Privatista e defensora de escolas cívico-militares são nomeadas para o CNE

Contee seguirá atuante na batalha em defesa da educação pública, gratuita, democrática, laica e de qualidade socialmente referenciada, bem como da regulamentação do ensino privado e contra a mercantilização da educação

Jair Bolsonaro (PL) está nos últimos suspiros na Presidência da República, mas nem por isso sua gestão deixa de desferir ataques à educação. Nem de colocar obstáculos para a atuação do próximo governo no setor.

A mais recente foi a nomeação, publicada na última segunda-feira (7) no Diário Oficial da União, dos integrantes das câmaras de Educação Básica e de Ensino Superior do CNE (Conselho Nacional de Educação), cujo mandato é de quatro anos. Ou seja, representantes cuja atuação no CNE atravessará todo o governo do recém-eleito presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Sem nem sequer uma análise mais profunda, dois nomes já chamam a atenção. Na Câmara de Educação Básica, o de Ilona Becskehazy, que chegou a ocupar a Secretaria de Educação Básica do MEC (Ministério da Educação) durante o governo Bolsonaro e é defensora da implantação de escolas cívico-militares.

O segundo nome, na Câmara de Educação Superior, é o de Elizabeth Guedes, dirigente da Anup (Associação Nacional de Universidades Particulares) e irmã do atual ministro da Economia, Paulo Guedes. Em outras palavras, designação fortemente privatista e alinhada com a proposta nefasta, encampada por esse governo, de total desregulamentação do ensino superior privado no Brasil.

Só essas duas indicações demonstram que a luta não acaba com o fim das eleições. Durante toda a campanha, a Contee enfatizou seu apoio à chapa encabeçada por Lula como único caminho possível para salvaguardar a educação. Passado o pleito, porém, a Confederação seguirá atuante como sempre esteve na batalha de décadas em defesa da educação pública, gratuita, democrática, laica e de qualidade socialmente referenciada, bem como da regulamentação do ensino privado e contra a mercantilização da educação.

Táscia Souza

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