Greve Nacional da Educação: A quem serve o desmonte da universidade pública?

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A notícia veiculada ontem (13) e repercutida nesta terça-feira pelo Portal da Contee não é uma surpresa: em meio ao bloqueio de 30% no orçamento das universidades e institutos federais, as ações dos seis maiores grupos educacionais que atuam no Brasil — Kroton Educacional S/A (Anhanguera, Unopar, Pitágoras), Estácio Participações S/A (Estácio de Sá), Gaec Educacão S/A (São Judas e UniBH), Ser Educacional S/A (Univeritas, Uninassau), Laureate Education Inc (Anhembi Morumbi e FMU) e Adtalem Global Education (Ibmec) — registraram alta na bolsa de valores, e isso a despeito de própria Bovespa ter tido baixa.

É claro que assim seria. O corte orçamentário que atinge as universidades públicas serve escancaradamente ao propósito privatista do governo Bolsonaro e dos lobistas da educação que estão com ele. O desmonte da educação pública é um projeto, que se retroalimenta do processo de financeirização, oligopolização e desnacionalização do ensino superior no Brasil — que vem sendo denunciado há mais de uma década pela Contee, com a campanha “Educação não é mercadoria” — e o intensifica. O próprio noticiário passou a apontar cada vez mais frequentemente o parentesco perigoso da vice-presidente da Associação Nacional de Universidades Privadas (Anup), Elizabeth Guedes, com o ministro da Economia, Paulo Guedes, de quem é irmã, e o quanto o Ministério da Educação, comandado primeiramente por Ricardo Vélez Rodríguez (que acelerou a aprovação de novas IES privadas em 70%) e, agora, por Abraham Weintraub, está alinhado e subserviente às ingerências do capital privado. Mais: cúmplice.

No ano passado, após as eleições, mas mais de um mês antes de o atual governo tomar posse, a coordenadora da Secretaria-Geral da Contee, Madalena Guasco Peixoto, publicou artigo sobre o tema no site da Carta Educação, no qual apontava o crescimento de duas forças relativamente diferentes, mas complementares: “de um lado, a sanha privatista por mais e mais verbas públicas para ampliar seus lucros; de outro, o papel, no golpe de 2016, dos grandes oligopólios educacionais representados pela diretora da Anup, como a Kroton Educacional S/A, a Anhanguera Educacional Participações S/A (incorporada, em 2014, à Kroton) e a Estácio Participações S/A — empresas que, diga-se de passagem, cresceram substancialmente durante os governos Lula e Dilma, mas que não hesitaram em se aliar aos golpistas à medida que o governo passou a não corresponder mais a seus interesses.”

A reforma da Previdência, contra a qual a Greve Nacional da Educação que acontece nesta quarta-feira, 15 de maio, foi convocada a priori, serve ao capital financeiro. Os cortes nas instituições de ensino federais, que visam o desmonte da educação pública, gratuita e de qualidade socialmente referenciada, também servem. Mas, justamente porque o inimigo é comum, o corte no orçamento das universidades públicas veio a engrossar a mobilização deste dia 15, com a paralisação, em todo o país, nas escolas públicas e privadas, da educação básica ao ensino superior, de professores, estudantes e técnicos administrativos. O desmonte da universidade pública atende às mesmas forças que querem o desmonte da Previdência pública: banqueiros, grandes empresários, rentistas. Contra elas estaremos nas praças e nas ruas.

Dia 15 de maio é Greve Nacional da Educação!

Por Táscia Souza

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