Educar, não lucrar: Contee participa de resposta global contra a privatização e o comércio educativo

A coordenadora da Secretaria de Assuntos Educacionais da Contee, Adércia Bezerra Hostin dos Santos, está na Costa Rica representando a Confederação na atividade “Resposta global frente à privatização e comércio educativo”, promovida pela Internacional da Educação para a América Latina (Ieal). O encontro faz parte da campanha “Educar, não lucrar”, cujo objetivo é combater as várias formas de privatização da educação. Do Brasil, além da Contee, participam do encontro, que começou ontem (20) e segue até amanhã (22), representantes da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE) e da Federação de Sindicatos de Professores e Professoras de Instituição Federais de Ensino Superior e de Ensino Básico Técnico e Tecnológico (Proifes-Federação).

Na abertura do evento, o diretor-geral da campanha “Educar, não lucrar”, Angelo Gavrielatos, ressaltou que um dos principais atores envolvidos no projeto de privatizar a educação, o Banco Mundial, manipula metas para seus interesses corporativos. E que é necessário que os sindicatos de educação se fortaleçam para lutar pela garantia de direitos e de investimentos em uma educação pública de qualidade.

“Há um nítido interesse em expandir essa privatização como meta para a educação infantil e fundamental e ampliar na superior, que atualmente já é um escândalo”, observou, acrescentando que há uma dificuldade abrangente de avançar junto aos governos e políticos dos países latino-americanos, como acontece no Brasil, sendo que há uma necessidade de “jogar mais duro “ e “defender os salários, os sindicatos e a qualidade de educação”. Angelo ainda ressaltou a importância da construção teórica que essa campanha tem realizado: “Estamos aqui enfrentando, estudando e trabalhando para enfrentar o inimigo”, finalizou.

Ainda na abertura, Sandra Cartin, da Fundação Friedrich Ebert Stiftung, destacou os tratados comerciais, dando ênfase ao Acordo sobre o Comércio de Serviços Internacionais (Tisa — do inglês Trade in Services Agreement), que acabam sempre por ampliar as desigualdades sociais. Ela também enfatizou a importância das entidades apoiarem e, cada vez mais, abrirem espaços para análises dos processos de privatização.

Após a abertura, o diretor-geral da campanha fez uma apresentação intitulada “O tsunami do comércio educativo”, em que frisou como a educação tem sido um mercado a ser explorado, dentro das ideologias do capital, pelos grandes grupos e empresários. Um exemplo citado foi o da rede Bridge Internacional Academies, que não se preocupa com a qualidade nem com investimento nos professores. Também foi observado como escolas públicas de muitos países aspiram a alianças público-privadas. Nessa lógica, cabe cada vez mais às entidades organizadas, a resistência, a fim de assegurar também a soberania dos países.

“A apresentação levou em conta uma investigação que contatou que grandes grupos educacionais ainda se aproveitam das mazelas dos países, inclusive desastres naturais”, relatou a diretora da Contee. “Um exemplo é a Pearson, que criou uma aliança com ONGs para fortalecer a educação dos pobres sírios e aproveita esse mercado, com o advento da catástrofe.” Segundo Angelo Gavrielatos, o diretor da Pearson diz que “não tem como visitar os campos de refugiados sem se sentir comovido”. “É grotesco, mas ele vê uma oportunidade de negócio”, destacou o diretor da campanha em sua fala.

Já na exposição de Clara Fontdevilla, da Universidade Autônoma de Barcelona (UBA), foi elucidado como se deu o modelo de educação privatizante com a reforma no Chile e o quanto é difícil mudá-lo. Foi traçado um paralelo com o Brasil, onde, embora se parta do pressuposto de que o setor privado mercantil cresceu primeiramente no ensino superior, que detém uma parcela maior, na educação básica, embora ainda menor, o modelo se aproxima com variáveis formas de privatização, assim como em outros países.

“Pela lógica colocada na apresentação das experiências, é possível observar que muitas vezes o setor privado de ensino tem como aliado ‘um apelo social’ de diminuição de distâncias entre o acesso a uma educação de qualidade que a sociedade vislumbra. A questão é como esse projeto é implementado sem nenhum controle nem regulamentação no setor”, resume Adércia. “Usando com referência o Brasil, temos, na grande maioria das vezes, uma educação privada ofertada sem controle de qualidade e sem qualquer política de carreira para os docentes e os técnicos administrativos — o que projeta, inclusive, os processos de terceirização —, com precarização e falta de investimentos na estrutura.”

Hoje, a coordenadora da Secretaria de Assuntos Educacionais da Contee apresentará a participação da Confederação na coleta de dados do setor privado de ensino no Brasil, bem como ressaltará o trabalho realizado pela entidade no que diz respeito ao combate à mercantilização e à financeirização da educação.

Por Táscia Souza

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