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Quinta, 26 Novembro 2015 17:51

Sindicalismo e política em (re)construção

Por Madalena Guasco Peixoto

 

 

77 LULA JOSE ALENCAR RAMPA FHC 620x406 Roberto Stucker PRNão é de hoje que o movimento sindical brasileiro se constitui como um dos principais atores políticos do país. Na verdade, isso remonta ao fim do século XIX e início do século XX. Naquele momento, a organização dos operários no Brasil estava muito relacionada ao atendimento de demandas trabalhistas mais imediatas – papel que, obviamente, as entidades sindicais ainda exercem, mas agora atrelado a outros – e teve seu pontapé em função da participação de imigrantes europeus, fortemente influenciados por princípios comunistas e anarquistas que já haviam se disseminado no Velho Continente.


No entanto, o protagonismo político do sindicalismo brasileiro deixou de ser restrito à esfera participativa da sociedade civil para angariar espaço também na esfera eletiva. É indiscutível que muitos sindicalistas e dirigentes assumiram, ao longo da história, essa dupla responsabilidade: a de continuar representando os trabalhadores em suas bases e, ao mesmo tempo, transcender essa representação para o trabalho legislativo, elegendo-se vereadores e deputados. E também orientando que a categoria escolha candidatos que, mesmo não oriundos do movimento sindical, tragam consigo um comprometimento com as reivindicações e demandas de determinada categoria e/ou de toda a classe trabalhadora. Daí a relação tão intrínseca entre sindicatos e partidos políticos, sobretudo aqueles de postura progressista em defesa dos trabalhadores.


Todavia, esse simbolismo da relação entre a atuação sindical e a política eletiva atingiu mesmo seu ápice em 2002, com a eleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Representantes do movimento sindical conquistavam, então, não apenas cadeiras no Parlamento, como já acontecera diversas vezes, mas o posto mais alto do Poder Executivo da nação. Pela primeira vez, o Brasil tinha um presidente-operário, não nascido em berço esplêndido, mas formado no chão da fábrica.


Às vésperas do processo eleitoral de 2014 – 12 anos após a vitória de Lula nas urnas –, o Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap) publicou o artigo “O sindicalismo deve participar do processo eleitoral?”. Nele, o jornalista Antônio Augusto Queiroz, analista político e diretor de Documentação do Diap, reitera que “as entidades sindicais, que são instituições eminentemente políticas e de formação social, têm que participar do processo eleitoral sim”. “Elas, embora devam priorizar o atendimento das demandas, pleitos e reivindicações de seus associados, devem atuar em favor de políticas públicas e do processo democrático, que vão além da luta meramente corporativa no local de trabalho.”


Mas como se dá, de fato, a relação entre o movimento sindical e a política eletiva? E que papel as entidades sindicais costumam desempenhar nas eleições, buscando pautar o debate eleitoral e inserir nele suas reivindicações?


Passado um ano das manifestações dos meses de junho e julho de 2013, a campanha eleitoral que se iniciou neste mês lida com um aspecto novo e ainda se tenta entender a nova configuração política no país. De um lado, o movimento espontâneo de junho (quando não espontaneísta), com sua rejeição a bandeiras partidárias e, muitas vezes, até sindicais. De outro, a articulação das centrais em julho, numa reafirmação das pautas trabalhistas e do espaço das ruas, o qual sempre ocuparam, mas que lhes foi negado por muitos no mês anterior.
“Acho que o dado novo com o qual lidamos, e que ainda não foi suficientemente pensado, é o declínio do protagonismo tanto das organizações sindicais quanto dos mediadores tradicionais... partidos, por exemplo. Os episódios que observamos recentemente na greve do setor de transportes em São Paulo manifestam isso. A greve dos garis no Rio de Janeiro também...”, considera o cientista político Diogo Tourino de Sousa, da Universidade Federal de Viçosa (UFV), em Minas Gerais. “Malgrado a direção do sindicato iniciar um processo de negociação com o governo, a base da categoria se ‘descola’ das suas lideranças, municiada por novos mecanismos de comunicação e organização, como a internet e suas famosas redes sociais, coordenando movimentos que negligenciam a direção sindical”.

