País tem segunda jornada de carreatas e bicicletadas pelo impeachment de Bolsonaro

Ato cobrou também retomada do auxílio emergencial e urgência para campanha de vacinação em massa contra covid-19

São Paulo – Manifestantes saíram às ruas novamente neste domingo (31) para reforçar o coro pelo pedido de impeachment de Jair Bolsonaro (sem partido). A exemplo da primeira edição dos atos, no sábado passado (23), os protestos foram realizados por meio de carreatas e bicicletadas, de modo a respeitar as medidas sanitárias contra a propagação do coronavírus. O país chegou ontem a mais de 9,2 milhões de contágios e 224 mil mortes. Segundo a Frente Brasil Popular e Povo Sem Medo, que integram a organização, cerca de 26 cidades em todo o país realizaram mobilizações ao longo do dia, sendo 17 capitais: Belém, Porto Velho, Maceió, Salvador, Fortaleza, São Luís, João Pessoa, Teresina, Natal, Aracaju, Campo Grande, Brasília, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, São Paulo, Curitiba e Porto Alegre. As informações são do Brasil de Fato.

Em São Paulo, a concentração foi no Estádio do Pacaembu e reuniu milhares de carros e bicicletas que percorreram as ruas da cidade ao longo da tarde. O final da manifestação ocorreu no vão do Museu de Arte de São Paulo (Masp), onde manifestantes afirmam que foram abordados de forma violenta pela polícia.

“A polícia foi extremamente arbitrária, revistou todo mundo desde o metrô de uma forma bem agressiva. Abriu minha câmera, tirou a lente, abriu meu cigarro. Foi bem assustador porque estava todo mundo subindo tranquilo para a manifestação”, relata Pamela Santos, fotógrafa, que acompanhou a manifestação. Ela conta também que, apesar de pacífico, o ato foi alvo de ataques de apoiadores do governo Bolsonaro, que jogaram ovos contra os manifestantes. “A manifestação estava tranquila, mas aí teve uma chuva de ovos. Uma mana preta se machucou. Foi muito complicado, bem pesado”, conta Pamela (ouça aqui seu depoimento). Após essa situação, o ato se dispersou por volta das 17h.

Os protestos deste domingo (31) contaram também com reforço internacional, com a realização da 4ª edição do Stop Bolsonaro Mundial, com a participação de mais de 20 países, de acordo com o movimento. A ação denuncia o genocídio causado pela negação e descaso sanitário do governo federal frente à pandemia. Também foram lembrados os crimes ambientais praticados em série pelo governo brasileiro, como a devastação dos biomas Amazônia e Pantanal.

Além de carreata e buzinaço pedindo o impeachment do presidente, em Brasília, dentro da atividade brasileira do Stop Bolsonaro, um grupo realizou uma performance artística na Praça dos Três Poderes. Com jalecos e sacos plásticos cobrindo as cabeças, a apresentação fez referência às vítimas de covid-19 que morreram em Manaus devido à falta de oxigênio nos hospitais.

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