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“Marielle Franco é mulher, negra, mãe e cria da favela da Maré.

Socióloga com mestrado em Administração Pública.

Foi eleita vereadora da Câmara do Rio de Janeiro pelo PSOL, com 46.502 votos.

Foi também presidente da Comissão da Mulher da Câmara.

No dia 14/03/2018 foi assassinada em um atentado ao carro onde estava.

Treze tiros atingiram o veículo, matando também o motorista Anderson Pedro Gomes.

Quem mandou matar Marielle mal podia imaginar que ela era semente, e que milhões de Marielles em todo mundo se levantariam no dia seguinte.”

É assim o texto de apresentação do site em memória de Marielle Franco, cujo assassinato, juntamente com o do motorista Anderson Gomes, completa um ano nesta quita-feira, 14 de março de 2019. Nesta semana, como repercutido pelo Portal da Contee, o caso teve novos desdobramentos, com a prisão do policial militar reformado Ronnie Lessa, acusado de ter efetuado os disparos que mataram a vereadora, e o ex-policial militar Elcio Queiroz, que dirigia o carro de onde partiram os tiros. Lessa foi preso, no Rio de Janeiro, no mesmo condomínio de Jair Bolsonaro, de quem é vizinho. Queiroz ostenta em suas redes sociais uma foto com o atual presidente, tirada depois do crime. Nada menos do que 117 fuzis M-16 foram encontrados na operação para prender os dois suspeitos.

O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPERJ) também se pronunciou sobre o caso após um ano de investigação, confirmando que os motivos que levaram ao assassinato de Marielle e Anderson estavam ligado às causas que a vereadora defendia, sobretudo sua luta contra a milícia. Ao que tudo indica, esse poder paralelo que a vereadora combatia está oficializado, porém. Depois das prisões dos suspeitos e das revelações sobre a primeira fase das investigações ocorridas ao longo deste último ano, o titular da Delegacia de Homicídios (DH) da capital fluminense, Giniton Lages, foi afastado do caso e irá tirar seis meses de férias. O delegado foi surpreendido pela notícia, da qual soube através da imprensa.

Enquanto as peças do quebra-cabeça se revelam, a pergunta “quem mandou matar Marielle?” soa cada vez mais alto e deve estar a cada dia mais incômoda aos ouvidos dos envolvidos, quaisquer que sejam. No entanto, se o nome de quem deu a ordem ainda não foi dito, embora o acusado de apertar o gatilho tenha sido preso, quem matou está escancarado: o Estado brasileiro. A execução de Marielle, mulher jovem, negra e defensora dos direitos humanos se deu precisamente no momento em que ela denunciava os abusos de autoridade e a violência contra moradores das favelas e bairros pobres da cidade, por parte de integrantes de um batalhão da Polícia Militar. Sua morte pôs em xeque a fracassada política de intervenção federal na área de segurança do Rio de Janeiro. Passado um ano do assassinato, a Contee mais uma vez se une às vozes que exigem apuração rigorosa desse crime e reafirma sua luta no combate a violência e os abusos de poder, sobretudo contra os mais pobres.

Marielle vive em cada um/a que continua sua batalha. Em cada um/a que hoje estará nas ruas perguntando: quem mandou matar o Brasil?

Por Táscia Souza

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