Sinpro-Rio: Sindicato realiza o “Ato em defesa da vida” – Quando e como voltar às escolas”

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O Sinpro-Rio promoveu no sábado, dia 26/09, o “Ato em Defesa da Vida – Quando e Como Voltar às Escolas”, com a participação do escritor e teólogo Leonardo Boff, a professora e médica Lúcia Souto, do Cebes – Centro Brasileiro de Estudos de Saúde –, o professor doutor Gaudêncio Frigotto e o cordelista Edmilson Santini.

Mediado e apresentado pelo presidente do Sindicato, Oswaldo Teles, e pelo professor e diretor do Sinpro-Rio, Edmundo Aguiar, o evento contou ainda com as presenças de Vitor Guimarães, da Frente Povo Sem Medo; do professor da rede estadual e diretor de escola pública, José Carlos Madureira; de Dione Lins, da direção do Sepe – Sindicato Estadual dos Profissionais de Educação do Rio de Janeiro – e de Adércia Hostin, da Contee – Confederação Nacional dos Trabalhadores em Estabelecimentos de Ensino.

Na abertura do evento, o presidente do Sinpro-Rio ressaltou que o discurso de quem quer a volta às aulas presenciais é o “discurso do negócio, colocando a educação como mercadoria.” Oswaldo afirmou ainda que “vivemos num momento muito difícil, no qual o governo só trabalha com a mentira. Querem colocar o povo nas ruas para morrer, num momento em que já contamos com mais de 140 mil mortes notificadas no Brasil, número que, infelizmente, deve ser muito maior”.

Para o professor Gaudêncio Frigotto, o importante é que ecoe pelo Brasil um grito pela vida. “Pensar em volta das escolas sem analisar a ciência é apostar na política da morte. São vidas ceifadas, principalmente dos mais pobres. O governo eximiu-se, de forma cínica e insana, promovendo o grito pela morte.”

Frigotto mencionou que, de 2016 para cá, o corte de verbas públicas para a Saúde, Educação e infraestrutura é o responsável pela volta à fome e pelas mortes na pandemia. São medidas que retiram recursos da vida, para financiar os ricos. São políticas que atingem na medula políticas universais pela saúde, educação, infraestrutura.” O professor enalteceu a necessidade de “lutarmos contra as agressões do mito, do deus mercado, que matam. O medo e a violência são as armas dos prepotentes fascistas, para que não lutemos. Temos que perder o medo de fazer política. Os fascistas atacam pelo medo. Não a volta às escolas. Este governo aposta na morte”

A professora e médica Lúcia Souto, representante do Cebes, ressaltou a luta pela saúde como direito universal, saudando as professoras e professores pela greve em defesa da vida. “A única coisa que temos a obrigação de fazer é lutar”. Lúcia enumerou várias lutas que vêm sendo empreendidas por entidades do movimento social, durante a pandemia, comentando que se o governo federal quisesse, não estaríamos com este número absurdo de óbitos. A médica comentou que “no Vietnam, com 100 milhões de habitantes, aconteceram 35 mortes pelo Covid-19 até o momento. Foram ao encontro do vírus e o combateram. O governo federal optou por criar a discórdia e estamos diante desta calamidade, catástrofe sanitária – 140 mil mortes evitáveis.” Sobre as aulas presenciais, ressaltou: “Para minimizar o sofrimento das crianças, pais, responsáveis, professoras e professores, e demais trabalhadores em educação, a opção não é a volta às aulas.”

Já Leonardo Boff que, por um imprevisto, não pode comparecer ao evento ao vivo, enviou um vídeo afirmando ser contra a volta às aulas presenciais: “Nossa grande referência é pela vida. Somos pela vida, contra o envio de crianças às escolas de forma irresponsável. Que continuemos ensinando e aprendendo de forma alternativa. Que cuidemos das vidas e que mantenhamos as escolas fechadas”.

Integrante da Frente Povo Sem Medo, Vítor Guimarães, ressaltou que “um ano se recupera, uma vida, não. Muita gente já morreu, mas evitamos algumas mortes. Os professores estão dando uma aula pela vida de todos.”

O professor José Carlos Madureira lembrou que o carnaval está suspenso, não vai ter bloco e nem desfile na Sapucaí; o reveillon, também não haverá, mas querem a volta às aulas presenciais. O professor lembrou ainda que “dirigentes de futebol que defendem a volta dos jogos e, agora, a volta das torcidas não estão preocupados com a vida de ninguém, e sim com o lucro, como os que defendem a volta à escola. “Colocar milhares de estudantes circulando pela cidade e pelo Estado do Rio teria como consequência a volta à potencialização da contaminação pelo vírus e, consequentemente, aumentaria os óbitos.

Adércia Hostin, dirigente da Contee, afirmou: “Não iremos desistir. A sociedade brasileira atravessa um momento adverso, ignorado pelo governo federal. Governo que deixa em chamas o Pantanal e biomas deste país, e em chamas nossos sonhos. Não somos apenas um número. Volta às aulas presenciais só com o controle total da pandemia. Abaixo todos os decretos de volta às aulas presenciais, que não debateram com a sociedade!”

Por sua vez, Dione Lins, do Sepe, deixou claro que a sua entidade está solidária e junto com o Sinpro-Rio na luta contra a volta às aulas presenciais. “Professoras e professores abriram suas casas, de forma virtual, para darem aulas. Estamos vivendo um momento de exceção. Ouvi da secretária de Educação que temos que nos acostumar com o Covid-19. Não vamos nos acostumar. Escola não é shopping e educação não é mercadoria”.

O evento foi encerrado com a apresentação de um cordel por Edmilson Santini, artista que sempre está ao lado do Sinpro-Rio, irmanando a luta do sindicato com a arte popular.

Do Sinpro-Rio

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