Desenrola 3.0: governo Lula lança programa para inadimplentes

Para ajudar os brasileiros a saírem da crise causada pelo endividamento, o governo editou, no dia 25 de setembro, a Medida Provisória nº 1.393, que cria o Desenrola 3.0. A expectativa é atender 15 milhões de pessoas, com custo de R$ 15 bilhões e renegociação de até R$ 150 bilhões em dívidas.

A MP visa os inadimplentes, ou seja, as pessoas que deixaram de pagar dívidas dentro do prazo. Poderão participar dívidas em atraso há mais de 720 dias e menos de 1.645 dias, e o programa vale até 30 de julho de 2028. O cronograma prevê chamamento dos credores em novembro, propostas em dezembro, homologação em janeiro de 2027 e início do repasse do desconto aos devedores em fevereiro. A MP ainda precisa ser votada pela Câmara e pelo Senado.

O mecanismo difere de uma renegociação tradicional. O governo poderá comprar carteiras de dívidas de bancos e outros credores com grande deságio, em leilão vencido por quem oferecer o maior desconto. O devedor arcará com a parte restante, que pode chegar a 10% do valor original quando a dívida for de até R$ 10 mil. Uma dívida de R$ 8 mil, por exemplo, ficaria em R$ 800 caso o desconto seja de 90%. O pagamento à vista não terá juros. Entram na negociação empréstimos bancários e também atrasos com água, luz, varejo e prestadores de serviços.

Segundo a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic) de agosto, cerca de 30% das famílias brasileiras têm contas em atraso. Já dados da Serasa mostram que o Brasil encerrou julho de 2026 com 83,9 milhões de pessoas inadimplentes, com mais de 348 milhões de dívidas em aberto que somam R$ 586,4 bilhões. Em agosto, o indicador chegou a 84 milhões de consumidores, o equivalente a 51% da população adulta.

O número de inadimplentes saltou de 59 milhões, em 2016, para 81,7 milhões em 2026, alta de 38,1%. O perfil é o de quem tem menos margem para absorver perdas, já que 48% dos inadimplentes recebem até um salário mínimo e outros 30% recebem até dois. Boa parte de quem deixa de pagar as contas em dia hoje (42%) já estava nessa condição há dez anos.

Por Andressa Schpallir

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