Novo presidente diz que Fiesp será apolítica e critica Bolsonaro

Tom é o oposto do ex-presidente da Fiesp, Paulo Skaf, que apoiou o impeachment de Dilma e era próximo de Temer e Bolsonaro

O novo presidente da Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp), Josué Gomes, prometeu uma mudança significativa na maneira como a entidade se envolvia com política. Em conversa na manhã desta quinta-feira com jornalistas, em São Paulo, Gomes, que é filho de José Alencar (1931-2011), vice-presidente de Lula por dois mandatos, criticou Jair Bolsonaro pelos ataques às instituições e às vacinas. Defendeu ainda que a Fiesp seja “apolítica”.

“Ela não pode ter partido, preferência. Entidade é apolítica, o partido dela é a industria e o Brasil. Pode parecer platitude, mas é assim que vou tentar me comportar: sem partido, sem preferência”, disse.
A atitude é diametralmente oposta à do ex-presidente da Fiesp Paulo Skaf, que envolveu a entidade no jogo político em diversos momentos. Além de ele mesmo ter sido candidato ao governo de São Paulo em todas as eleições desde 2010, Skaf é próximo do ex-presidente Michel Temer e do atual presidente, Jair Bolsonaro. “A Fiesp não vai assumir posição mais típica de partido político”, concluiu Gomes.

Skaf também se envolveu diretamente com a campanha pelo impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff. Sobre iniciativas como essa, Gomes afirmou que, “se a Fiesp tiver que gastar recursos para fazer campanha, ela será para conscientizar a população que a educação é a prioridade número 1, número 2 e número 3 para o país”.

Apesar do alto posto do pai, Gomes negou proximidade com Lula, que lidera as pesquisas de intenção de voto para presidente.

“As vezes em que fui ao governo foi como líder classista. Recusei participação em conselhos para não confundir as coisas. Meu pai tratava de política, eu cuidava das empresas. Nunca houve convivência [com Lula] porque eu não ia para lá”, disse.

O novo presidente da Fiesp também tratou das eleições neste ano. Para ele, “o Brasil não precisa temer quem ganhar a eleição”. “Não existe risco para o país com eleição de candidato A ou B”. “Temos que confiar no povo brasileiro, na urna eletrônica e no TSE”, acrescentou.

A defesa das urnas seguiu tom oposto do que gostariam os bolsonaristas, que voltaram à carga na estratégia de desacreditar o sistema eleitoral. “O que os livros de história vão registar [sobre o governo Bolsonaro]? Talvez a nota histórica seja de um governo que produziu muitos ataques às instituições.

Ataques às vacinas, ao TSE, às urnas eletrônicas, à imprensa. Se ele ganhar de novo, terá a oportunidade de mudar essa nota histórica. Torço para que ele faça diferente [se for reeleito]”, opinou.

Metrópoles

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