Sinpro/RS: Pandemia fora de controle e frio deixam estado em alerta

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Com 46% da população sob alto risco de contaminação por Covid-19 e mais de 70% dos leitos em UTI lotados, doenças de inverno podem acelerar colapso do sistema de saúde

Por Gilson Camargo

Em pronunciamento on-line na manhã desta quinta-feira, 2, o governador Eduardo Leite (PSDB) fez um alerta para que a população respeite os protocolos de isolamento social diante do risco de colapso do sistema de saúde pública devido ao avanço da pandemia de Covid-19 e o aumento das doenças respiratórias de inverno que ameaçam o colapso dos hospitais públicos no estado.

“Estamos entrando no período que pode ser o mais duro no combate à pandemia no RS, a chegada do frio e a sobrecarga que ele provoca no nosso sistema de saúde. Os próximos 15 dias serão cruciais. O apelo não é só meu. É de todos que pensam e que agem com racionalidade. Nos próximos 15 dias, fique em casa, lavem as mãos, use máscara, respeite os protocolos. Faça sua parte, porque especialmente numa pandemia de um vírus que circula sem encontrar barreiras, o governo não governa sozinho”, enfatizou.

“Confiamos nos efeitos de contenção do nosso modelo do distanciamento controlado, mas o modelo só se concretiza a partir do comportamento das pessoas. Sobretudo nas regiões de bandeira vermelha, chegou a hora de mais uma dose de esforço”

O Rio Grande do Sul vem registrando médias diárias acima de mil novos contágios pelo novo coronavírus entre o final de junho e o início de julho, período que coincide com a chegada do frio e a proliferação de doenças respiratórias.

O estado ingressou no último domingo na 27ª semana epidemiológica das doenças respiratórias que sempre ocorrem no inverno e, nesta quinta-feira completa cem dias de estado de calamidade pública pela proliferação da Covid-19. Metade do território gaúcho está classificada com bandeira vermelha, o que equivale a 46% da população com alto risco de contaminação pelo novo coronavírus.

De acordo com a última atualização da Secretaria Estadual da Saúde (SES/RS) ocorreram 1,3 mil contágios em 24 horas, totalizando quase 30 mil casos confirmados e mais de 630 mortes por Covid-19. A taxa de ocupação média de UTI adulto é de 70,7%.

Mesmo o governo, que é apenas um governo, e não tem a dimensão da vida real e concreta da vida de cada um, certamente está sendo atingido pela Covid-19 nos seus propósitos. Todos nós perdemos algo. Não há vitoriosos e não há glória possível em meio a tantas derrotas, diante de tantas decisões amargas, muitas vezes impopulares”

Além da saturação da capacidade hospitalar, muito municípios informaram que estão no limite do estoque de medicamentos para sedação de pacientes graves. A Secretaria de Saúde de Canoasestima que só tem sedativos para entubação para os próximos dez dias. Referência para outros 156 municípios do estado, Canoas recebe pacientes de diversas localidades e a ocupação de leitos é regulada pelo governo do estado. Na quarta-feira, a cidade tinha confirmados 695 casos e 23 óbitos e dos 88 leitos de UTI, entre públicos e privados, 85% estavam ocupados. Os altos índices acenderam um sinal de alerta, uma vez que há duas semanas, quando os números eram quase metade dos registrados atualmente, mais 10 leitos de UTI foram abertos no Hospital de Pronto Socorro de Canoas(HPSC).

ALERTA – Ao destacar a ampliação da capacidade hospitalar de 933 para 1.630 leitos de UTI SUS, a distribuição de respiradores e a transferência de recursos, o governador afirmou que “julho chegou com a pior das notícias. Nós estamos com o sinal de alerta ligado pelo ritmo de ocupação das UTIs. Confiamos nos efeitos de contenção do nosso modelo do distanciamento controlado, mas o modelo só se concretiza a partir do comportamento das pessoas. Sobretudo nas regiões de bandeira vermelha, chegou a hora de mais uma dose de esforço”.

“É impossível não sermos tomados por um sentimento de profunda tristeza diante dessas mortes. Cada perda é uma derrota coletiva”

Na gravação de pouco mais de sete minutos, reconheceu o esforço de empresas, instituições e população, mas lamentou as mais de 600 mortes provocadas pela doença, a paralisação da atividade econômica e do ensino, perda de empregos e frustração de projetos pessoais.

Ressalvou que antes dos esforços para retomar a normalidade é fundamental manter as medidas de distanciamento e lembrou que o Distanciamento Controlado permite “a aplicação de medidas na dose certa, no local certo e no momento certo utilizando bandeiras e protocolos regionais e setorizados”.

“A doença circula da mesma forma por todos os lugares, não escolhe pessoa, não escolhe renda, não escolhe idade, não escolhe atividade. Pressões de setores e de plateias organizadas não vão alterar a lógica das decisões de governo que são tomadas para salvaguardar o interesse comum e coletivo”

Leite, que no dia 30 de junho admitiu a possibilidade de decretar medidas de confinamento total (lock down) caso a pandemia viesse a escapar ao controle, destacou que o governo não vai recuar diante do apelo do setor empresarial por uma reabertura das atividades econômicas nesse momento. “Pressões de setores e de plateias organizadas não vão alterar a lógica das decisões de governo que são tomadas para salvaguardar o interesse comum e coletivo”, avisou.

PESQUISA – Divulgada nesta quinta-feira, a quinta etapa da pesquisa Epicovid-19, realizada pela Universidade Federal de Pelotas(UFPel) para o governo estadual, estima que 53.094 pessoas já possuem anticorpos no estado, o que equivale a 0,47% da população.

Na rodada anterior, no final de maio, as projeções eram de 20.226 pessoas infectadas pelo vírus (0,18% da população).

Dos 4,5 mil testes, 21 tiveram resultado positivo para coronavírus: quatro em Caxias do Sul, três em Uruguaiana, Ijuí, Santa Cruz do Sul e Passo Fundo; dois em Porto Alegre e Canoas, e um em Pelotas. Santa Maria foi a única cidade selecionada pela pesquisa que não teve nenhum resultado positivo.

Os novos dados estimam que haja um infectado a cada 214 gaúchos – na testagem anterior, havia um caso positivo a cada 562 pessoas; na terceira, um a cada 454 pessoas; na segunda, um a cada 769 e na rodada inicial, um a cada 2 mil.

A estimativa é que para cada 1 milhão de habitantes do RS existam 4.667 infectados reais e 2.219 notificações. Para cada caso notificado, portanto, existem cerca de dois casos não notificados.

Do jornal Extra Classe, do Sinpro/RS

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