Sinpro Minas: Patronal recua, e férias continuam em janeiro

Sinpro Minas: Patronal recua, e férias continuam em janeiro

A mobilização dos professores de escolas particulares de Belo Horizonte e região já começa a surtir efeito. Conforme notícia publicada na imprensa na última sexta-feira, o patronal recuou e disse que não pretende mais antecipar o início das aulas para 20 de janeiro, o que iria interromper as férias da categoria. O recesso, agora, será somente nos dias de jogos do Brasil, conforme havia proposto o Sinpro Minas.

Na assembleia do dia 24 de abril, a proposta de antecipar o início das aulas foi rejeitada pelos professores, e a diretoria esclareceu que entregou ao patronal uma proposta de calendário que contempla os 200 dias letivos definidos pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB), além das férias em janeiro, recesso em julho e feriado apenas nos dias de jogos da seleção brasileira.

Dessa forma, as escolas deverão seguir o que for estabelecido pela Convenção Coletiva de Trabalho (CCT), a ser assinada entre os sindicatos (Sinpro Minas e Sinep/MG), em caso de avanço nas negociações.

minas1“Vamos ampliar a nossa mobilização, para demonstrar aos donos de escolas que exigimos respeito, dignidade e melhores condições de trabalho e salários”, destacou o presidente do Sinpro Minas, Gilson Reis.

Proposta rejeitada

Em assembleia, na Associação Médica de Minas Gerais, a categoria rejeitou por unanimidade a última contraproposta patronal, apresentada em reunião de negociação do dia 23, que não concede ganho real – apenas 7,22%, igual ao índice acumulado da inflação (INPC).

Os professores voltaram a afirmar a pauta de reivindicação da categoria e aprovaram uma nova assembleia, a ser realizada no Dia do Trabalhador, 1º de maio (quarta-feira), às 10h, no pátio da Assembleia Legislativa de Minas Gerais.

“Fazer uma assembleia neste dia é fundamental para resgatarmos a importância dessa data histórica para os trabalhadores. É algo simbólico também. Ao ocuparmos um espaço público, daremos uma aula de cidadania, levando para a sociedade a importância da valorização dos professores, sem a qual não há educação de qualidade”, afirmou Aerton Silva, diretor do Sinpro Minas.

Clique aqui e confira imagens da mobilização da categoria em anos anteriores.

Também foi aprovada uma manifestação na porta do Sinep/MG (Rua Araguari, 644, Barro Preto – BH), na terça-feira (30), às 14h, horário do início de mais uma rodada de negociação com o patronal.

A categoria reivindica, entre outros pontos, reajuste salarial de 13,42% (que corresponde ao INPC acumulado, mais variação do PIB de 2,7% e ganho real de 3%), equiparação dos pisos da educação infantil e manutenção das conquistas previstas na Convenção Coletiva de Trabalho (CCT).

“Foi uma assembleia bastante representativa, com professores de todos os níveis de ensino e de grandes escolas da capital. Acumulamos forças para caminhar, se necessário, para uma greve por tempo indeterminado, caso não haja mudança na postura patronal. Exigimos respeito e dignidade”, ressaltou o presidente do Sinpro Minas, Gilson Reis, que citou dados da economia para demonstrar que o cenário é favorável e permite avanços.

Na última quarta-feira, o Ministério da Fazenda divulgou o relatório “Economia Brasileira em Perspectiva”, no qual aponta um quadro macroeconômico positivo.

“A economia brasileira começou 2013 com ritmo de crescimento mais intenso, dando prosseguimento à trajetória de aceleração verificada a partir do segundo semestre de 2012. Apesar das dificuldades que persistem na economia internacional, a economia brasileira continua crescendo gradualmente”, diz o relatório. “Os primeiros indicadores de 2013 apontam para a continuidade do processo de retomada do crescimento econômico, com perspectiva de intensificação ao longo do ano”, acrescenta o documento.

O Brasil também registra o menor índice de desemprego nos últimos dez anos. Em fevereiro, foram criados 123 mil postos de trabalho e, no ano passado, 1,3 milhão de vagas. Além disso, o nível de atividade econômica iniciou este ano em alta de 1,29% (dados de janeiro, em comparação a dezembro), conforme divulgou o Banco Central.

O presidente do Sinpro Minas também falou da expansão do setor privado de ensino, com processos de fusões e aquisições, num mercado que movimenta bilhões de reais. “Há escolas que não têm mais onde colocar alunos, e as mensalidades cresceram nos últimos anos em índices bem acima da inflação”, afirmou.

“Vivemos o melhor momento para avançarmos e não podemos reduzir nossas reivindicações às questões salariais. Estamos aqui por melhores condições de trabalho, por dignidade e por uma educação de qualidade. Por isso é fundamental ampliarmos nossa mobilização e envolver a sociedade para transformarmos esse momento favorável em conquistas”, destacou Gilson Reis.

“Nossa força é nossa mobilização. Com essa paralisação o patronal já recuou um pouco. Eles sabem da nossa força”, disse a diretora Valéria Peres Morato. A diretora Celina Arêas falou do apoio que a campanha dos professores tem recebido da sociedade. “A solidariedade que estamos recebendo dos pais e alunos reafirma a necessidade de levarmos à frente essa campanha”, afirmou Celina Arêas.

O diretor Marco Eliel de Carvalho denunciou a tentativa do patronal de desmobilizar a categoria, com a divulgação, nas escolas, de que não haveria retirada de direitos. No entanto, em mesa de negociação, isso chegou a ser apresentado, como já noticiado pelo Sinpro Minas. “Não vamos aceitar que os donos de escolas joguem os professores contra o sindicato”, criticou Gilson Reis.

minas2Na assembleia, professores reclamaram da sobrecarga de trabalho e também denunciaram a pressão da direção das escolas para a categoria não aderir ao movimento. Um professor chegou a se emocionar, ao relatar a pressão sofrida na escola em que leciona.

A diretoria do Sinpro Minas fez um balanço positivo da paralisação, que foi significativa neste momento da campanha. Professores de diversas escolas aderiram ao movimento, como os do Colégio Loyola, Escola da Serra, Izabela Hendrix, São José Operário, Espaço Escola, entre outras instituições de ensino.

Calendário 2014 – Copa do Mundo

O calendário de 2014 também tem sido discutido nas negociações com os donos de escolas. A intenção do patronal é antecipar o início das aulas para meados de janeiro, proposta já rejeitada pela categoria.

Na assembleia, a diretoria esclareceu que entregou ao patronal uma proposta de calendário que contempla os 200 dias letivos definidos pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB), além das férias em janeiro, recesso em julho e feriado apenas nos dias de jogos do Brasil.

“Reafirmamos que não aceitaremos alteração das férias de janeiro. Entregamos um calendário para o patronal, com recesso só nos dias de jogos, e eles não se deram ao trabalho de discutir. Não há justificativa para emperrar as negociações por causa do calendário da Copa”, afirmou Gilson Reis.

Do Sinpro Minas

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