Sinpro/RS: Liberdade de pensamento nas escolas foi tema de debate na Câmara

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Foto: Sinpro/RS

Em um plenário lotado, a Câmara Municipal de Porto Alegre realizou uma audiência pública para debater manifestações político-partidárias nas escolas privadas de Porto Alegre, nesta terça-feira, 6 de novembro. O encontro teve coordenação da vereadora Comandante Nádia (MDB-RS) e foi promovido pelas comissões de Educação, Cultura, Esporte e Juventude (Cece) e de Defesa do Consumidor, Direitos Humanos e Segurança Urbana (Cedecondh) da Câmara e reuniu estudantes, pais, professores, movimentos estudantis e sociais, além de entidades ligadas à educação para discutirem o tema e o projeto Escola Sem Partido.

A sessão iniciou com a fala de pais e representantes, contrários e favoráveis, às manifestações realizadas pelos estudantes durante o intervalo de aula nos dias 29 e 30 de novembro, no colégio Marista Rosário, na capital, e ao Projeto que classifica falas e discussões de temas políticos e sociais em sala de aula como “doutrinação ideológica”. “Nossos filhos têm no Rosário liberdade de serem o que são, pois a escola acolhe a diversidade de opiniões”, afirmou Aline Kerber, representando o grupo de Pais pela Democracia, formados por familiares de alunos do colégio.

Caio Augusto, também pai de alunas do Rosário, manifestou-se contrário ao ato do dia 29. “Isto não está previsto no regimento. Não é permitida manifestação política dentro das dependências da escola”. Outro pai, ainda no plenário da Câmara, acusou uma professora do colégio Romano Santa Marta, de Porto Alegre, de coagir uma colega de sua filha, de 13 anos, por ter assumido que votaria no então candidato, Jair Bolsonaro (PSL). Ao receber manifestações contrárias da plateia, disparou ao microfone “aceitem, vocês estão em extinção”, sentenciou dirigindo-se a um dos lados da plateia.

Uma mãe de aluno transexual, teve sua fala destacada na sessão. “Pais falam aqui que têm medo que seus filhos sejam doutrinados. Eu tenho medo que meu filho, transexual, seja morto na rua, pela falta de uma discussão sobre diversidade na escola”, explicou. Durante sua fala, alguns presentes gritavam frases “ideologia de gênero”, “isso não é papel da escola”, “escola sem partido”.

ENTIDADES – Diversas entidades foram convidadas para a sessão. Russel Terezinha Dutra da Rosa, representante da Frente Gaúcha Escola Sem Mordaça, condenou as falas que culpavam os professores e alertou que projetos como o Escola Sem Partido buscam produzir uma escola sem reflexão crítica sobre a realidade, impedem a formação para a cidadania e a liberdade de expressão. O procurador Mauro Souza, do Ministério Público Estadual (MPE), afirmou que a entidade está a serviço da população na defesa da democracia. O presidente do Sindicato do Ensino Privado do Rio Grande do Sul (Sinepe/RS), Bruno Eizerik, defendeu a pluralidade de pensamentos. “O Sinepe/RS defende a liberdade, jamais apoiaremos uma escola única, de pensamento único”.

Cecília Farias, diretora do Sinpro/RS, representou o Sindicato na Audiência Pública Foto: Sinpro/RS

A diretora do Sindicato dos Professores do Ensino Privado do RS (Sinpro/RS), Cecília Farias, lamentou que os professores sejam as maiores vítimas, após as manifestações dos alunos. “Os professores são os que mais sofrem neste processo, recebemos relatos de profissionais que são agredidos verbalmente por pais em diversas escolas, sem terem qualquer culpa. Como professora e como representante do Sindicato posso afirmar, não temos professores doutrinadores”, explicou.

Participaram ainda da Audiência, associações de pais e mestres das principais escolas privadas e públicas de Porto Alegre, representantes de Sindicatos, estudantes, movimentos sociais e estudantis. Como encaminhamento à reunião, a vereadora Nádia sugeriu que os colégios proporcionem debates políticos qualificados. Para ela, o contraponto de ideias é fundamental, mas defendeu que o debate seja feito a partir da orientação pedagógica e plural da escola.

Do Sinpro/RS

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