Nas ondas da História, da democracia e da educação: Dia Mundial do Rádio
Antes dos fios, das telas e dos cliques, vieram as ondas. Ondas que atravessam montanhas, rios, florestas e desertos. Ondas que carregam vozes, músicas, notícias, sonhos. Ondas atemporais, que seguem pulsando no ar: as ondas do rádio.
No Dia Mundial do Rádio, celebrado hoje, 13 de fevereiro, é oportuno reconhecer a grandeza desse meio, que permanece fundamental para democratizar a informação, fomentar a educação e a cidadania. A data, instituída pela UNESCO em 2011, homenageia a primeira transmissão da Rádio das Nações Unidas, em 1946, e destaca o papel desse veículo na promoção da liberdade de expressão.
O rádio nasceu no final do século XIX, fruto das descobertas sobre as ondas eletromagnéticas. Cientistas e inventores, como Nikola Tesla, o brasileiro Padre Landell de Moura e outros pioneiros, abriram caminhos para uma das maiores revoluções da comunicação. Em 1896, o italiano Guglielmo Marconi registrou as primeiras patentes de um sistema funcional de telegrafia sem fio. Em 1906, Reginald Fessenden realizou a primeira transmissão de voz e música, inaugurando a radiofonia sonora. Já na década de 1920, após a Primeira Guerra Mundial, o rádio consolidou-se como meio de comunicação de massa.
No Brasil, a primeira transmissão oficial ocorreu em 7 de setembro de 1922, durante o centenário da Independência, com a veiculação de um discurso do então presidente Epitácio Pessoa, no Rio de Janeiro.
No ano seguinte, foi fundada a Rádio Sociedade do Rio de Janeiro, uma das precursoras do país, com forte compromisso educativo e cultural. Desde então, o rádio brasileiro tornou-se companheiro cotidiano do povo, presente nas cidades, no campo, nas periferias e nas regiões mais distantes — muitas vezes como o único canal de acesso à informação.
Ao longo de sua história, o rádio esteve profundamente ligado aos processos educativos, à formação crítica e à circulação do conhecimento. Em escolas, universidades, sindicatos, movimentos sociais e comunidades, transformou-se em ferramenta pedagógica, espaço de debate e instrumento de conscientização.
Rádios educativas, universitárias e comunitárias cumprem papel basilar na valorização da cultura local, na difusão científica, na promoção dos direitos humanos e na defesa da educação pública, democrática e de qualidade — bandeiras históricas da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Estabelecimentos de Ensino (Contee).
Para os trabalhadores e trabalhadoras da educação, o rádio sempre foi mais do que um meio de comunicação: é espaço de voz, resistência e organização. É por meio dele que pautas sindicais circulam, mobilizações se fortalecem, direitos são defendidos e a luta coletiva ganha alcance.
Com o avanço da tecnologia, o rádio não desapareceu. Ao contrário, reinventou-se. Hoje, ele também vive nas transmissões online, nas plataformas digitais e nos podcasts, que ampliam o alcance das vozes e permitem que educadores, pesquisadores, estudantes e movimentos sociais compartilhem experiências, reflexões e propostas.
Os podcasts representam a continuidade das ondas em novos territórios, mantendo viva a essência do rádio: a escuta, o diálogo, a formação crítica e o compromisso social.
Neste ano de 2026, o Brasil viverá mais um importante processo democrático, com eleições para deputados, senadores, governadores e presidente da República. Nesse cenário, o rádio, em suas múltiplas formas, assume papel estratégico na garantia do direito à informação.
Ele chega onde a internet não alcança, orienta, contextualiza e fortalece a participação popular. Ao alcançar os lugares mais remotos, reafirma sua vocação democrática: ninguém deve ficar à margem do debate público, especialmente quando estão em jogo políticas educacionais, direitos trabalhistas e o futuro das novas gerações.
Vivemos tempos marcados pela circulação acelerada de notícias falsas, discursos de ódio e conteúdos manipulados. A desinformação ameaça direitos, fragiliza instituições e compromete a democracia.
Diante dessa conjuntura, torna-se cada vez mais necessário valorizar o jornalismo ético, responsável e comprometido com a verdade. Checar fontes, buscar informações confiáveis e fortalecer os meios voltados ao interesse público são atitudes essenciais. Que as ondas do rádio sejam de águas límpidas neste ano decisivo para o Brasil.
Mais do que um instrumento técnico, o rádio é patrimônio cultural, social, educativo e democrático. Ele atravessa gerações, incorpora tecnologias e preserva sua missão: conectar pessoas, espalhar conhecimento e fortalecer a vida coletiva.
Na visão da Contee, defender o rádio é defender o direito à comunicação sem ruídos, à educação crítica e à participação social efetiva. É reafirmar que informação de qualidade é parte inseparável da luta por uma sociedade mais justa, solidária e democrática.
Por Romênia Mariani





