“É belo que sejamos professores sem medo”, por Neizy Cardoso

Neizy Cardoso escreve sobre os desafios de ensinar e a necessidade de fugir “da mesmice, do tédio e da rotina”
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Em pleno século XXI, quando muitos desacreditam da educação e até mesmo torcem para que o ensino a distância seja priorizado, ouvimos, em linguagem poética, palavras sábias e firmes do Prof. Carlos Alberto R. Alves, palestrante do Paraná que, vindo de Curitiba, passou-nos alguns princípios que merecem ser refletidos por todos.
As reflexões, feitas há um bom tempo, nos tirarão da “mesmice, do tédio e da rotina”. Essas são três palavras-chaves que devem ser abolidas do vocabulário do professor moderno, crítico e ousado.
É importante que tenhamos assimilado a lição de que “ser professor” é algo que nos reporta ao “ensinar pelo prazer da autonomia”, além da importante noção de que o “sujeito da aprendizagem” é o aluno ou aprendiz.
É belo que sejamos professores sem medo, pois educação não se faz sem “aconchegos afetivos”. E sei que todos nós professores trazemos no nosso interior a afetividade, a ternura, a amizade, a tolerância e demais componentes muitas vezes ignorados pelos governantes, no caso da escola pública e pelo patronato, no caso das escolas privadas.
Nós professores temos sim de nos “reencantar” com a educação, deixando de lado as “couraças” que às vezes nos reprimem. Temos de pensar na “afetividade” como geradora da eficácia que nutre as habilidades do aprendiz em leitura e escrita. E como é importante sentirmos, de fato, que o ato da leitura é um ato de afeto, de amor, de sensibilidade que nos leva à educação reencontrada.
As tecnologias ou as “comunicações de massas”, no mundo conectado, muitas vezes nos induzem ao erro e, por isso, só nos professores poderemos, pelo profissionalismo, capacitação, didática e competência, reeducar toda uma sociedade tão carente de senso crítico e ações eficazes. E assim estaremos reencantando a cidade, o estado e o Brasil – mesmo com sua ironia de “Pátria Educadora”, slogan esse com o qual não pactuo, já que houve tantos cortes de verbas (chegam ao bilhões) para a educação nos últimos 60 dias.
Mas voltemos ao encantamento do mestre em um momento tão crucial para todos: lembremo-nos que os professores conhecem Saviani, Darci Ribeiro e sua LDB, Piaget, Montessori, Emília Ferreiro, Paulo Freire, e que temos a didática como companheira constante para sairmos da rotina.
Tal arte de ensinar pressupõe confiança e prazer, com base na razão e sensibilidade. A confiança na aprendizagem faz o encantamento da escola e este não pode ser confundido com ações que permitem ao aprendiz chamar a professora de “tia”. Esta foi minha fala durante todo meu tempo de professora de Curso Normal do Magistério, desde 1986 até 2008. Assim, na Escola Marcos Gasparian, que neste 2015 completa 60 anos, no Bispo Dom Gabriel, escola esta que não poderá ser fechada em tempo algum, e no Divino Salvador, onde trabalhei com o Magistério desde 1989 até 2008, sempre e sem medo de errar, exigia de meus aprendizes a leitura obrigatória de Paulo Freire e seu livro “Professora sim, tia não”.
Ações eficazes como essas nos fazem acreditar que juntos podemos melhorar a educação, unindo o material humano maravilhoso que temos, assim como ampliarmos nossas casas de livros, as bibliotecas, nossos espaços culturais partindo da premissa de que o (re)encantamento da escola é dever de todos nós.
Para provarmos que não estamos sozinhos, somos orgulhosos de ser professor e de trabalhar com a educação não rotineira e sim aquela que possibilita iniciativas como a realização da Olimpíada de Redação de Jundiaí, uma lei promulgada em 2003 de autoria desta articulista, quando vereadora.
Assim, fazemos nossa lição de casa com ações e exemplos indispensáveis no ato de educar. Parabéns professores pelo seu dia.
Neizy Cardoso é presidente da AFLAJ – Academia Feminina de Letras e Artes de Jundiaí – e diretora do SINPRO





