COMPARTILHE
Foto: Reprodução

A Confederação Nacional dos Trabalhadores em Estabelecimentos de Ensino – Contee reafirma seus princípios e compromissos democráticos neste 1º de abril, que registra mais um aniversário do golpe que deu origem à ditadura militar que, por 21 anos, sufocou a liberdade, massacrou a oposição, torturando e matando democratas, e escreveu uma das mais infelizes páginas da nossa História, como registrou Chico Buarque em uma canção.

A data transcorre num momento novamente trágico para o país, governado por um presidente, ex-capitão do Exército Jair Bolsonaro, que tem admiração por esse período e idolatra um de seus maiores criminosos, o torturador e coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra. Militares formados durante esse período estão em postos importantes do atual governo e o Ministério da Defesa divulgou nota no último dia 30 considerando ter sido o golpe “um marco para a democracia” – celebrando-o no dia 31 de março, já que o dia 1º de abril é, no folclore brasileiro, o Dia da Mentira. Também o vice-presidente, ex-general Hamilton Mourão, exaltou a data e falseou a história, dizendo que o primeiro ditador a usurpar o poder, general Castello Branco, chegou “eleito” à Presidência da República.

Diferentemente do que alardeiam os saudosistas do governo ditatorial, o regime militar imperante de 1964 a 1985 foi um período marcado pela censura às notícias, às artes e às manifestações culturais, pela perseguição política, pela supressão de direitos constitucionais, pela cruel e impune repressão àqueles que se lhe opunham.

Partidos políticos, sindicatos, agremiações estudantis e populares foram suprimidas ou sofreram interferência do governo. Suas lideranças foram perseguidas, presas, torturadas e mortas. Depois de dois anos e sete meses de trabalho, em 2014 a Comissão Nacional da Verdade (CNV) confirmou, em seu relatório final, 434 mortes e desaparecimentos de vítimas da ditadura militar no país. Entre essas pessoas, 210 continuam desaparecidas.

Desde o mais recente golpe – o que retirou arbitrariamente Dilma Rousseff da Presidência da República em 2016 –, o Brasil vive crescente ameaça às conquistas alcançadas com a Constituição de 1988, redigida após o fim da ditadura militar. As liberdades democráticas são seguidamente violadas, as organizações trabalhistas e populares são alvo de constante ataques, o que recrudesceu com o atual governo.

Este é o período em que o Brasil e os brasileiros vivem o seu pior momento após o fim da ditadura militar. É o que leva a Contee a pedir a renúncia de Bolsonaro como passo necessário para a retomada do desenvolvimento com inclusão social, o reforço da democracia e a conquista de dias melhores para o nosso povo.

Brasília, 1º de abril de 2020

Confederação Nacional dos Trabalhadores em Estabelecimentos de Ensino – Contee

COMPARTILHE

RESPONDER PARA:

POR FAVOR ENTRE COM SEU COMENTÁRIO!
POR FAVOR ENTRE COM SEU NOME