Festival de Berlim: Cinema brasileiro em tempos áureos
O Brasil vive tempos áureos na produção cinematográfica. A conquista de três importantes prêmios na 76ª edição do Festival Internacional de Cinema de Berlim (Berlinale), realizada entre 12 e 22 de fevereiro, reafirma o reconhecimento artístico, a diversidade estética e a crescente projeção global do audiovisual nacional.
Entre os destaques, Feito Pipa, dirigido por Allan Deberton, recebeu o Urso de Cristal e o Grande Prêmio do Júri Internacional. Já Fiz um Foguete Imaginando que Você Vinha, de Janaína Marques, conquistou o prêmio do júri de leitores do Tagesspiegel. O longa Narciso, de Marcelo Martinessi, foi eleito Melhor Filme pela Federação Internacional de Críticos de Cinema (Fipresci).
Ao todo, dez produções brasileiras integraram diferentes mostras do festival, como Generation, Panorama, Fórum e Perspectives, evidenciando a pluralidade de narrativas, territórios e linguagens que caracterizam o cinema brasileiro contemporâneo.
A presença expressiva em Berlim demonstra não apenas a qualidade das obras, mas também a capacidade de o Brasil retratar temas universais a partir de suas próprias experiências históricas e culturais.
Do Berlinale ao Oscar: consolidação internacional
O êxito na Alemanha dialoga com o sucesso recente de produções brasileiras na maior premiação do cinema mundial. Ainda Estou Aqui, dirigido por Walter Salles, entrou para a história ao conquistar o Oscar de Melhor Filme Internacional em 2025. A obra também foi indicada nas categorias de Melhor Filme e Melhor Atriz, ampliando de forma inédita a visibilidade do cinema brasileiro junto à Academia de Hollywood.
Neste ano, O Agente Secreto, de Kleber Mendonça Filho, alcançou múltiplas indicações ao Oscar 2026, incluindo Melhor Filme e Melhor Filme Internacional, além de categorias técnicas e de atuação. Esse protagonismo não é pontual: confirma um processo consistente e contínuo de maturidade artística, na escrita do roteiro, na direção, na fotografia e na potência do elenco.
Cultura como primeira necessidade
Na visão da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Estabelecimentos de Ensino (Contee), o protagonismo brasileiro em um dos principais festivais de cinema do mundo é mais um indicativo de que a cultura é fundamental e deve ser fomentada. A entidade destaca que investir em audiovisual significa investir em educação, identidade e soberania.
“A produção cultural é necessidade essencial da sociedade. É por meio dela que se constroem valores, fortalecem-se narrativas democráticas e amplia-se o acesso ao conhecimento”, pontua a entidade.
A Contee ressalta ainda que políticas públicas permanentes são decisivas para assegurar a pluralidade de vozes, a diversidade regional e a democratização do acesso à arte. As conquistas recentes, tanto na Berlinale quanto no Oscar, evidenciam que o Brasil vive um ciclo virtuoso no cinema, resultado direto de investimento público, de políticas culturais estruturadas e de um projeto democrático que compreende a cultura como direito social e instrumento de soberania nacional.
Por Romênia Mariani





