“Debate sobre segurança se tornou essencial para funcionamento das escolas”, diz Yann Evanovick

Numa sociedade mais conectada, por meio das redes digitais, é preciso formular política de Estado de combate à essa violência. É preciso, ainda, monitoramento permanente, a fim de evitar a propagação desse fenômeno do século 21

Segundo o coordenador executivo do GT (grupo de trabalho) para Enfrentamento e Prevenção às Violências nas Escolas e Universidades, Yann Evanovick, o combate à violência nas escolas passa inicialmente pela “construção de ações voltadas às questões emergenciais.”

Além disso, segundo Evanovick foi constituído o GTI (Grupo de Trabalho Interministerial) para prevenção à violência nas escolas. Esse grupo tem a tarefa de elaborar proposta (política pública) para apresentar ao ministro da Educação, Camilo Santana, e ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em outubro.

O coordenador do GTI, ao abrir a conversa no Contee Conta desta segunda-feira (26), lembrou que a violência nas escolas “não é temática nova para o Brasil”. “A marca da violência está entranhada na nossa formação”, lembrou, ele que historiador de formação.

Na conversa, Yann Evanovick lembrou também que nos últimos tempos, em particular sob o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), o “discurso de ódio ganhou muita força” na sociedade.

Temática veio para ficar

Durante a entrevista, conduzida pela jornalista da Contee, Táscia Souza, e mediada pelo coordenador-geral da Confederação, Gilson Reis, Evanovick destacou que o tema “violência” “veio para ficar”. Desse modo, deve ser enfrentado por meio de amplo debate entre os poderes constituídos e a sociedade civil.

Por esta razão, ainda segundo o coordenador do GT, se intensifica o monitoramento das redes digitais, a fim de “disputar a subjetividade nos espaços das escolas”, pontificou. “A sociedade está mais conectada”, desse modo esse “monitoramento se tornou ultra necessário”, chamou a atenção.

“Nós temos novo tipo de sociedade”, lembrou. Assim, é preciso “acompanhar os jovens que estão se retirando dos ambientes mais coletivos”, pois se trata de sintoma que caracteriza esse fenômeno que captura jovens, por meio das redes digitais, para cometimento de ações violentas nas escolas entre outras ações deletérias.

Grupos de ódio

Evanovick informou que vários grupos de ódio nas redes digitais estão sob monitoramento do Ministério da Justiça. Trata-se de a necessária tomada de medidas, pelo Poder Público, para enfrentar essa onda de violência nas escolas.

Ele informou, também, que “centenas de grupos de ódio foram desbaratados.” E que o governo, por meio das instituições, “combate a violência extremada e àquela do cotidiano nas escolas.”

Grupo de Trabalho Interministerial

O GTI foi instituído por meio do Decreto Interministerial 11.469, publicado em 5 de abril, com o objetivo de propor políticas de prevenção e enfrentamento da violência nas escolas.

O Decreto também destaca o apoio à constituição e à capacitação de rondas escolares no âmbito das políticas estaduais e guardas municipais. Nesse sentido, dia 5 de abril, foi anunciada a liberação de R$ 150 milhões para o apoio às rondas escolares.

Outra ação, anunciada dia 7 de abril, foi a criação de canal exclusivo para recebimento de informações de casos suspeitos de ataques às instituições de ensino.

O formulário para recebimento das denúncias está disponível no endereço www.mj.gov.br/escolasegura. A plataforma criada permite que as denúncias sejam investigadas de forma mais rápida e eficiente. O monitoramento das ameaças contra as escolas na internet é realizado, em princípio, por 50 policiais que se dedicam exclusivamente e em regime de plantão 24 horas.

Assista a íntegra da entrevista:

Marcos Verlaine

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