Lula chora ao falar da volta da fome e pede respeito à democracia brasileira

Presidente eleito reuniu parlamentares e fez um discurso emocionado na manhã desta quinta-feira no Centro Cultural Banco do Brasil

Em sua primeira visita ao Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), em Brasília, onde trabalha a equipe de transição de governo, o presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) reuniu parlamentares e fez um discurso emocionado, chorou ao falar sobre a fome e pediu respeito à democracia.

“A democracia voltou com os braços abertos, para dar a cada um de nós a sensação, o prazer e a felicidade de que seremos capazes de recuperar a civilidade nesse país”, disse o petista, para em seguida mandar um recado aos apoiadores do presidente Jair Bolsonaro (PL), que estão em frente aos quartéis:

“Eles não sabem nem o que pedem, mas estão pedindo [intervenção militar]. Se eu pudesse dizer algo para essas pessoas, [eu diria] voltem para casa. Democracia é isso, um ganha e outro perde. (…) Eu não peço para ninguém gostar de mim. Eu só peço para as pessoas respeitem o resultado eleitoral, porque nós vencemos as eleições e vamos recuperar esse país”, afirmou.

Sobre a fome, Lula repetiu a frase de quando assumiu a Presidência pela primeira vez: “A prioridade zero, outra vez o mesmo discurso que eu disse em dezembro de 2002, não tem que mudar uma única palavra. Se quando eu terminar esse mandato cada brasileiro tiver tomando café, tiver almoçando e jantando outra vez, eu terei cumprido a missão da minha vida”, afirmou e fez uma pausa emocionado, chorando.

“O fato é que eu jamais esperava que a fome voltasse nesse país, jamais. Quando eu deixei a Presidência, eu imaginava que nos dez anos seguintes esse Brasil estaria igual a França, igual a Inglaterra, teria evoluído do ponto de vista das conquistas sociais. Esse país fez o impeachment de uma mulher com a mentira de uma pedalada, a pretexto de melhorar esse país.

Esse país viveu o maior processo de negação da política que eu conheço na história. Neste país, eu fui acusado das maiores infâmias, sem que o acusador jamais pudesse provar. Eu não tive que provar minha inocência, eu tive que provar a culpa de quem me acusou tive que provar a culpa do Moro, do Dallagnol. E graças a Deus conseguimos provar”, disse o petista.

O discurso e o choro viralizaram nas redes sociais. E o proprio perfil do presidente eleito retuitou o vídeo postado por um internauta.

Ele também disse que a ida a Brasília é para pacificar a relação com as instituições, como o Congresso e o Supremo Tribunal Federal. “Vim aqui para visitar as instituições brasileiras e dizer o seguinte: a partir de agora, vocês vão ter paz, porque não vão ter um presidente desaforado querendo intervir na Suprema Corte, na Justiça Eleitoral”, declarou.

CUT

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