Dois vazamentos de minas da Vale em menos de 24h atingem biodiversidade e água dos rios em Congonhas (MG)

260 mil metros cúbicos de lama foram despejados nos rios; biólogo aponta que incidentes se repetem nos períodos chuvosos

Duas minas da Vale em Congonhas (MG), cidade a cerca de 80 quilômetros de Belo Horizonte, sofreram derramamentos em menos de 24 horas entre domingo (25) e esta segunda-feira (26). Mais de 260 mil metros cúbicos de lama foram derramados. Segundo a prefeitura da cidade, não houve vítimas, mas há um grande impacto ambiental.

As duas minas que romperam ficam separadas por cerca de 22 quilômetros de distância. No primeiro incidente, no domingo, o vazamento aconteceu na estrutura conhecida como Fábrica. Os rejeitos, que continham minério e outros materiais, atingiu o rio Goiabeiras, que passa pela área urbana do município.

Já nesta segunda-feira, foi confirmado segundo vazamento, que atingiu a mina conhecida como Viga. A Defesa Civil confirmou o extravasamento da água para o rio Maranhão, que fica na mesma região.

Em nota, a secretaria municipal de Meio Ambiente e Mudanças Climáticas de Congonhas relatou que os incidentes causam perda de biodiversidade e queda na qualidade da água.

“Estas consequências serão observadas nos próximos meses, porque esse material vai descendo, cada vez mais. Nas áreas mais próximas ao rompimento da cava na área da Mina de Fábrica, da Vale, percebemos arraste de árvores e rochas e mudança no curso do rio”, relatou o secretário municipal de Meio Ambiente da cidade, João Lobo, em nota.

A Vale publicou comunicado afirmando que os vazamentos foram identificados e contidos. A empresa garante que não houve derramamento de rejeitos de mineração, apenas água com sedimentos. “Nenhuma das duas situações tem qualquer relação com as barragens da Vale na região, que seguem sem alterações nas suas condições de estabilidade e segurança e são monitoradas 24 horas por dias, 7 dias por semana”, afirma o texto.

As águas dos dois rios atingidos, Goiabeiras e Maranhão, chegam ao Paraopeba, o mesmo rio que foi atingido pelo rompimento da barragem da Vale em Brumadinho, no crime de 25 de janeiro de 2019, quando 272 pessoas morreram.

A infeliz coincidência – o incidente de domingo em Congonhas aconteceu exatos sete anos após o rompimento em Brumadinho – foi lembrado pelo biólogo Luiz Paulo Siqueira, diretor do Movimento pela Soberania Popular na Mineração (MAM), em entrevista ao jornal Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, nesta segunda-feira.

“O que a gente vê é um cenário que sempre se repete, especialmente agora, nesse período mais chuvoso, quando começa a ocorrer essa série de tragédias e irresponsabilidades por parte das mineradoras. A gente vê sempre essas ocorrências acontecendo normalmente. E a empresa faz o quê? Culpa a chuva. Terceiriza e coloca para o ambiente a responsabilidade. O que é uma afronta ao conjunto da sociedade brasileira, especialmente aqui em Minas Gerais, que constantemente está vivendo com essas ocorrências associadas à mineração”, criticou.

Siqueira destacou que as comunidades ribeirinhas, que dependem diretamente dos cursos d’água atingidos, já sentem os primeiros impactos. Entretanto, a degradação da qualidade da água compromete toda a população da região. E casos como esse seguem se repetindo, sem mudanças efetivas mesmo após tragédias como a de Brumadinho.

“O comprometimento é um só: maximizar o lucro das mineradoras, com o saque dos nossos minérios, deixando esse rastro de destruição pro conjunto do povo brasileiro”, resumiu.

Com informações da Agência Brasil

Fonte
Brasil de Fato

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