 

A Contee deve elaborar um documento, a ser encaminhado aos candidatos, com a reafirmação de suas principais bandeiras, defendendo sua pauta trabalhista e educacional

 

Madalena Guasco

 3 Sindical Madalena Guasco Credito Arquivo


Conforme Tourino, ainda não se sabe aonde vai dar esse novo dado, que não deixa de ser preocupante. “De certa forma, está conectado ao que vimos nas jornadas de junho do ano passado, que mais do que a legítima bandeira inicial do transporte público, que depois se converteu num tolo e infértil ‘não vai ter Copa’, traduzia a falência de alguns mediadores tradicionais da política: movimentos sociais organizados, partidos políticos, sindicatos... Isso é problemático e precisa ser pensado, ou apenas manifesta uma metamorfose na forma como a política entra na vida das pessoas que se tornará mais comum em breve.” Diante da incógnita, o cientista político pondera que “tanto a política eletiva quanto os sindicatos parecem estar menos permeáveis aos novos tempos, incapazes de entender o que acontece na sociedade civil... isso atesta o suposto ‘descolamento’.” Ainda assim, segundo ele, “é difícil pensarmos a política sem partidos, sem sindicatos etc.”


Nesse sentido, apesar do quadro nebuloso descrito pelo cientista político, tanto as organizações partidárias quanto as sindicais são imprescindíveis para a democracia. E, diante desse novo cenário que se desenha, mais do que nunca é essencial que as entidades sindicais se engajem, sim, no processo eleitoral. Como ressalta o diretor de documentação do Diap em seu artigo, o movimento sindical “não pode nem deve se omitir desse debate, sob pena de negligenciar a defesa dos interesses dos assalariados – trabalhadores do setor privado, servidores públicos e aposentados e pensionistas – e dos direitos trabalhistas, sindicais e previdenciários da classe trabalhadora, entre outros”.


“Aliás, uma das missões da organização sindical é exatamente a politização – de forma constante e sempre visando à consciência política – da classe trabalhadora. Deve, todavia, ter o cuidado de não partidarizar o movimento, porque, além de dividir os trabalhadores, a entidade sindical que age orientada exclusivamente por partido político pode perder sua capacidade classista na ação sindical e até afugentar os trabalhadores da entidade.”

 

“É difícil pensarmos a política sem partidos, sem sindicatos”

 

Diogo Tourino de Sousa, cientista político da UFV

3 Sindical Diogo Tourino Credito Opiniao em Pauta


Legislativo e Executivo

 

Se a eleição presidencial é de fundamental importância para que se tenha um governo comprometido com a pauta dos trabalhadores – e a vitória de Lula, em 2002, simbolizou a chegada da classe trabalhadora a outro patamar de representatividade –, é essencial a atenção também à disputa legislativa, uma vez que é no âmbito desse poder que se dá a apresentação, o debate e a aprovação de propostas que contemplem as reivindicações da categoria.


Uma lição reforçada pela tramitação e votação do Plano Nacional de Educação no Congresso Nacional foi a de que o corpo-a-corpo juntos aos deputados e senadores é primordial. E isso se dá tanto com a presença constante em Brasília quanto – e sobretudo – com o contato direto das entidades e dos representantes da categoria com os parlamentares em seus respectivos estados, mostrando o engajamento das bases e o acompanhamento minucioso, feito pelo eleitorado, de sua atuação legislativa.


Essa estratégia vale para a tramitação de todas as matérias de interesse dos trabalhadores e trabalhadoras e da educação e só é possível a partir da efetiva participação na eleição de parlamentares comprometidos com a luta da classe trabalhadora (no caso da Contee e suas entidades filiadas, não apenas em relação às questões trabalhistas e sindicais, mas também educacionais). Além disso, após o pleito, é primordial acompanhar as votações e posicionamentos dos parlamentares, mantendo a base em constante vigília sobre a atuação dos legisladores que de fato representam os interesses da categoria. Isso é primordial para romper a lógica imperante em casas legislativas contaminadas por interesses econômicos de elites empresariais, como a Câmara, ou de raízes ainda profundamente oligárquicas, como o Senado.


Já em relação ao Executivo, conforme aprovado pela Diretoria Plena da Contee ainda em abril, a Confederação deve elaborar um documento, a ser encaminhado aos candidatos, com a reafirmação de suas principais bandeiras, defendendo sua pauta trabalhista e educacional, com vistas a um desenvolvimento econômico, democrático e social com valorização do trabalho, emprego, geração de renda e a defesa dos direitos da classe trabalhadora, com a participação da sociedade no controle das diversas esferas econômicas e sociais.

