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Nesta segunda-feira, 13 de maio de 2019, completam-se 131 anos da abolição da escravatura. A comemoração da data é controversa. A assinatura da Lei Áurea pela princesa Isabel não foi um gesto de benevolência do regime imperial, tampouco o fim oficial da escravidão representou seu encerramento concreto, uma vez que não se criaram condições para que a população negra tivesse uma inserção mais digna na sociedade. Pelo contrário, o reflexo de sua exclusão do processo social é visível e sentido ainda hoje.

Lembrar disso às vésperas de uma Greve Nacional da Educação, que acontece na próxima quarta-feira, e também a cerca de um mês da Greve Geral de 14 de junho, convocada para 14 de junho, é significativo para pensarmos sobre as novas formas de escravidão no Brasil — nunca total e definitivamente abolida — e as medidas que tentam agravá-las. O governo Bolsonaro e seus aliados querem que os trabalhadores, sobretudo os mais pobres, que já tiveram um sem número de direitos extirpados pela reforma trabalhista, agora trabalhem até morrer, sem descanso e sem conseguir sua aposentadoria. Querem também, com os cortes nas instituições de ensino federais, os negros e pobres fora da universidade, lugar de direito que só a poucos anos começaram a conquistar. Querem ainda — com a perseguição ao magistério — destruir o ideal de uma educação crítica e cidadã, não racista e não discriminatória em todas as instâncias, sem a qual é impossível que se conquiste de fato uma “abolição” plena e uma sociedade liberta de todas as desigualdades e de todos os preconceitos.

Na próxima quarta-feira, 15 de maio, a educação estará em greve e nossa aula será nas praças e nas ruas. É contra a reforma da Previdência. É contra o desmonte da educação pública, gratuita, democrática, inclusiva e de qualidade socialmente referenciada. É contra os que que querem nos escravizar. É contra os que querem escravizar o Brasil.

Por Táscia Souza

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