Conferência Antifascista inicia com mesa em apoio à resistência do Irã
País que está há quase um mês sob ataque do imperialismo e do sionismo vem defendendo sua soberania e surpreendendo os governos dos EUA e de Israel
Um dos temas abordados nesta sexta-feira (26), primeiro dia da Conferência Internacional Antifascista pela Soberania dos Povos, em Porto Alegre, foi a resistência do Irã à guerra perpetrada pelos Estados Unidos e Israel, assunto que figura entre os mais preocupantes da atualidade em nível global.
Os ataques de duas das maiores potências militares do mundo ao pequeno país persa são a perfeita tradução do que significa o imperialismo fascista em sua fase mais escancarada. Por outro lado, a reação iraniana, que surpreendeu os EUA, serve como exemplo de que é possível defender a soberania e resistir à ingerência externa.
Para falar sobre o tema, a mesa “A agressão imperialista e a resistência do povo iraniano” recebeu Hossein Khaliloo, do Centro Iman Al Mahdi de Diálogo no Brasil; Ana Maria Prestes, secretária de Relações Internacionais do PCdoB; Breno Altmann, jornalista do Ópera Mundi; Roberto Robaina, vereador e presidente do PSol em Porto Alegre e Cícero Balestro, do diretório nacional do PT.
Guerra imoral
Ao iniciar sua explanação, Khaliloo lembrou que os Estados Unidos e Israel começaram a atacar o Irã mesmo em meio às negociações relativas ao programa nuclear. “De fato, o objetivo deles é acabar com a revolução popular islâmica do Irã”, pontuou. Antes da revolução, contou, “o país estava nas mãos dos EUA, economicamente, politicamente e culturalmente. Então, o povo iraniano decidiu acabar com essa situação”.
Segundo ele, “ao longo desses 47 anos, (da revolução) os líderes do Irã conseguiram ensinar o povo a acreditar que tem força para lutar contra os imperialistas-sionistas, mesmo não tendo os equipamentos que eles têm. E hoje, há quase um mês desde que começaram os ataques, todos os dias, o povo está nas ruas”.
Essa resistência, disse, “não é fácil porque a guerra imperialista-sionista não tem moralidade; eles atacaram líderes, escola de meninas, casas; mas o povo decidiu seguir firme no caminho da resistência e nunca vamos baixar a cabeça para eles”.
Além disso, Khaliloo argumentou que “os imperialistas-sionistas conseguiram passar para os povos do mundo a ideia de que ninguém tem coragem de se aproximar deles. E todos os povos do mundo acabamos sendo oprimidos por eles, seja o povo iraniano, libanês, palestino, da África ou da América Latina. E se ficarmos isolados, eles vão conseguir vencer. Mas, unidos, podemos derrotá-los”.
Alvo preferencial
Ana Prestes destacou que o Irã “é um alvo preferencial dos EUA, dos sionistas e de Israel há muito tempo. Isso vem se construindo através de uma série de sanções, bloqueios e ataques que foram escalonando”.
Ao longo dos anos, ela lembrou que da parte dos iranianos, sempre houve disposição à negociação, como estava ocorrendo na véspera do início dos ataques. “Um dia antes, ainda havia uma mesa de negociação. E o Irã foi bombardeado na madrugada de 27 para 28 de fevereiro enquanto estava-se concluindo tudo aquilo que vinha sendo acordado. Isso demonstra o caráter criminoso, beligerante deste segundo mandato de Trump”, apontou.
Na avaliação da comunista, “pelo comprometimento do Irã com a causa palestina, o país é hoje o que mais desestabiliza o projeto da Grande Israel e dos EUA no Oriente Médio, então, para os EUA e os sionistas, é fundamental inviabilizar o Irã como um país importante na região”.
Ana salientou, ainda, que “o Irã tem sabido colocar as cartas na mesa de maneira magistral, criando uma dificuldade enorme para os EUA e Israel na região”. Além disso, afirmou que “hoje o país está fazendo muito pelo mundo, pela causa anti-imperialista; sua resistência pode resultar numa alteração muito importante do cenário da região”.
Fascismo como produto do imperialismo
“Não existe luta antifascista sem luta anti-imperialista. A luta antifascista sem a luta anti-imperialista é um engodo porque o fascismo é produto do sistema imperialista”, disse Breno Altmann ao iniciar sua intervenção.
Ele lembrou que nesta sexta, “o presidente do parlamento iraniano divulgou nota em que diz algo com que concordo: hoje o país luta por toda a humanidade. Se o Irã luta por toda a humanidade, a nossa obrigação moral, política e ideológica é a solidariedade incondicional com a República Islâmica do Irã na sua luta contra o imperialismo estadunidense e contra o regime sionista”.
Altmann também sublinhou que o apoio ao Irã “é um elemento decisivo nesta quadra histórica que estamos enfrentando”. Ao mesmo tempo, defendeu que é preciso “nos libertarmos do derrotismo, segundo o qual não é possível vencer o imperialismo dos EUA e o regime sionista. Esta é a lição que o Irã está nos dando: o de que os EUA podem ser derrotados”.
Cícero Balestro pontuou que “não há luta democrática” nos ataques dos EUA ao Irã, como muitos defendem. “Trata-se do interesse do império se estabelecer na região e colocar a nação iraniana sob o seu jugo”, declarou.
Ele acrescentou que “estamos aqui tratando do direito à autodeterminação dos povos e da luta anti-imperialista, que é a primeira luta da humanidade, porque sem isso, não avançaremos com soberania”. E concluiu: “ao longo da história, vimos que os impérios, sempre que se sentem ameaçados na sua perda de hegemonia, tornam-se muito beligerantes e é isso que estamos vivendo nesta quadra da história”.
Irracionalismo
Último a falar, o vereador Roberto Robaina salientou que o governo Trump “expressa a burguesia norte-americana, mas também os elementos mais irracionais que o capitalismo desenvolve em sua fase imperialista e na sua decadência política”.
Para exemplificar, lembrou que “o ano começou, em 3 de janeiro, com o sequestro de um presidente, algo inédito”. Além disso, afirmou que Trump fez essa ação na Venezuela “e depois os seus conselheiros de guerra acharam que a agressão ao Irã teria o mesmo resultado. E estamos vendo que não”.
Robaina enfatizou que “até mesmo os jornalistas e analistas da imprensa burguesa brasileira estão sendo obrigados a reconhecer que o governo dos EUA está desnorteado diante da resistência do Irã”.
Já os EUA, por sua vez, “mentem de modo descarado, dizendo que estão ganhando e exigindo do governo iraniano tempo para poder discutir suas propostas de negociação, quando a gente sabe que o governo dos EUA fez propostas rejeitadas pelo Irã, que disse claramente que agora a guerra só termina se tiver garantias de que o cessar-fogo não significará simplesmente uma reorganização das tropas imperialistas para agredi-lo novamente”.
Por Priscila Lobregatte





