Greve geral paralisa a Argentina contra a reforma trabalhista de Milei
Confederação Geral do Trabalho e Central dos Trabalhadores Argentinos convocaram a greve; mobilizações pressionam deputados a votarem contra o projeto
A Argentina está em greve geral nesta quinta-feira (19). Os trabalhadores realizam protestos em todo o país contra a reforma trabalhista do presidente de extrema direita Javier Milei, aprovada na semana anterior. A convocação para a greve foi realizada pela Confederação Geral do Trabalho (CGT) e pela Central dos Trabalhadores Argentinos (CTA).
A greve geral, com previsão inicial para durar 24 horas, é uma resposta ao retrocesso encabeçado pelo governo Milei e aprovado no Senado. Nesta quinta, a Câmara dos Deputados argentina deverá votar o projeto. As centrais e os movimentos populares preparam grandes marchas em direção ao Congresso Nacional Argentino, na capital Buenos Aires.
Os trabalhadores paralisaram o país e estão nas ruas para mostrar aos parlamentares que rejeitam com veemência a proposta, que reduz direitos e a proteção ao emprego, enquanto amplia os poderes patronais.
As mobilizações contam com forte apoio de organizações populares e dos sindicatos ligados aos transportes e portos. Ônibus, trens e metrôs estão parados.
A Aerolíneas Argentinas, estatal que Milei tenta privatizar, cancelou 255 voos, impactando 31 mil passageiros. Empresas como Latam e Gol, que também operam voos do Brasil para o país vizinho, cancelaram voos uma vez que os trabalhadores da Intercargo (empresa responsável pelos serviços de rampa nos aeroportos argentinos) aderiram à greve.
Até mesmo o campeonato de futebol argentino foi paralisado por conta da greve. Quatro partidas foram adiadas: Independiente x Independiente Rivadavia; San Lorenzo x Estudiantes de Río Cuarto; Defensa y Justicia x Belgrano; e Instituto x Atlético Tucumán.
Esta greve geral é considerada a maior já realizada durante o governo Milei. O grande apoio popular acontece devido à draconiana reforma, que, entre outros aspectos, flexibiliza a jornada de trabalho e permite uma carga horária diária de até 12 horas.
A reforma ainda reduz as indenizações e facilita demissões; reduz o combate à informalidade ao eliminar multas; amplia o período de experiência para até seis meses (podendo chegar a até 12 em algumas categorias); e também diminui licenças médicas e pagamentos em casos de acidentes de trabalho.
Outro ponto que causa insatisfação é o cerco às greves, com a exigência mínima de 50% a 75% de presença de trabalhadores para setores considerados essenciais. Além disso, a medida visa enfraquecer convenções coletivas nacionais ao substituí-las por negociações diretas entre sindicatos locais e empresas.
Durante a votação no Senado na semana passada, os trabalhadores foram covardemente reprimidos pela polícia. Cenas de agressões foram registradas e dezenas de pessoas foram detidas.
Mas enquanto o país ferve com a votação e os protestos, Milei está nesta quinta-feira junto ao presidente dos Estados Unidos, em Washington, com representantes de 40 países no infame “Conselho da Paz”, para debater a questão de Gaza.
Durante o encontro apelidado pejorativamente de “ONU de Trump”, o presidente dos EUA afirmou que o grupo pretende tratar da paz em todo o mundo, não somente no Oriente Médio. No entanto, as posições de Trump com esse grupo ainda são incertas. Esta é a décima quarta visita de Milei aos EUA durante seu pouco mais de dois anos de mandato.





