“Eu seria privilegiada só porque sou branca?”, por Carolin Evander

Compartilhamos abaixo o artigo da sindicalista sueca Carolin Evander que nos traz uma reflexão sobre um tema que precisa ser amplamente analisado, debatido e trabalhado diariamente: racismo. Carolin também é feminista e luta pela transformação da sociedade para que seja justa, fraterna e igualitária. Além de dirigente sindical, Carolin Evander já foi presidenta do Sindicato dos Metroviários de Estocolmo e atualmente é Assessora de Negociação da Central Sindical. www.seko.se
por Carolin Evander
Como branca, nunca tinha sido submetida ao racismo. Minha mãe é da Polônia, mas isso não pode ser visto ou ouvido sobre mim. Ninguém me pergunta aonde vou ou de onde meus pais estão vindo. Tal como os homens precisam entender que as mulheres são submetidas à opressão e impedidas de caminhar nesta terra sob as mesmas condições que eles, nós, brancos, precisamos perceber como os que não são brancos são vítimas do racismo. É o chamado privilégio branco, algo muito sensível para se falar. « Eu seria privilegiada, só porque sou branca? » A resposta é sim. Inserido em um locus simbólico em que o privilégio é justamente não ser submetido ao racismo, pode sair da e pela cidade sem ser assediado/ ameaçado/ exposto à violência por causa de sua cor. Essa é a norma na nossa sociedade e, infelizmente, no mundo inteiro.
Quando eu vivia na Tailândia, nos meus 18 anos, recebi muitos comentários sobre a cor da minha pele. Foi muito difícil. Tailandeses me diziam o quão linda eu era porque era tão branca. Não havia comentários sobre a cor da minha pele na Suécia, ninguém pegava meu cabelo ou dizia o quanto eu era exótica. Mas na Tailândia vendem-se cremes de clareamento que prometem tornar a pele mais brilhante. Quanto mais brilhante, melhor. Quanto mais branca, melhor. Turistas brancos frequentemente expressam como é difícil ser visto como uma carteira ambulante e não como um indivíduo. Claro. Mas acredite: é melhor caminhar nas férias sendo visto como carteira do que como um potencial ladrão.
Nem todas as pessoas brancas vivem uma vida privilegiada, tudo depende da classe à qual pertencemos. Mas a classe trabalhadora não-branca vive sob condições piores do que a classe trabalhadora branca, assim como as mulheres trabalhadoras vivem sob quaisquer condições piores do que os homens trabalhadores. Isso não significa que nenhum branco tenha consciência, mas é fundamental ter a percepção de que o mundo, infelizmente, não parece o mesmo para todos. Quando se fala sobre o racismo, muitos brancos dizem: « Mas essa pessoa, provavelmente, não quis ofender. Você está exagerando ». Isso não significa que o racismo não existe.
A melhor coisa a fazer quando alguém se queixa do racismo sofrido, é confirmar sua experiência e dar-lhe o seu apoio. Agora que sabe que existe um privilégio branco, pense no que você pode fazer para quebrá-lo ou usá-lo para apoiar seus companheiros(as) seres humanos que são vítimas de racismo.
Tradução: Tascia Souza
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