Contee adere ao Pacto Contra o Feminicídio: “Um compromisso coletivo”

Nos últimos meses, temos sido bombardeados com notícias brutais de casos de violência contra mulheres. Apenas em janeiro deste ano, o judiciário brasileiro registrou 947 novos casos de feminicídio. O número se torna mais assustador quando constatamos a crescente: o índice triplicou em cinco anos, passando de 4.210 novas ocorrências em 2020 para 12.012 em 2025.

Os dados são do Painel de Estatísticas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e os números se referem ao total de ações judiciais relacionadas a feminicídios que começaram a tramitar na Justiça nestes períodos. O Painel também mostra que quase cem mil novos casos de violência doméstica deram entrada no judiciário em janeiro. O índice também apresentou um crescimento constante. Em 2020, foram registrados 607.627 casos. Já em 2025, os casos de violência doméstica passaram de 1,12 milhão.

Uma pesquisa do DataSenado, em parceria com o Observatório da Mulher Contra a Violência, mostrou que 27% das mulheres entrevistadas afirmaram ter sofrido violência doméstica ou familiar praticada por homem. Entre os locais em que se sentem menos protegidas estão, em primeiro lugar, a rua (49%), em segundo lugar o local de trabalho (24%) e por último o ambiente familiar (21%).

Pacto Nacional Brasil Contra o Feminicídio

Em resposta a este aumento assustador nos casos de feminicídio e violência contra as mulheres, foi lançado, em fevereiro, o Pacto Nacional Brasil contra o Feminicídio. O acordo entre os Três Poderes busca articular ações de prevenção, proteção e responsabilização, com foco em salvar vidas.  Entre os objetivos está o enfrentamento do machismo estrutural e a sensibilização de meninos e homens na defesa dos direitos das mulheres e pelo fim da violência contra meninas e mulheres.

Atendendo a este chamado, e compreendendo seu papel fundamental para desconstruir o machismo e para atuar contra a violência a mulheres e meninas, a Contee aderiu a essa luta. Nesta terça (10), a Confederação publicou um vídeo em que os homens da Diretoria Executiva fazem um apelo às entidades filiadas: “Hoje, nos somamos ao Pacto Nacional Brasil contra o Feminicídio, com o compromisso de sermos agentes ativos contra a violência. Vamos atuar junto às nossas bases, nos nossos lares e nos nossos sindicatos. Esse papel não pode ser só das nossas companheiras, deve ser um compromisso coletivo.”

Edilene Arjoni, coordenadora da Secretaria da Mulher da Contee, afirma que o combate ao feminicídio é essencial para uma sociedade igualitária, e depende dos homens. “Nós queremos homens conscientes da sua posição, da sua posição diante da sociedade, então nós estamos aí pedindo aos homens que colaborem, que passem essa consciência a outros homens e que ajudem a conscientizar esse público da importância da não agressão, do diálogo e da não violência. Por isso que nós pedimos no nosso jargão: parem de nos matar.”

Ela destaca que a violência dá sinais e não ocorre de forma instantânea. “Antes da morte, uma mulher sofreu, uma mulher foi injuriada, uma mulher foi agredida, ela foi perseguida emocionalmente, psicologicamente, até isso chegar na morte.”

Para o coordenador-geral da Contee, professor Railton Nascimento, os índices de violência são estarrecedores. “A cada minuto uma mulher é agredida e a cada seis horas uma é assassinada por ser mulher.” Para ele é essencial que os homens mudem suas atitudes, inclusive no ambiente de trabalho. “Que nós homens possamos, de mãos dadas com as mulheres, usar qualquer força que nós tenhamos para proteger e construir um mundo onde as mulheres tenham plenos direitos e cidadania e sejam de fato respeitadas.”

Denuncie

Em caso de violência, ligue 180. É a Central de Atendimento à Mulher, um serviço gratuito e confidencial do governo federal brasileiro que funciona 24 horas por dia, todos os dias. Ele oferece escuta, acolhimento, orientação sobre direitos e recebe denúncias de violência contra a mulher, encaminhando-as aos órgãos competentes.

“Se tem alguma pressão psicológica que parece ser grave, se está sofrendo agressões, se existe indício de que algo muito ruim pode acontecer, denuncie imediatamente”, destaca Edilene.

 

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Por Andressa Schpallir

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