 

*Madalena Guasco Peixoto é coordenadora-geral da Contee

Publicado em SINDICAL

13 Curtas da Contee Seminario de sustentacao financeira ZambonA Contee promoveu entre os dias 13 e 15 de junho, juntamente com o Seminário de Campanha Salarial, o Seminário de Sustentação Financeira. O encontro teve como finalidade avaliar as etapas regionais realizadas anteriormente e contribuir para a melhoria da organização política, administrativa e financeira das entidades filiadas. Como destacado na cartilha entregue aos participantes, a Secretaria de Finanças da Contee pensa que, quanto mais preparada, estruturada e atualizada estiver a entidade sindical, mais fortalecida estará para combater tanto o capitalismo severo como as mudanças políticas sindicais.


Conforme foi demonstrado pelo coordenador da Secretaria de Finanças da Contee, Fábio Eduardo Zambon, os seminários regionais apresentaram resultado, uma vez que a arrecadação da Confederação já teve um acréscimo de cerca de 30%. O gerente administrativo do Sinpro-SP, Antonio Carlos Barboza, apresentou todos os procedimentos de forma didática e com muita tranquilidade, utilizando exercícios com exemplos e sanando as dúvidas dos participantes, que acompanhavam atentamente a explanação e a cartilha elaborada pela Secretaria de Finanças.


Outra questão destacada como prioridade por Zambon foi a importância de se ampliar a sindicalização, essencial para o fortalecimento, tanto econômico quanto político, das entidades. A proposta inicial da campanha de sindicalização foi apresentada pelo diretor, enquanto a coordenadora da Secretaria de Comunicação Social, Cristina de Castro, ressaltou a importância de esta ser de fato uma construção que atenda às diferentes necessidades regionais

Publicado em CURTAS DA CONTEE

“Sempre gostei da área de biologia e essa minha formação me levou ao movimento ambientalista numa época em que esse tema não era tão debatido como hoje”

 

Gilson Reis

 

Bem antes de ser eleito vereador de Belo Horizonte em 2012 com 7.010 votos, o presidente do Sinpro Minas e diretor da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), Gilson Reis, começou sua militância política em defesa do meio ambiente. Com formação em Ciências Biológicas pelo Instituo Metodista Izabela Hendrix, ainda estudante se engajou nas causas ambientalistas pela preservação dos recursos e paisagens naturais existentes em sua terra natal, Belo Horizonte, onde nasceu em 16 de agosto de 1963.


Nessa luta, atuou na construção da Área de Preservação Ambiental do Morro da Pedreira, na formação do Parque Nacional da Serra do Cipó e na preservação do Lago do Nado, onde, após uma mobilização vitoriosa da comunidade para impedir a transformação do espaço verde, calculado em 300 mil metros quadrados, em área habitacional, foi implantado, em 1992, o Centro Cultural Lagoa do Nado (CCLN).
Nesse período, em que frequentava o curso de biologia, também se envolveu com o movimento estudantil, tendo ajudado a fundar e presidido por dois mandatos o diretório acadêmico da faculdade. Em seguida, foi candidato à Presidência da União Estadual dos Estudantes (UEE) de Minas Gerais e dirigente da União Nacional dos Estudantes (UNE).


“Sempre gostei da área de biologia e essa minha formação me levou ao movimento ambientalista numa época em que esse tema não era tão debatido como hoje”, conta. Mas a formação – incentivada pelo pai motorista de ônibus e a mãe dona de casa, que sempre disseram a ele e a seus noves irmãos que a educação era a única forma de melhorar sua condição de vida – também o conduziu ao magistério. E a luta estudantil ao movimento sindical.


“Em 1991 eu dava aula em três escolas e houve uma greve grande em Belo Horizonte, da qual participamos. Por causa disso fui demitido de duas das três escolas”, recorda. Daí foi apenas um passo para ingressar na diretoria do Sinpro Minas, no ano seguinte. No mesmo ano, tornou-se vice-presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT) em Minas.


Do fim da década de 1980 até agora, Gilson destaca diversas lutas, entre as quais a própria Constituinte, o impeachment do ex-presidente Fernando Collor de Mello, o combate às privatizações durante o governo Fernando Henrique Cardoso e que culminou na Marcha dos 100 Mil a Brasília em 1999. Foi a maior manifestação contra a administração FHC, em protesto contra o modelo neoliberal e contra a corrupção no governo federal, numa época em que a base governista preferia arquivar a investigar as denúncias por meio de comissões parlamentares de inquéritos (CPIs). “Nós levamos 550 ônibus de Belo Horizonte até Brasília, mais de 20 mil trabalhadores”, ressalta o sindicalista.


