Em um mundo em crise, 58 países terão eleições em 2026

Eleições em massa ocorrem em meio à crise do multilateralismo, à interferência dos EUA e ao avanço de novas tecnologias sobre o processo democrático

Por: Glauco Faria

Em meio a uma crise do multilateralismo e com os Estados Unidos consolidando de forma aberta seu ímpeto de interferir em outros países, 58 nações terão eleições em 2026 com suas peculiaridades, temas locais e diversos pontos em comum, como a possível influência de plataformas de redes sociais e de chatbots de inteligência artificial.

No total, trata-se de uma população combinada de 1,6 bilhão de pessoas que vai às urnas, com eleições gerais, presidenciais e parlamentares. A partir dos resultados, não só a realidade de cada nação poderá mudar, mas novas alianças regionais podem se formar ou se dissolver.

Em 11 e 25 de janeiro, Myanmar terá a segunda e a terceira fases do seu processo eleitoral, o primeirodesde o golpe militar que derrubou o governo eleito em 2021, provocando uma guerra civil no país. Os próprios militares que tomaram o poder há quatro anos organizam as eleições. Já no dia 15, Uganda realiza eleições presidenciais e parlamentares em meio a diversas denúncias de repressão à oposição por parte do presidente Yoweri Museveni, de 81 anos, no poder há quatro décadas, e candidato à reeleição. Práticas como tortura e detenções arbitrárias para intimidar adversários estariam sendo realizadas pelo Executivo, segundo relatório da Anistia Internacional.

Portugal vai escolher entre 11 candidatos quem será o próximo presidente do país, em um pleito marcado para o dia 18, com segundo turno programado para 8 de fevereiro.

Em fevereiro, Costa Rica (1º) e Tailândia (8) realizam eleições gerais, assim como Bangladesh, que faz seu primeiro processo eleitoral desde que um levante estudantil pôs fim aos 15 anos de governo de Sheikh Hasina, em 2024. O eleitorado do país asiático também decidirá sobre a “Carta de Julho”, um plano de reformas que limita o Poder Executivo, fortalece o Judiciário, buscando proteger as forças de segurança da interferência política. Laos realiza eleições parlamentares no dia 22 do mesmo mês.

Eleições e geração Z

Em março é a vez do Nepal realizar eleições gerais, no dia 5, depois dos protestos liderados pela Geração Z em setembro de 2025 , que derrubaram o primeiro-ministro KP Sharma Oli. Muitos dos manifestantes ou de pessoas que ganharam projeção no período agora buscam mobilizar o eleitorado. Um exemplo é a aliança entre o rapper que se tornou prefeito de Katmandu, Balendra Shah, que se juntou ao Partido Rastriya Swatantra (RSP), liderado por um ex-apresentador de TV, Rabi Lamichhane.

O Vietnã vai às urnas para eleições parlamentares em 15 de março, o mesmo valendo para a Eslovênia, no dia 22. Na mesma data, a República do Congo elege seu novo presidente.

Já no Peru, o primeiro turno da disputa presidencial será realizado em 2 de abril, com um número recorde de pelo menos 34 candidatos inscritos até agora. Quem vencer será o nono presidente peruano em uma década. Diante da fragmentação, o mais provável é a realização de um segundo turno no dia 7 de junho.

No continente africano, o Benim vota para presidente em 12 de abril, depois de uma tentativa fracassada de golpe em dezembro de 2025. Um grupo de militares autointitulado Comitê Militar para a Refundação chegou a anunciar na televisão pública a dissolução do governo e a destituição do presidente, mas pouco depois, o ministro do Interior do país anunciou que o golpe tinha sido barrado.

No mesmo dia, a Hungria, comandada pelo autoritário primeiro-ministro Viktor Orbán, pode ter sua eleição mais acirrada desde sua vitória em 2010, com o partido Tisza, do seu rival Peter Magyar, ganhando expressão. O mandatário é alinhado ao presidente dos EUA, Donald Trump, e costuma contestar as posições dominantes da União Europeia em assuntos como migração, padrões democráticos e na guerra na Ucrânia.

