Janeiro Branco: cinema, saúde mental e o direito ao tempo livre
Janeiro é um mês de férias para muita gente, mas também é o mês da conscientização sobre a saúde mental. Em uma sociedade tão acelerada, desacelerar parece óbvio, mas nem sempre há tempo para isso. Como vivemos e trabalhamos? Essa é a reflexão proposta pelo Janeiro Branco da CONTEE.
Neste ano de eleição, uma das grandes bandeiras da CONTEE é a defesa do direito ao tempo livre, com a luta para que o Congresso Nacional aprove o fim da jornada 6×1. O tempo para o ócio, para a contemplação e para atividades que promovam bem-estar não é privilégio. É sinônimo de vida, de saúde e de dignidade para a classe trabalhadora.
Mas como usamos hoje o pouco tempo livre que temos, seja nas pausas do trabalho ou durante as férias? Estamos apenas rolando o feed infinito das redes sociais ou dando uma volta no parque? Lendo um bom livro ou nos conectando, de fato, com familiares e amigos? A reflexão do Janeiro Branco também passa por repensar a relação com o tempo disponível e por priorizar experiências que realmente cuidem da saúde mental.
Nesse contexto, o cinema surge como uma importante ferramenta de pausa consciente. Diferente do consumo rápido e fragmentado das redes sociais, assistir a um filme exige atenção, entrega e tempo. Produções que abordam emoções, relações humanas e sofrimento psíquico ajudam o espectador a se reconhecer, refletir e ampliar o olhar sobre si e sobre o outro.
Entre os filmes que dialogam diretamente com esse debate estão:
- Nise: O Coração da Loucura. Drama brasileiro que retrata a trajetória da psiquiatra Nise da Silveira, referência na luta contra práticas manicomiais e defensora de abordagens humanizadas e artísticas no cuidado em saúde mental.
(Disponível para aluguel digital no Prime Video e no YouTube). - Por Lugares Incríveis. Filme que aborda depressão, luto e traumas emocionais a partir da história de dois adolescentes que se aproximam enquanto enfrentam seus desafios internos.
(Disponível na Netflix). - O Meu Lado Invisível. Série documental que reúne depoimentos e reflexões sobre saúde mental e bem-estar emocional, incentivando a escuta, o acolhimento e a quebra do silêncio em torno do sofrimento psíquico.
(Disponível na Apple TV+).
Além das narrativas mais densas, o humor também é uma forma legítima de cuidado. Em um cotidiano marcado por cobranças excessivas, produtividade sem limites e esgotamento, o riso ajuda a aliviar tensões, criar respiro emocional e fortalecer vínculos. Rir também é uma forma de resistência em um mundo que naturaliza o cansaço extremo.
Nesse sentido, o cinema de comédia se apresenta como uma escolha potente para ocupar o tempo livre de maneira mais saudável. Algumas opções disponíveis em plataformas de streaming no Brasil incluem:
- Não Olhe Para Cima, disponível na Netflix. Uma comédia satírica que provoca risos ao mesmo tempo em que critica o negacionismo, o excesso de informação e a lógica do espetáculo.
- O Pior Vizinho do Mundo, disponível no Prime Video e em serviços de aluguel digital. Uma comédia sensível sobre solidão, vínculos e recomeços, que equilibra humor e afeto.
- Palm Springs, disponível no Prime Video. Uma comédia inteligente que brinca com a repetição da rotina e convida a refletir sobre escolhas, tempo e sentido da vida.
- Mistério em Paris, disponível na Netflix. Comédia leve e despretensiosa, ideal para quem busca diversão sem pressa e boas risadas.
O Janeiro Branco é um convite para desacelerar, olhar para dentro e cuidar de si. É também um lembrete de que a luta sindical por condições dignas de trabalho, como a redução da jornada, é imprescindível para garantir que cada trabalhador e trabalhadora tenha direito ao descanso, à cultura, ao lazer e à vida plena.
Cuidar da mente é tão essencial quanto cuidar do corpo. E isso passa, acima de tudo, por ter tempo e saber o que fazer com ele. Reivindicamos o direito ao tempo livre para amar, ser amado e viver com dignidade.
Por Romênia Mariani