Na CUT, Gilson ficou de 1992 a 2000 na direção estadual e, depois, de 2001 a 2006 na nacional, de onde saiu para participar da criação da CTB. “Na luta sindical tive a oportunidade de viajar para vários países e conhecer a realidade dos trabalhadores e das comunidades em outros locais”, destaca ele, que chegou inclusive a passar 15 dias no Iraque, como “escudo humano”, na tentativa de impedir a invasão americana. “Em todo o mundo, a melhoria da sociedade precisa passar necessariamente pela valorização do trabalho.”


A primeira tentativa de ingresso na política institucional foi em 2010, quando, na disputa para deputado estadual, conquistou mais de 18 mil votos, ficando na suplência do PCdoB, partido no qual milita há 25 anos. “A luta institucional é também uma das dimensões da luta política”, considera o vereador, que em seu mandato na Câmara Municipal belo-horizontina tem defendido propostas para as áreas de educação, trabalho e cultura. Entre seus principais projetos destaca o passe livre, o desconto em ingressos para atividades culturais aos trabalhadores da educação do município, a aplicação dos royalties do petróleo em Belo Horizonte no ensino municipal, a regulamentação da Convenção 151 da Organização Internacional do Trabalho (OIT) no âmbito do município, a fim de garantir o direito à negociação coletiva aos servidores municipais. “A educação precisa de muito mais que representação sindical. É necessário que tenha uma participação política.”

 

RAIO X   
   

Nome: Gilson Luiz Reis

 

Data de nascimento:
16 de agosto de 1963

 

Cidade natal:
Belo Horizonte/MG

 

Estado civil:

união estável com a advogada Sílvia Raquel Castelo Branco

 

Enteada:

Isa

 

Profissão:

professor de biologia

 

Formação:

graduação em Ciências Biológicas pelos Instituo Metodista Izabela Hendrix, em Belo Horizonte, e pós-graduação em Economia do Trabalho pela Unicamp

 

Filiação partidária:

PCdoB

 

Cargos públicos:

ex-dirigente da UNE e da CUT estadual e nacional, dirigente da CTB estadual e nacional, presidente do Sinpro Minas, membro da diretoria da Contee e vereador de Belo Horizonte

 

Principais projetos:

passe livre, desconto em ingressos para atividades culturais aos trabalhadores da educação do município, aplicação dos royalties do petróleo em Belo Horizonte no ensino municipal, regulamentação da Convenção 151 da OIT no âmbito do município

raio x
Publicado em PERFIL

13 Curtas da Contee Reuniao do Coletivo Juridico da Contee realizada em junho Foto para a ultima materia dessa secaoA Contee ajuizou duas arguições de descumprimento de preceito fundamental (ADPF) junto ao Supremo Tribunal Federal (STF) questionando a intervenção da Justiça do Trabalho na organização sindical. Conforme os advogados Adailton da Rocha Teixeira e José Geraldo de Santana Oliveira, “o artigo oitavo da Constituição da República assegura a liberdade de organização sindical, vedando qualquer interferência ou intervenção do Poder Público”. A única ressalva, segundo eles, é a do registro no órgão competente, que o STF definiu como sendo o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE).


Além disso, os advogados ressaltam que o inciso IV desse mesmo artigo determina que “a contribuição da categoria aos seus respectivos sindicatos, federação e confederação – que constituem o sistema confederativo – seja fixada por assembleia geral e descontada em folha de pagamento”, ao passo que “o inciso VIII, por sua vez, garante a estabilidade provisória, aos dirigentes e representantes sindicais, desde o registro da candidatura, até um ano após o final do mandato”.


No entanto, na contramão dos fundamentos e garantias constitucionais, a Justiça do Trabalho vem intervindo de forma direta e contundente na organização sindical. Em primeiro lugar, como destaca Santana, por meio da Súmula 369, que limitou a estabilidade dos dirigentes sindicais a sete membros efetivos e sete suplentes, não importando a base territorial da entidade nem a categoria representada. Isso cria situações totalmente díspares e flagrantemente absurdas e injustas. “A título de ilustração, basta dizer que o número de dirigentes sindicais de uma categoria que conta com 40 mil trabalhadores na base, como o são muitos dos filiados à Contee, é o mesmo de uma com cem”, criticam os advogados.


