Sinpro Minas: Sem diálogo, prefeitura de BH autoriza volta às aulas presenciais

Em coletiva à imprensa na tarde de segunda-feira, 19/04, o prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil e o secretário municipal de Planejamento e Orçamento, André Reis, anunciaram a retomada das aulas presenciais nas escolas infantis da capital mineira, tanto para escolas públicas como privadas.

O retorno das aulas presenciais será a partir do dia 26/04, para crianças com idade entre zero e 5 anos e 8 meses que, segundo a secretária municipal de Educação, Ângela Dalben, deverão ficar agrupadas como em “bolhas”, tentando evitar o contato entre elas e também com outras da escola. Porém, nem ela, nem o prefeito e nenhum dos seus secretários conseguiu explicar como será feita esta arte de conseguir que uma criança menor de 6 anos fique parada no seu canto, respeitando o distanciamento de dois metros, seja em sala de aula ou no intervalo do recreio. A secretária Ângela Dalben disse que para este retorno será necessário o envolvimento de toda a comunidade escolar, mas também não explicou de que forma. E assusta a todos nós saber que eles, conforme anunciado na coletiva, estão se baseando ainda no protocolo de segurança de 2020, anterior ao surgimento de variantes do novo coronavírus.

Para a presidenta do Sinpro Minas, Valéria Morato, a Prefeitura sucumbiu à pressão dos donos de escola. “Nós, como representantes dos professores/as não fomos ouvidos, não participamos deste debate de construção de saídas. Isso demonstra um descaso com a preocupação de cada um de nós em proteger a vida dos/as professores/as e toda a comunidade escolar. Queremos e precisamos ser ouvidos/as antes de decisões tão importantes como esta, não depois.

O Sinpro Minas enviou, em janeiro, um ofício para a Prefeitura se colocando à disposição para a discussão de um protocolo de segurança, para quando fosse possível o retorno às aulas presenciais. Porém, a Prefeitura até hoje não retornou. No ofício, o Sinpro pede também que a categoria seja incluída nas lista de prioritários para a imunização”, diz Valéria.

Na coletiva, o secretário municipal de Saúde, Jackson Machado, em resposta aos jornalistas sobre a importância de se vacinar os/as professores/as, disse que esta possibilidade não foi levada em conta, pois Belo Horizonte não vai “furar a fila” do Ministério da Saúde e vai seguir o Plano Nacional de Imunização (PNI). O secretário disse ainda que a medida de retomada gradativa das aulas está sendo possível agora porque os números atuais demonstram redução. Pelos dados divulgados, a taxa de ocupação das UTIs (Unidades de Tratamento Intensivo) para covid-19 passou de 86,9% para 81,1%. O RT, que mede o ritmo de transmissão do vírus, se manteve abaixo de 1,0 (0,90). Já a ocupação das enfermarias recuou de 63,5% para 58,9%. Segundo o secretário municipal de Saúde, isso demonstra uma tendência de queda dos riscos e, portanto, um momento oportuno. Ele destacou que “apenas” 36 pessoas aguardam vagas em UTI e que em termos de sepultamento os números caíram de 77 para 27 por dia no município. Porém, conforme desabafam professores nas redes sociais, estes números ainda são assustadores e não garantem que a escola estará livre de ser um local de transmissão do novo coronavírus. “Em 22 de outubro, quando a taxa de incidência era de 49 por 100 mil habitantes, BH não tinha nenhuma condição de retorno às aulas presenciais (híbridas), agora, com a taxa 10 vezes maior e sem vacina, milagrosamente isso se tornou possível?” questionou um professor nas redes sociais.

Valéria Morato ressalta que o retorno às aulas presenciais vai aumentar a circulação de milhares de crianças, pais e profissionais da educação, colocando em risco a vida de todos. “O Sinpro vai tomar as medidas cabíveis e necessárias para impedir medidas arbitrárias e irresponsáveis como esta, que colocam em risco a vida de milhares de pessoas”, finaliza.

Do Sinpro Minas

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