Chuvas intensas deixam mortos e desabrigados em quatro estados brasileiros
As fortes chuvas voltam a causar destruição em ao menos quatro estados brasileiros. No nordeste já são 35 cidades em situação de emergência – 27 em Pernambuco e oito na Paraíba. Os dois estados somam oito mortos e 25 mil desalojados ou desabrigados.
O Rio Grande do Sul – que sofreu um dos maiores desastres sociais e ambientais recentes, durante as chuvas de 2025 – é novamente atingido. Mais de 500 pessoas estão desabrigadas e 1.320 desalojadas no estado, em 30 municípios. Santa Catarina sofre com granizo e deslizamentos de terra.
Pernambuco e Paraíba
De acordo com a Agência Brasil, equipes da Defesa Civil Nacional estão prestando apoio técnico aos municípios atingidos de Pernambuco e uma equipe está na Paraíba para orientar as prefeituras sobre como solicitar a situação de emergência e recursos para o governo federal.
A ideia é agilizar o acesso aos recursos para ações emergenciais, assistência humanitária e restabelecimento de serviços essenciais. Até o momento, foram poucas as cidades que apresentaram planos de assistência humanitária ou de reconstrução.
O ministro da Integração e do Desenvolvimento Regional, Waldez Góes, afirmou que o governo irá reconhecer de forma imediata os municípios que declararem situação de emergência ou estado de calamidade pública. “Esse é um passo fundamental, pois permite mobilizar toda a estrutura do Governo Federal — desde as Forças Armadas e a Defesa Civil Nacional, no atendimento à ajuda humanitária, até as ações necessárias para o restabelecimento da normalidade”, declarou.
Direito à cidade e planejamento urbano
Infelizmente a ocorrência de enchentes, alagamentos e deslizamentos de terra é uma realidade recorrente e histórica nos estados brasileiros. Os eventos recentes são parte de um padrão crítico que se repete há décadas, agravado por fatores como ocupação desordenada, falta de planejamento urbano e, mais recentemente, as mudanças climáticas.
O desastre, contudo, não é “natural”. A enchente e o deslizamento são sociais — resultado de um planejamento que empurrou pessoas para áreas ambientalmente frágeis e sem estrutura, com maior risco geológico e ambiental.
É um ciclo onde o planejamento urbano falho – ou capturado pelo mercado imobiliário – conduz os mais vulneráveis socialmente para as áreas que a cidade “rejeita”. Em grande parte das cidades brasileiras, a regulação do solo é um instrumento de exclusão e o resultado é a falta de acesso, por parte da população de baixa renda, às áreas bem urbanizadas e seguras.
É necessário, por parte do poder público, efetivar uma política urbana que garanta o direito à moradia digna em áreas seguras. Sem um planejamento que inclua, o Brasil continuará a tratar as consequências dos desastres ao invés de enfrentar a causa.
A Contee se solidariza às vítimas, conclama que as entidades sindicais das regiões afetadas se unam para apoiar as famílias atingidas e reafirma que o direito à cidade não é um luxo – é a condição para que a próxima chuva não seja, novamente, uma tragédia anunciada.
Por Andressa Schpallir