“No que tange ao financiamento das entidades, a posição da Justiça do Trabalho é, igualmente, desarrazoada e desproporcional, pois, por meio do Precedente Normativo 119, proíbe qualquer desconto de trabalhadores não associados, com exceção da contribuição sindical compulsória, descontada no mês de março de cada ano. Esse Precedente, além de dificultar a sustentação das entidades sindicais, cria uma situação esdrúxula, para dizer o mínimo, haja vista todos se beneficiarem das conquistas da entidade. Porém, somente os associados pagam contribuições. Isto rasga o princípio constitucional da isonomia e representa um colossal incentivo à não sindicalização, pois quem o faz paga por isso. Já quem não se associa, conta com os direitos e nenhuma obrigação.”


As ADPFs ajuizadas pelos dois advogados em nome da Contee receberam os números 276 e 277, sendo distribuídas aos ministros Dias Toffoli e Ricardo Lewandowski. A finalidade da Confederação é afastar essa indevida intervenção do Poder Público na organização sindical e corrigir as distinções e injustiças, de modo a garantir estabilidade para todos os dirigentes e o financiamento das entidades por todos os integrantes da categoria.

 

Protagonismo

 

A coordenadora-geral da Contee, Madalena Guasco Peixoto, aponta que os questionamentos jurídicos são fruto de uma decisão da diretoria de provocar politicamente o debate sobre os temas, com o objetivo de pôr fim ao ataque feito aos sindicalistas.


O setor jurídico da Contee também preparou outra ADPF, dessa vez solicitando a declaração de inconstitucionalidade dos artigos 20, 20-A e 20-B da Lei 12.513/2011, que instituiu o Pronatec. Conforme Santana, consultor jurídico da Confederação, os artigos dão às instituições privadas e ao Sistema S uma autonomia que nem sequer as universidades possuem em relação ao credenciamento e reconhecimento dos cursos.

Publicado em CURTAS DA CONTEE

13 Curtas da Contee Seminario de sustentacao financeira ZambonA Contee promoveu entre os dias 13 e 15 de junho, juntamente com o Seminário de Campanha Salarial, o Seminário de Sustentação Financeira. O encontro teve como finalidade avaliar as etapas regionais realizadas anteriormente e contribuir para a melhoria da organização política, administrativa e financeira das entidades filiadas. Como destacado na cartilha entregue aos participantes, a Secretaria de Finanças da Contee pensa que, quanto mais preparada, estruturada e atualizada estiver a entidade sindical, mais fortalecida estará para combater tanto o capitalismo severo como as mudanças políticas sindicais.


Conforme foi demonstrado pelo coordenador da Secretaria de Finanças da Contee, Fábio Eduardo Zambon, os seminários regionais apresentaram resultado, uma vez que a arrecadação da Confederação já teve um acréscimo de cerca de 30%. O gerente administrativo do Sinpro-SP, Antonio Carlos Barboza, apresentou todos os procedimentos de forma didática e com muita tranquilidade, utilizando exercícios com exemplos e sanando as dúvidas dos participantes, que acompanhavam atentamente a explanação e a cartilha elaborada pela Secretaria de Finanças.


Outra questão destacada como prioridade por Zambon foi a importância de se ampliar a sindicalização, essencial para o fortalecimento, tanto econômico quanto político, das entidades. A proposta inicial da campanha de sindicalização foi apresentada pelo diretor, enquanto a coordenadora da Secretaria de Comunicação Social, Cristina de Castro, ressaltou a importância de esta ser de fato uma construção que atenda às diferentes necessidades regionais

Publicado em CURTAS DA CONTEE

“Sempre gostei da área de biologia e essa minha formação me levou ao movimento ambientalista numa época em que esse tema não era tão debatido como hoje”

 

Gilson Reis

 

Bem antes de ser eleito vereador de Belo Horizonte em 2012 com 7.010 votos, o presidente do Sinpro Minas e diretor da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), Gilson Reis, começou sua militância política em defesa do meio ambiente. Com formação em Ciências Biológicas pelo Instituo Metodista Izabela Hendrix, ainda estudante se engajou nas causas ambientalistas pela preservação dos recursos e paisagens naturais existentes em sua terra natal, Belo Horizonte, onde nasceu em 16 de agosto de 1963.


