não posso pedir que o mercado seja Estado mas eu posso pedir que o Estado seja Estado dando a direção de um padrão de desenvolvimento que atenda as necessidades sociais”.

Na opinião dele, desenvolvimento e o direito à vida não são antagônicos. “É possível construir alternativas para retomada do desenvolvimento com com a preservação ética e moral do direito à vida. Ao invés de serem dois lados antagônicas são lados que podem ser construídos em torno de uma estratégia de desenvolvimento que desenvolva a economia, que gere emprego e que garanta a vida das pessoas”, defendeu Gadelha.

Carlos Grabois Gadelha/Reprodução CTB

Segundo o economista, o Sistema único de Saúde (SUS) defendeu o papel estratégico da geração de emprego e renda e da produção nacional. “O SUS não teve medo de dizer que isso era uma dimensão essencial para se ter um sistema único de saúde de acesso universal”. Para Gadelha ter uma base tecnológica frágil e dependente de exportações é um “problema de saúde publica”.

Em valores de 2019 o Brasil gastou 16 bilhões de dólares em importação de produtos diretos para a saúde. Somando-se a esses produtos outros como sensores de ventiladores, softwares utilizados na saúde, entre outros produtos, o valor sobe para 20 bilhões de dólares. “Sabe o que isso significa? Um orçamento inteiro do Ministério da Saúde para gerar riqueza e trabalho fora do país”.

De acordo com Gadelha, o Brasil tem condições de produzir equipamentos de proteção individual como luvas, por exemplo. Ele criticou que a importação de máscaras atinja a ordem de 95%. O economista também informou que nos últimos três anos, até o ano passado, o Brasil aumentou a importação em 20% a importação de ventiladores. “Não é razoável”.

“Compramos fora porque era mais barato e agora o preço triplicou.  O pior é que não se consegue comprar porque está havendo um movimento de pirataria de países ricos contra países pobres sequestrando produtos que protegem nossos profissionais da saúde, que permitem uma esperança de vida para quem entrar numa UTI”, disse.

“Onde estão agora aqueles que falaram que produzir no país não era importante? Estão aonde? Quem não viabilizou ou quem tentou impedir a produção nacional como elemento de soberania, geração de emprego e altivez no mundo global, estão aonde? onde estão as áreas que queriam criminalizar gestores públicos que diziam que o direito à saúde previsto na Constituição não estava sendo cumprido?”.

“Está na Constituição que o mercado é parte do patrimônio nacional. Está na Constituição que ciência e tecnologia é uma área que é prioridade e deve ser objeto de políticas públicas, inclusive na sua dimensão regional. Está na Constituição que a saúde é um direito. Eu só quero cumprir a Constituição, garantir a saúde como direito, o mercado como patrimônio nacional e a tecnologia como uma dimensão estratégica da atuação pública”, argumentou Gadelha.

CTB

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