Tsunami da educação leva 500 mil para a avenida Paulista

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Estudantes, professores e movimentos sociais protestaram contra os cortes anunciados pelo Mec

Nesta quarta-feira (15), a aula na rua foi intensa e superlotada. A matéria, Defesa da Educação, encheu a avenida Paulista de ponta a ponta com 500 mil pessoas, entre estudantes, professores e movimentos sociais. O recente corte no orçamento das universidades e institutos federais anunciado pelo MEC motivou o chamado ‘’tsunami da educação’’ que veio forte e cheio de disposição.

‘’Estudante na rua, Bolsonaro a culpa é sua’’, ou ‘’pega o caderno na mão quem defende a educação foram os gritos ouvidos durante a manifestação que durou a tarde toda e se estendeu até a Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp).

‘’Neste mês de maio completam-se três anos da ocupação dos estudantes pela implementação de uma CPI que pudesse investigar o roubo das merendas. A Alesp se recusava a fazer isso. Contudo, hoje eles implementaram de uma maneira muito fácil uma CPI das universidades estaduais com o intuito de persegui-las e nada mais. Querem acabar com a autonomia e liberdade das instituições com a falsa polêmica de investigar as gestões financeiras. Vamos pra lá para dizer que as estaduais também precisam ser salvas, que faltam investimentos e os estudantes exigem isso’’, falou a presidenta da UEE-SP Nayara Souza.

O diretor da UNE Iago Montalvão, a presidenta Marianna Dias e
Nayara Souza, presidenta da UEE-SP

Para ela, os estudantes foram a primeira categoria da sociedade que conseguiu se levantar de maneira grandiosa contra o atual governo.

‘’Temos uma expectativa muito grande no dia de hoje, os jovens de todo o país estão nas ruas desde muito cedo, e então, se tem alguém capaz de derrotar Bolsonaro são os estudantes’’, avaliou.

Estiveram presentes na manifestação o ex-prefeito da cidade de São Paulo Fernando Haddad e o ex-senador Eduardo Suplicy, ambos ovacionados pelo público. Presidentes de sindicatos, como a professora Bebel Noronha da Apeoesp, também discursaram no ato.

Estudantes sim, idiotas úteis não

Mais cedo, Jair Bolsonaro referiu-se aos manifestantes como ‘’idiotas úteis’’. Contrariando a afirmação do presidente, o estudante do ensino médio Ioannis Casarini, de apenas 17 anos, estava na rua defendendo a educação.

‘’Tenho o sonho de fazer medicina numa universidade federal e estudo muito para isso. Me preocupa esses cortes e esse desmonte da educação, afinal é o meu futuro e o de muitos outros como eu’’, disse.

A presidenta da UNE Marianna Dias também respondeu a declaração, do alto do carro de som.

‘’Idiota é quem faz arminha com mão de criança, e acha que livro é menos importante que arma. A nossa historia está sendo construída pelo povo brasileiro e nada será aprovado por você sem que o povo concorde. Se você subestimava o poder dos jovens, o recado está dado”, bradou.

 

Ioannis, estudante do ensino médio, e amigos
protestam contra os cortes na educação

Sem balbúrdia

Estudante de Sociologia da USP, André Franco estava na rua contra a ofensiva ideológica do governo para desmontar os cursos que propagam o pensamento crítico.

‘’O governo quer minar o pensamento crítico na sociedade por isso ataca os cursos de história e sociologia’’, disse.

Mesmo nessa conjuntura, ele conta que deseja seguir a carreira de professor.

‘’É difícil, temos uma reforma do ensino médio que também ataca essas disciplinas, o Escola sem Partido, mas ainda carrego a esperança de um futuro melhor para a educação’’, finalizou.

O estudante de Sociologia da USP André Franco

Da universidade para a sociedade

Maria Luiza de Lima, estudante de Neurociência na Universidade Federal do ABC (UFabc), conta que defender a educação é defender a riqueza das pesquisas realizadas dentro das universidades.

‘’As pesquisas que fazemos na universidade são voltadas para a comunidade, a gente dá uma resposta para a sociedade. Sem essas pesquisas não tem como avançar na Ciência e Tecnologia. Os institutos estrangeiros não estão preocupados com as nossas necessidades, então a função dos institutos federais e das universidades públicas é suprir a nossa necessidade como sociedade. Se cortar mais verbas como teremos evolução nessas áreas?’’, questionou.

A bacharel em Neurociência da UFabc Maria Luiza de Lima

UNE

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