Nessa luta, atuou na construção da Área de Preservação Ambiental do Morro da Pedreira, na formação do Parque Nacional da Serra do Cipó e na preservação do Lago do Nado, onde, após uma mobilização vitoriosa da comunidade para impedir a transformação do espaço verde, calculado em 300 mil metros quadrados, em área habitacional, foi implantado, em 1992, o Centro Cultural Lagoa do Nado (CCLN).
Nesse período, em que frequentava o curso de biologia, também se envolveu com o movimento estudantil, tendo ajudado a fundar e presidido por dois mandatos o diretório acadêmico da faculdade. Em seguida, foi candidato à Presidência da União Estadual dos Estudantes (UEE) de Minas Gerais e dirigente da União Nacional dos Estudantes (UNE).


“Sempre gostei da área de biologia e essa minha formação me levou ao movimento ambientalista numa época em que esse tema não era tão debatido como hoje”, conta. Mas a formação – incentivada pelo pai motorista de ônibus e a mãe dona de casa, que sempre disseram a ele e a seus noves irmãos que a educação era a única forma de melhorar sua condição de vida – também o conduziu ao magistério. E a luta estudantil ao movimento sindical.


“Em 1991 eu dava aula em três escolas e houve uma greve grande em Belo Horizonte, da qual participamos. Por causa disso fui demitido de duas das três escolas”, recorda. Daí foi apenas um passo para ingressar na diretoria do Sinpro Minas, no ano seguinte. No mesmo ano, tornou-se vice-presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT) em Minas.


Do fim da década de 1980 até agora, Gilson destaca diversas lutas, entre as quais a própria Constituinte, o impeachment do ex-presidente Fernando Collor de Mello, o combate às privatizações durante o governo Fernando Henrique Cardoso e que culminou na Marcha dos 100 Mil a Brasília em 1999. Foi a maior manifestação contra a administração FHC, em protesto contra o modelo neoliberal e contra a corrupção no governo federal, numa época em que a base governista preferia arquivar a investigar as denúncias por meio de comissões parlamentares de inquéritos (CPIs). “Nós levamos 550 ônibus de Belo Horizonte até Brasília, mais de 20 mil trabalhadores”, ressalta o sindicalista.


Na CUT, Gilson ficou de 1992 a 2000 na direção estadual e, depois, de 2001 a 2006 na nacional, de onde saiu para participar da criação da CTB. “Na luta sindical tive a oportunidade de viajar para vários países e conhecer a realidade dos trabalhadores e das comunidades em outros locais”, destaca ele, que chegou inclusive a passar 15 dias no Iraque, como “escudo humano”, na tentativa de impedir a invasão americana. “Em todo o mundo, a melhoria da sociedade precisa passar necessariamente pela valorização do trabalho.”


A primeira tentativa de ingresso na política institucional foi em 2010, quando, na disputa para deputado estadual, conquistou mais de 18 mil votos, ficando na suplência do PCdoB, partido no qual milita há 25 anos. “A luta institucional é também uma das dimensões da luta política”, considera o vereador, que em seu mandato na Câmara Municipal belo-horizontina tem defendido propostas para as áreas de educação, trabalho e cultura. Entre seus principais projetos destaca o passe livre, o desconto em ingressos para atividades culturais aos trabalhadores da educação do município, a aplicação dos royalties do petróleo em Belo Horizonte no ensino municipal, a regulamentação da Convenção 151 da Organização Internacional do Trabalho (OIT) no âmbito do município, a fim de garantir o direito à negociação coletiva aos servidores municipais. “A educação precisa de muito mais que representação sindical. É necessário que tenha uma participação política.”

 

RAIO X   
   

Nome: Gilson Luiz Reis

 

Data de nascimento:
16 de agosto de 1963

 

Cidade natal:
Belo Horizonte/MG

 

Estado civil:

união estável com a advogada Sílvia Raquel Castelo Branco

 

Enteada:

Isa

 

Profissão:

professor de biologia

 

Formação:

graduação em Ciências Biológicas pelos Instituo Metodista Izabela Hendrix, em Belo Horizonte, e pós-graduação em Economia do Trabalho pela Unicamp

 

Filiação partidária:

PCdoB

 

Cargos públicos:

ex-dirigente da UNE e da CUT estadual e nacional, dirigente da CTB estadual e nacional, presidente do Sinpro Minas, membro da diretoria da Contee e vereador de Belo Horizonte

 

Principais projetos:

passe livre, desconto em ingressos para atividades culturais aos trabalhadores da educação do município, aplicação dos royalties do petróleo em Belo Horizonte no ensino municipal, regulamentação da Convenção 151 da OIT no âmbito do município

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