Sob pressão de governistas, coordenador do Enem abandona o cargo

Reportagem do Estadão revelou assédio de bolsonaristas sobre Anderson Soares Furtado Oliveira para alterar questões, o que resultou até em uma denúncia à Justiça

O ministro-chefe da Casa Civil, Ciro Nogueira, assinou nesta terça-feira (25/1) a exoneração de Anderson Soares Furtado Oliveira, que era, até ontem, o diretor coordenador do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) e diretor de Avaliação da Educação Básica do Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira).

A demissão de Soares encerra um episódio controverso dentro do Ministério da Educação, desde a publicação de uma matéria do jornal Estadão, em novembro do ano passado, relatando pressões de figuras ligadas ao governo de Jair Bolsonaro aos responsáveis por confeccionar o Enem.

A reportagem conta com testemunhos de servidores que revelam pressões de pessoas ligadas a setores mais ideológicos do governo para alterar ou retirar algumas questões do exame, que abordavam temas considerados “sensíveis”. Tal situação ficou ainda mais evidenciada quando, dias antes da aplicação da prova, 37 servidores ligados à realização da prova pediram demissão, acusando o presidente do Inep, Danilo Dupas, de assédio moral e negligência aos aspectos técnicos da organização do exame.

Além das pressões internas reveladas pela matéria, o Enem de 2021 também foi alvo de críticas de bolsonaristas e opositores ao governo, e até mesmo de uma denúncia à Justiça, quando a Defensoria Pública da União pediu ao Inep que comprovasse a idoneidade da prova.

Apesar das controvérsias, o ministro da Educação, Milton Ribeiro, negou qualquer tipo de interferência do governo na prova. O governo já nomeou uma substituta para o cargo deixado por Soares: a nova coordenadora do Enem é Michele Cristina Silva Melo.

Jornal GGN

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