Diretoria Plena da Contee abre 2026 com análise de conjuntura e definição da agenda do primeiro semestre
Encontro virtual destacou os desafios políticos, sindicais e organizativos de um ano marcado por eleições gerais no Brasil
A Confederação Nacional dos Trabalhadores em Estabelecimentos de Ensino (CONTEE) realizou, na última sexta-feira (16), de forma virtual, a 1ª Reunião da Diretoria Plena de 2026, marcando oficialmente o início das atividades político-sindicais do ano.
O coordenador-geral da CONTEE, Railton Souza, conduziu o encontro, que reuniu dirigentes dos sindicatos filiados à entidade para analisar a conjuntura nacional e internacional, ouvir os informes das secretarias e debater o plano de finanças da Confederação, com foco no fortalecimento institucional e na definição da agenda de ações para o primeiro semestre.
Na abertura dos trabalhos, Railton destacou que o ano exige disposição para a luta coletiva. Ressaltou que se trata de um período desafiador para a classe trabalhadora, atravessado por um cenário internacional conturbado e pelo caráter estratégico de 2026 no Brasil, ano de eleições gerais, o que impõe desafios adicionais ao movimento social e sindical. Segundo ele, esse contexto reforça a importância de iniciar o ano com uma análise aprofundada da conjuntura e com planejamento político-organizativo.
Análise de conjuntura orienta os debates
A atualização da análise da conjuntura político-sindical ficou a cargo dos convidados Altamiro Borges (Miro) e Gilberto Maringoni, seguida de manifestações da Diretoria Plena. O formato contribuiu para o fortalecimento do debate coletivo e para a construção de leituras compartilhadas sobre o atual momento político.
Altamiro Borges é jornalista, ativista e fundador do Centro de Estudos da Mídia Alternativa “Barão de Itararé”, uma entidade que promove a democratização da comunicação no Brasil, surgida da 1ª Conferência Nacional de Comunicação (Confecom) em 2009. Ele é uma figura central na mídia alternativa e progressista.
Gilberto Maringoni é jornalista, cartunista e professor universitário brasileiro. É professor de Relações Internacionais da Universidade Federal do ABC, tendo lecionado também na Faculdade Cásper Líbero e na Universidade Federal de São Paulo.
Altamiro Borges: cenário internacional, latino-americano e brasileiro
Miro iniciou sua análise destacando o cenário global volátil: “O ano começou quente no mundo e tende a esquentar no Brasil também. Os Estados Unidos são um império em decadência, mas cada vez mais agressivo para manter sua hegemonia e impedir o avanço da multipolaridade.”
Para ele, o trumpismo é uma resposta autoritária à crise do capitalismo:
“O slogan MAGA mostra que a América reconhece sua decadência e reage de forma agressiva. Há ataques a imigrantes, universidades, imprensa e movimentos sociais — traços claros de fascismo.”
No plano latino-americano, Miro alertou para a interferência imperialista em processos eleitorais e a ofensiva da extrema direita: “Não é só ação militar. Há interferência direta em eleições, chantagem econômica e pressão política. O ano passado foi muito ruim para o campo progressista no continente.”
No Brasil, evidenciou a recuperação política do governo Lula: “O Lula saiu das cordas quando adotou postura firme no enfrentamento político. Se continuasse daquele jeito, viraria um pato manco. Foi para o ataque. A queda da inflação de alimentos e medidas de justiça tributária ajudaram na recuperação da popularidade.”
Ele reforçou ainda a necessidade de fortalecer o movimento sindical: “Depois de anos de queda, a taxa de sindicalização voltou a crescer. Mas os desafios continuam: mais presença no local de trabalho, mais comunicação com a base e mais formação política. A luta contra a extrema direita, o fortalecimento da ação de classe e o debate de ideias são tarefas centrais do sindicalismo.”
Gilberto Maringoni: hegemonia global, economia e desafios nacionais
Maringoni analisou o cenário internacional e a situação brasileira, destacando a centralidade da categoria dos trabalhadores em educação: “Houve uma tentativa sistemática de desqualificação do trabalho do professor, patrulhamento ideológico e constrangimento da atividade docente.”
Segundo ele, o imperialismo estadunidense enfrenta um paradoxo: perde hegemonia, mas intensifica sua capacidade ofensiva: “Hegemonia não é apenas poder militar, é a capacidade de convencer o mundo de que seus interesses são gerais. Essa capacidade está em acelerado desgaste. Quando não convencem mais, recorrem à força bruta.”
Sobre a guerra na Ucrânia e o papel do dólar, Maringoni pontuou: “Sanções unilaterais e bloqueios aceleraram a redução do uso do dólar nas transações internacionais. Cerca de 10% das transações já ocorrem fora da moeda americana, ameaçando estruturalmente a hegemonia dos EUA.”
No Brasil, destacou os limites do governo Lula mesmo liderando pesquisas eleitorais: “Há uma luz vermelha acesa. Ajuste fiscal, juros altos e restrições econômicas tornam a campanha eleitoral arriscada.”
Ele finalizou enfatizando a importância da mobilização social e de pautas claras pró-trabalhadores: “Quando há mobilização, a correlação de forças muda. Precisamos de uma agenda clara: fim da jornada 6×1, tarifa zero e revisão da legislação trabalhista. Sem isso, a campanha se torna muito mais difícil.”
Informes das secretarias e próximos eventos
Na sequência, a reunião avançou com os informes das secretarias, iniciando pela Secretaria de Finanças, que apresentou um panorama das receitas, despesas e dos ajustes necessários para assegurar a sustentabilidade financeira da entidade e a execução das ações previstas para o período.
As demais secretarias detalharam seus planos de trabalho e agendas para o primeiro semestre de 2026, com destaque para atividades formativas, ações políticas e iniciativas
Próximos eventos
Janeiro
- 26/1 – Encontro do Coletivo Jurídico, iniciativa da Coordenação de Assuntos Jurídicos, dirigida por Leonil Dias.
- 27/1 – Live sobre a saúde mental da mulher trabalhadora da educação, iniciativa da Secretaria da Mulher, sob a coordenação de Edilene Arjoni.
Fevereiro
A Secretaria de Relações de Trabalho, coordenada por Fábio Zambon, realizará as seguintes atividades:
- 6/2 – Palestra em parceria com a Fundacentro, com o pesquisador Domingos Lino, sobre a importância da NR-1 e o papel dos sindicatos na fiscalização de sua aplicação.
- 27/2 – Atividade formativa voltada ao fortalecimento da Comissão Interna de Prevenção de Acidentes e de Assédio – CIPA, destacando a importância da organização no local de trabalho e da estabilidade dos cipeiros.
Março
- 3/3 – Conselho de entidades. Na ocasião, a Secretaria de Relações do Trabalho apresentará Banco de Dados de Convenções e Acordos Sindicais, elaborado a partir do Sistema Mediador do Ministério do Trabalho para subsidiar a atuação sindical assim como estabelecer a troca de práticas, cláusulas e redações.
Fortalecimento institucional e ação coletiva
Ao longo do encontro, foi reforçada a importância da participação ativa de todos os membros da Diretoria Plena para o planejamento estratégico, alinhamento político e fortalecimento institucional da CONTEE.
A reunião reafirmou o compromisso da Confederação com a defesa da educação e dos direitos das trabalhadoras e trabalhadores, além da atuação firme frente aos impasses da conjuntura nacional e internacional.
Por Romênia Mariani





