78% das negociações salariais tiveram ganho real em 2025, diz Dieese

Relatório De Olho nas Negociações mostra manutenção de padrão favorável desde 2023, apesar de leve piora em relação a 2024

O Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) divulgou, em janeiro de 2026, a edição número 64 do boletim De Olho nas Negociações, com uma análise preliminar dos resultados das negociações coletivas realizadas ao longo de 2025. O levantamento indica que 77,7% dos reajustes salariais conquistados no período ficaram acima da inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), do IBGE, garantindo ganho real aos trabalhadores e trabalhadoras abrangidos pelos acordos. Leia em TVT News.

De acordo com o Dieese, a análise considerou 21.510 reajustes salariais registrados no Sistema Mediador, do Ministério do Trabalho e Emprego, até o dia 12 de janeiro de 2026. Esse volume corresponde a cerca de 80% do total de resultados esperados para 2025, com base na média de registros dos últimos anos. O próprio estudo destaca que ainda são aguardados lançamentos referentes, sobretudo, às negociações com data-base no último trimestre do ano.

Além dos reajustes acima da inflação, 14,1% das negociações resultaram em recomposição exatamente igual à variação do INPC, enquanto apenas 8,2% ficaram abaixo da inflação. A variação real média dos reajustes em 2025 foi de 0,87%, sempre na comparação com o INPC, indicador adotado como referência pelo Dieese.

O boletim ressalta que os dados representam uma piora em relação a 2024, quando os ganhos reais médios foram mais elevados. Ainda assim, o Dieese avalia que a redução não é significativa a ponto de indicar uma mudança estrutural no comportamento das negociações coletivas. Desde 2023, observa-se um padrão de prevalência de reajustes com ganho real e baixa incidência de resultados abaixo da inflação, especialmente quando comparado ao período de 2019 a 2022, marcado por perdas salariais relevantes.

A análise histórica mostra que, após três anos consecutivos de variação real negativa entre 2020 e 2022, os reajustes voltaram a superar a inflação em 2023, com variação real média de 1,7%. Em 2024, esse índice recuou para 1,25% e, em 2025, para 0,87%, indicando uma trajetória de desaceleração, mas ainda em terreno positivo.

O Dieese também aponta que parte do comportamento dos reajustes está diretamente relacionada às taxas de inflação. No período posterior a 2022, 2025 foi o ano que registrou as maiores taxas de inflação por data-base. Ainda assim, o boletim destaca que, para janeiro de 2026, o reajuste necessário segundo o INPC será de 3,9%, o menor valor desde setembro de 2024.

Em relação às formas de pagamento, os reajustes parcelados estiveram presentes em apenas 1,7% das negociações de 2025, percentual ligeiramente superior ao de 2024, mas inferior ao observado entre 2019 e 2023. Já os reajustes escalonados apareceram em 15,7% dos acordos, o menor patamar desde 2021.

A análise setorial revela que trabalhadores da indústria e do comércio obtiveram ganhos reais em praticamente 80% das negociações, seguidos de perto pelo setor de serviços. No setor rural, os reajustes acima da inflação foram menos frequentes, ocorrendo em 69,4% dos casos, e quase 20% das negociações registraram perdas reais. A maior variação real média em 2025 foi observada no setor de serviços, com 0,94%, enquanto o comércio apresentou a menor, de 0,70%.

Do ponto de vista regional, Sul e Sudeste se destacaram, com ganhos reais em mais de 80% das negociações. O Sul apresentou o menor percentual de reajustes abaixo da inflação, de 3,4%. Nas demais regiões — Norte, Nordeste e Centro-Oeste —, os ganhos reais ocorreram em cerca de 68% dos casos. A maior variação real média foi registrada no Sudeste, com 0,98% acima do INPC.

O boletim também traz dados sobre pisos salariais. Em 2025, o piso salarial médio das negociações foi de R$ 1.863, enquanto o piso mediano ficou em R$ 1.739. O maior piso médio foi observado no setor de serviços, e os maiores valores médios e medianos entre as regiões foram registrados no Sul.

Segundo o Dieese, os resultados confirmam a continuidade de um cenário mais favorável às negociações coletivas no país, ainda que com sinais de acomodação em relação ao desempenho observado no ano anterior.

Fonte
TVT News

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