Também estão previstas para abril e pendentes de marcação de datas as eleições presidenciais e parlamentares na Líbia, o pleito presidencial no Djibuti e parlamentar em Cabo Verde.

A disputa na Colômbia

O Chipre realiza eleições parlamentares em 24 de maio e, uma semana depois, a Colômbia elege seu novo presidente, já que o país não permite reeleição. O atual mandatário Gustavo Petro apoia a candidatura de Iván Cepeda, do Pacto Histórico de Petro, que enfrenta o centrista Sergio Fajardo e o direitista Abelardo de la Espriella.

Em jogo no pleito do país vizinho estão desde a continuidade dos acordos de paz paralisados ​​com as FARC até a administração de um clima cada vez mais beligerante com os Estados Unidos, ao mesmo tempo em que existe uma indefinição em relação ao futuro da vizinha Venezuela.

Camarões realiza eleições parlamentares até maio e o Líbano também. A Etiópia vai às urnas em 1º de junho para eleições gerais e a Armênia também, no dia 7. Na Argélia, o pleito parlamentar deve ser realizado até junho enquanto Fiji prevê a realização de eleições gerais entre junho deste ano e fevereiro de 2027.

No mês de agosto, Zâmbia (13) e Estônia (30) têm eleições gerais e no dia 30, o Haiti, que vive em crise humanitária e sofre com a violência de gangues, tenta realizar sua primeira eleição em quase uma década. No entanto, o Conselho Eleitoral Provisório do país alertou que será preciso garantir a segurança e recursos financeiros para que o pleito seja efetivado.

A Suécia vota em 13 de setembro. No Marrocos e na Rússia há previsão de realização de pleitos parlamentares para setembro, e em São Tomé e Príncipe elas podem ser feitas até o mesmo mês.

As eleições no Brasil e em Israel

A Letônia terá eleições parlamentares em 3 de outubro e, no dia 4, o Brasil vai às urnas para renovar as Assembleias Legislativas, a Câmara dos Deputados e 2/3 do Senado, além de votar no primeiro turno para governadores e presidente.

Mais uma vez, os Estados Unidos podem aparecer de forma direta na disputa ou por meio das Big Techs, que resistem a aceitar debater regulações mais efetivas. E o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) será presidido pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Kassio Nunes Marques, nomeado e alinhado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Na corte, terá ainda parte dos ministros com quem tem proximidade, fato que pode reforçar os seus poderes durante o mandato.

As eleições parlamentares em Israel estão previstas para 27 de outubro, mas devem ocorrer antes. O primeiro-ministro mais longevo no cargo, Benjamin Netanyahu, pode antecipar as eleições para junho e seu partido Likud pode perder a primazia no parlamento do país.

A Dinamarca deve realizar eleições gerais até 31 de outubro, enquanto Bósnia e Herzegovina e Bahamas devem promover pleitos no mesmo mês.

O desafio doméstico de Trump

Se Donald Trump tem voltado suas atenções para outros países neste primeiro ano de seu segundo mandato, o mês de novembro reserva seu principal desafio político. Todas as 435 cadeiras da Câmara dos Representantes e 35 das 100 cadeiras do Senado estarão em disputa nas próximas eleições de meio de mandato nos EUA, no dia 3.

As eleições são cruciais, pois podem determinar a retomada do controle do Congresso pelos democratas. Pesquisas recentes sobre a intenção de voto para o Congresso mostram uma ligeira vantagem para a legenda que hoje está acanhada na oposição. Contudo, com os esforços de redistribuição de distritos em andamento em vários estados, a porcentagem de votos nacionais necessária para que os democratas retomem a Câmara ainda é incerta.

Também em novembro, a Bulgária terá eleições presidenciais e parlamentares e Gâmbia, em dezembro realiza seu pleito presidencial. Nova Zelândia e Sudão do Sul promovem eleições gerais em 19 e 23 de dezembro, respectivamente.

Alguns países ainda vão definir quando farão eleições, embora haja previsão que sejam feitas em 2026 como Índia, Iraque, Nova Caledônia, Moldávia, Somália, Niue, Ilhas Cook e Argélia.

Fonte
Revista Fórum

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