Lula conversa com Trump e defende ‘Conselho da Paz’ somente para Palestina
Por telefone, presidente brasileiro e homólogo dos EUA programaram reunião presencial em março, na Casa Branca
(Colaborou a correspondente em Lisboa, Stefani Costa)
Em nota publicada nesta segunda-feira (26/01), o governo do Brasil informou sobre uma conversa por telefone entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e seu homólogo norte-americano, Donald Trump, na qual os mandatários teriam confirmado a realização de uma reunião oficial em março deste ano, na Casa Branca.
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“Os dois presidentes acordaram a realização de uma visita do presidente Lula a Washington após a viagem do brasileiro à Índia e à Coreia do Sul em fevereiro, em data a ser fixada em breve”, diz a mensagem.
O telefonema aconteceu nesta mesma segunda-feira, por volta das 11h (horário de Brasília), e teria sido pautado por “temas relacionados à relação bilateral e à agenda global”.
“Os presidentes trocaram informações sobre indicadores econômicos dos dois países, que apontam boas perspectivas para as duas economias. O presidente Trump afirmou que o crescimento econômico dos Estados Unidos e do Brasil é positivo para a região como um todo”, afirma o comunicado do Palácio do Planalto.
O governo também enfatizou que “ambos saudaram o bom relacionamento construído nos últimos meses, que resultou no levantamento de parte significativa das tarifas aplicadas a produtos brasileiros”, e acrescentou que “o presidente Lula reiterou proposta, encaminhada ao Departamento de Estado em dezembro, de fortalecimento da cooperação no combate ao crime organizado”.
“Lula manifestou interesse em estreitar a parceria na repressão à lavagem de dinheiro e ao tráfico de armas, bem como no congelamento de ativos de grupos criminosos e no intercâmbio de dados sobre transações financeiras. A proposta foi bem recebida pelo presidente norte-americano”, segundo a nota.
Conselho da Paz
O comunicado do Planalto também se referiu ao “convite formulado ao Brasil para que participe do Conselho da Paz”. Segundo a mensagem, “Lula propôs que o órgão apresentado pelos Estados Unidos se limite à questão de Gaza e preveja assento para a Palestina”.
Ademais, o mandatário brasileiro “reiterou a importância de uma reforma abrangente das Organização das Nações Unidas (ONU), que inclua a ampliação dos membros permanentes do Conselho de Segurança”.
“No curso da conversa, Lula e Trump trocaram impressões sobre a situação na Venezuela. O presidente brasileiro ressaltou a importância de preservar a paz e a estabilidade da região e de trabalhar pelo bem-estar do povo venezuelano”, concluiu a mensagem.
Fonte do Itamaraty
Consultada pela reportagem de Opera Mundi, uma fonte ligada ao Itamaraty disse que o convite feito pelo presidente dos Estados Unidos para que o Brasil participe do Conselho da Paz, organismo que visa supervisionar a reconstrução da Faixa de Gaza tende a ser rejeitado pelo Palácio do Planalto.
“Tudo aponta para uma negativa”, disse o diplomata, que completou frisando que “a proposta vai contra nossos princípios e nossa visão de relações internacionais. Ela contraria os valores das Nações Unidas, concentra poder de forma excessiva e enfraquece o multilateralismo. Ou seja, é o oposto do que sempre defendemos. Portanto, não vejo o Brasil participando”.
A fonte descreve o Conselho como um “clube de notáveis que custa um bilhão de dólares”, e que poderia proporcionar um “poder personalíssimo” para Donald Trump na região. Ademais, levantou questionamentos sobre os interesses econômicos por trás da iniciativa, lembrando a considerável reserva de gás natural e petróleo na região.
Em 1999, o British Gas Group (BG) iniciou a exploração do campo de gás Gaza Marine, localizado em uma zona marítima que foi atribuída à Autoridade Nacional Palestina (ANP) quatro anos antes, pelo Acordo de Oslo II. O então líder palestino Yasser Arafat assinou um contrato de 25 anos com um consórcio que incluía a BG, o Consolidated Contractors Company (CCC) e o Palestinian Investment Fund (PIF).
No ano seguinte, em 2000, foram descobertas reservas de 1,4 trilhão de pés cúbicos de gás natural nesse campo.
Outra preocupação do diplomata é com a questão humanitária. Segundo ele, o Conselho da Paz ainda não representa uma garantia clara de recuperação da vida cotidiana para os palestinos residentes em Gaza. “Há também dois milhões de pessoas vivendo lá. O que vão fazer com elas?”, indagou.
Leia a nota completa publicada pelo governo brasileiro:
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva manteve, hoje, 26 de janeiro, às 11 horas, conversa telefônica com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Ao longo de cinquenta minutos, os dois líderes abordaram temas relacionados à relação bilateral e à agenda global.
Os presidentes trocaram informações sobre indicadores econômicos dos dois países, que apontam boas perspectivas para as duas economias. O presidente Trump afirmou que o crescimento econômico dos Estados Unidos e do Brasil é positivo para a região como um todo. Ambos saudaram o bom relacionamento construído nos últimos meses, que resultou no levantamento de parte significativa das tarifas aplicadas a produtos brasileiros.
O presidente Lula reiterou proposta, encaminhada ao Departamento de Estado em dezembro, de fortalecimento da cooperação no combate ao crime organizado. Lula manifestou interesse em estreitar a parceria na repressão à lavagem de dinheiro e ao tráfico de armas, bem como no congelamento de ativos de grupos criminosos e no intercâmbio de dados sobre transações financeiras. A proposta foi bem recebida pelo presidente norte-americano.
Ao comentar o convite formulado ao Brasil para que participe do Conselho da Paz, Lula propôs que o órgão apresentado pelos Estados Unidos se limite à questão de Gaza e preveja assento para a Palestina. Nesse contexto, reiterou a importância de uma reforma abrangente das Organização das Nações Unidas, que inclua a ampliação dos membros permanentes do Conselho de Segurança.
No curso da conversa, Lula e Trump trocaram impressões sobre a situação na Venezuela. O presidente brasileiro ressaltou a importância de preservar a paz e a estabilidade da região e de trabalhar pelo bem-estar do povo venezuelano.
Os dois presidentes acordaram a realização de uma visita do presidente Lula a Washington após a viagem do brasileiro à Índia e à Coreia do Sul em fevereiro, em data a ser fixada em breve.




