Bolsa Família está em risco com Flávio
Em entrevista à CBN Bahia na última segunda-feira (19), a coordenadora do núcleo econômico da campanha de Flávio Bolsonaro (PL), Daniella Marques, afirmou que o Bolsa Família passaria por uma nova regra de transição caso o senador seja eleito. Segundo a proposta, os beneficiários teriam um prazo de dois anos para conseguir um emprego com carteira assinada ou abrir um pequeno negócio; após esse período, as famílias seriam desligadas do programa. Em outras palavras, seria o fim do programa.
Após perceber o “tiro no pé” que foi a declaração, a campanha de Flávio negou que haja a intenção de “acabar” com o Bolsa Família, classificando as críticas como “fake news” e argumentando que a medida apenas ampliaria o período de proteção para quem conseguir emprego. O histórico do candidato, no entanto, mostra que o risco de extinção do programa é real.
Flávio Bolsonaro possui um longo registro de ataques ao programa social. Em publicações antigas resgatadas durante a campanha, o senador se referia ao benefício pejorativamente como “bolsa-farelo” e associava o programa à compra de votos e à manutenção da pobreza para fins eleitorais.
Uma dessas postagens, de 2013, afirmava que o PT “perpetua a pobreza com o bolsa-farelo, mantendo as pessoas nessa dependência para não perder seus votos”. Em outra, de 2011, quando era deputado estadual no Rio de Janeiro, Flávio defendeu emendas para limitar em dois anos o tempo de recebimento de um programa social estadual. Após a repercussão negativa da fala de sua coordenadora, o candidato apagou diversas dessas publicações de suas redes sociais.
O discurso da campanha de Flávio, que trata a permanência no programa como uma “prisão” ou falta de estímulo, contrasta com os dados atuais. Levantamentos indicam que o Bolsa Família não impede a entrada no mercado de trabalho: entre janeiro de 2023 e julho de 2026, beneficiários do programa responderam por 85,18% do saldo líquido de empregos formais gerados no país, segundo estudo da FGV. Além disso, cerca de 5,1 milhões de famílias deixaram o programa voluntariamente desde 2023 após aumento de renda. Apenas em 2023, aproximadamente 1,3 milhão saíram por este motivo.
A fala de Daniella Marques não ocorre isoladamente. A coordenadora já sinalizou um “cardápio de cortes” que prevê a redução de gastos equivalente a 1,5% do PIB (cerca de R$ 200 bilhões), a revisão do arcabouço fiscal e usou a Argentina, sob a gestão de Javier Milei, como exemplo de governo.
Por Andressa Schpallir



