Nádia Campeão alerta: 2026 é decisivo contra a extrema direita e por soberania

Em entrevista ao Entrelinhas Vermelhas, a dirigente do PCdoB destaca riscos geopolíticos, ofensiva imperialista e a necessidade de unir forças democráticas para garantir novo mandato progressista

Para Nádia Campeão, eleita presidenta interina do PCdoB, o ano eleitoral de 2026 não será apenas mais um pleito — será um momento decisivo na defesa da democracia e da soberania nacional. Em entrevista ao programa Entrelinhas Vermelhas, reprisado nesta quinta-feira (15), ela afirmou que impedir o retorno da extrema direita ao poder é uma “exigência histórica”, diante do que chamou de “programa antinacional, antidemocrático e destrutivo” já experimentado no governo Bolsonaro.

“O Brasil não pode voltar àquele caminho”, disse, lembrando o golpe de 8 de janeiro de 2023 como prova de que as forças derrotadas em 2022 seguem ativas e perigosas. Segundo ela, a vitória das forças progressistas em 2026 é condição indispensável para avançar em um projeto de desenvolvimento soberano, com justiça social e respeito aos direitos do povo.

Assista a íntegra da entrevista:

Soberania ameaçada pela ofensiva imperialista

Nádia destacou que o cenário internacional se tornou ainda mais hostil nos últimos meses, com a retomada da política agressiva de Donald Trump nos EUA. O chamado “tarifaço” — sobretaxas de até 50% sobre produtos brasileiros — é visto por ela como parte de uma estratégia mais ampla de conter a autonomia dos países do Sul Global.

“Fica evidente que, mesmo quando o Brasil reage com medidas técnicas e diplomáticas, o desafio maior é estrutural: como exercer plena soberania num mundo dominado pelo imperialismo norte-americano?”, questionou. Ela lembrou que, apesar dos esforços do governo Lula, o país ainda opera sob o jugo de uma lógica financeira que impede o desenvolvimento: “Como promover investimentos em ciência, indústria ou saúde com juros reais de 15%? É impossível.”

Para ela, a resposta passa por reformas estruturais profundas, incluindo ruptura com a lógica do capital financeiro internacionalizado e fortalecimento do Estado como indutor do desenvolvimento.

Desenvolvimento só com investimento público e popular

Nádia rejeitou a dicotomia entre “gastos sociais” e “investimento produtivo”. Na sua visão, políticas públicas em educação, saúde, segurança e habitação são pilares do desenvolvimento econômico real, pois elevam a qualidade do trabalho, a produtividade e a vida da população.

“Não basta vencer as eleições — embora isso seja fundamental”, afirmou. “É preciso construir um novo pacto social que una trabalhadores, setor produtivo nacional e forças democráticas em torno de um projeto de país.” Ela criticou setores empresariais que, segundo ela, permanecem “inseguros ou silenciosos” diante do avanço das forças retrógradas, mesmo sendo vítimas de sua agenda ultraliberal.

Internacionalismo em tempos de guerra e genocídio

A dirigente também abordou o papel do Brasil no cenário global, defendendo uma postura firme contra guerras, agressões imperialistas e genocídios. Citando especificamente o massacre em Gaza, ela afirmou que o PCdoB tem atuado na solidariedade internacional e na denúncia do governo israelense, “que comete crimes de lesa-humanidade com apoio tácito de potências ocidentais”.

Ela ressaltou que o partido mantém relações estreitas com forças comunistas e progressistas em todo o mundo — da China ao Chile, de Cuba à Alemanha — e que essa rede de solidariedade é essencial para enfrentar os desafios globais. “O internacionalismo não é retórica; é prática concreta de resistência”, disse.

Unidade, juventude e mulheres: pilares da resistência democrática

Nádia destacou que a renovação da militância — com protagonismo de mulheres, jovens e trabalhadores — é crucial para o sucesso da luta em 2026. Ela celebrou a paridade de gênero nas instâncias de direção do PCdoB e o engajamento crescente da juventude, mas sublinhou que o objetivo não é apenas fortalecer o partido, e sim ampliar a base social capaz de defender a democracia.

“O momento exige coragem coletiva”, concluiu. “Não podemos permitir que o Brasil volte a ser refém de forças que odeiam o povo, desprezam a natureza e servem a interesses estrangeiros. 2026 será a nossa trincheira — e vamos vencê-la com unidade, clareza e firmeza.”

Fonte
Vermelho

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