Escola Sul sedia debate da CUT sobre precarização e novos rumos da formação

Em Florianópolis, na Escola Sul, a rede nacional da CUT reuniu-se para planejar a estratégia sindical frente ao avanço da informalidade, MEI e o desafio de disputar mentes e corações na era tecnológica

Na última semana, a Escola Sindical Sul da CUT, em Florianópolis, sediou e participou da 2ª Oficina Nacional de Planejamento do Projeto Formação de Formadores e Formadoras. Recebendo lideranças de todo o país para debater os desafios da classe trabalhadora frente à precarização e ao avanço da extrema direita.

O encontro, organizado pela Secretaria Nacional de Formação da CUT (SNF) em parceria com a DGB Bildungswerk, trouxe para o centro da capital catarinense reflexões profundas sobre como a formação pode ser a ferramenta principal para “conquistar mentes e corações”, se aproximar da classe trabalhadora e incidir politicamente junto à base.

Formação: O Antídoto contra a Extrema Direita

A secretária de Organização e Política Sindical da CUT, Graça Costa, abriu os debates destacando que a disputa de valores na sociedade hoje ocorre no campo simbólico e cotidiano. Segundo ela, a formação política é decisiva para enfrentar o avanço conservador que afeta o Brasil e a América Latina.

Complementando a análise, o professor Fausto Augusto Júnior (presidente do Conselho Nacional do SESI) trouxe uma perspectiva histórica valiosa. Ele comparou o papel da educação hoje ao que a fábrica representava no século passado: o centro da disputa ideológica.

“A educação é um campo de disputa ideológica. O ataque ao professor é um ataque à sua legitimidade de promover o debate público e político”, afirmou Fausto.

O Desafio da Informalidade: MEI, Aplicativos e Invisibilidade

Um dos momentos mais marcantes sediados da Oficina foi a roda de experiências sobre as novas configurações do trabalho. O debate trouxe à tona categorias que costuma ficar de fora da organização sindical tradicional:

Trabalho por aplicativos: Carlos Cavalcanti (FENASMAPP) relatou como a precarização empurrou rodoviários desempregados para as plataformas e a importância de criar sindicatos para essa categoria “descarrilhada”.

O “Mito” do Empreendedorismo: Juliano Fripp (UNICAB) criticou a lógica do MEI para camelôs e ambulantes: “Disseram ao camelô para virar empreendedor, mas o espaço para trabalhar não veio junto”.

Trabalho em domicílio: Edna Souza (ATEMDO) lembrou que boleiras e costureiras são trabalhadoras com direitos previstos na CLT, mas que ainda carecem de visibilidade e políticas públicas.

Juventude e Precarização: Julia Aguiar (Levante Popular da Juventude) destacou que a nova geração não é avessa à política, mas busca novas formas de diálogo para resistir à alta rotatividade e aos baixos salários.

Unidade para Organizar a Classe

Encerrando as atividades, Rosane Bertotti, secretária de Formação da CUT Brasil, reforçou a máxima que move a Escola Sindical Sul: a organização sindical deve alcançar a todos e todas.

“Se é de plataforma, camelô, metalúrgico ou professor — onde tem trabalhador, deve ter a representação da CUT”, pontuou Rosane.

Para a Escola Sindical Sul, sediar este encontro foi um ato político que reafirma nossa rede de formação como o espaço onde a estratégia para os desafios de 2026 e além começa a ser desenhada.

Fonte
Escola Sul

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