Os balões falantes das histórias em quadrinhos…
Hoje, 30 de janeiro, celebramos o Dia Nacional das Histórias em Quadrinhos, uma data dedicada a valorizar este gênero literário que combina diversão, imaginação e aprendizado
Antes mesmo de aprender a ler o mundo, muita gente aprendeu a ler balões falantes. Entre a gargalhada da Mônica correndo atrás do coelho azul e as invenções do Menino Maluquinho desfilando com a panela na cabeça como coroa de rei, gerações descobriram que ler é divertido. E é aí que mora a magia dos quadrinhos: eles chegam sorrindo e conquistam leitores para a vida inteira.
Sexta-feira pede leveza. Pede um café sem pressa, uma boa história para acompanhar o chá da tarde, de preferência cheia de cor, traços e aquela sensação gostosa de virar página. É assim que o Dia do Quadrinho Nacional, celebrado todo 30 de janeiro, nos convida a olhar para a arte que mistura texto e imagem e que fez e ainda faz tanta gente se apaixonar pela leitura.
Essa data vibrante celebra um dos gêneros mais democráticos da literatura, as histórias em quadrinhos ou HQs. Elas não só entretêm, como inspiram leitores de todas as idades a imaginar, questionar e refletir. Para muitas crianças, é nos gibis que começa o amor pelos livros; para jovens e adultos, é um espaço de crítica, riso e significado.
Por que 30 de janeiro?
No longínquo dia 30 de janeiro de 1869, o cartunista Angelo Agostini publicou As Aventuras de Nhô-Quim ou Impressões de uma Viagem à Corte, considerada a primeira história em quadrinhos brasileira de longa duração e uma das primeiras no mundo. A série de capítulos, publicada na revista Vida Fluminense, usava humor e observação social para narrar as aventuras de um caipira recém-chegado à então capital Rio de Janeiro, tecendo críticas perspicazes à sociedade da época.
Décadas depois, em 1984, a Associação dos Quadrinhistas e Cartunistas do Estado de São Paulo instituiu simbolicamente o Dia do Quadrinho Nacional, em homenagem a Agostini. No ano seguinte, surgiu o Prêmio Angelo Agostini, um dos mais tradicionais reconhecimentos aos talentos dos artistas brasileiros da nona arte.
Rumo à oficialização como lei
O quadrinho nacional caminha para ganhar caráter oficial no calendário brasileiro. O Projeto de Lei nº 2.328/2024, de autoria da deputada federal Juliana Cardoso (PT-SP), foi aprovado na Câmara dos Deputados e segue em tramitação no Senado Federal, com expectativa de votação ainda no primeiro semestre de 2026.
O texto da proposta prevê que, no dia 30 de janeiro, o poder público promova atividades culturais que destaquem a arte dos quadrinhos em suas diversas formas. Além disso, estabelece que políticas públicas ampliem o apoio à cadeia produtiva dos quadrinhos, fortalecendo a criação, o emprego e a renda dos artistas brasileiros dessa área. O projeto não apenas celebra a memória dessa arte, como também ajuda a construir um futuro mais sólido para quem vive e cria quadrinhos no Brasil.
Quadrinhos para rir, pensar e sentir
Os quadrinhos ensinam de maneira descontraída. Na sala de aula, nas mãos de crianças curiosas ou no colo de leitores adultos em busca de uma pausa no fim de semana, eles transformam palavras em mundo e nos convidam a viajar por histórias que emocionam e inspiram.
Viagens contemporâneas
- Marcelo D’Salete – Obras premiadas que retratam a resistência negra no período colonial brasileiro. Cumbe mostra a vida de pessoas escravizadas enfrentando violência e opressão, enquanto Angola Janga narra a saga do Quilombo dos Palmares e de líderes como Zumbi, misturando rigor histórico e narrativa envolvente.
- Fábio Moon e Gabriel Bá – Os gêmeos quadrinistas se destacam internacionalmente, com prêmios como o Eisner, considerado o Oscar dos quadrinhos. Em Dois Irmãos, adaptam a obra homônima de Milton Hatoum em uma graphic novel sensível e impactante. Daytripper (2010) é outro título emblemático que explora vida, escolhas e vínculos humanos com poesia e emoção.
- Laerte – Manual do Minotauro reúne mais de 1.500 tiras publicadas entre 2004 e 2015, período em que a cartunista deixou de lado o humor tradicional para explorar filosofia, metafísica e poesia visual, consolidando uma das carreiras mais inovadoras do quadrinho brasileiro.
- Millôr Fernandes – Esta é a verdadeira história do paraíso revisita a narrativa bíblica com humor e descrença, questionando dogmas religiosos. A nova edição da Editora Companhia das Letras reúne 18 artistas contemporâneos que reinterpretam a origem do mundo de forma criativa e irreverente.
Os clássicos são sempre impactantes
- Turma da Mônica (Mauricio de Sousa) – clássicos que atravessam gerações, explorando amizade, convivência e valores humanos com humor e afeto
- O Menino Maluquinho (Ziraldo) – infância inventiva e poesia em forma de travessura, símbolo da imaginação brasileira
- A Turma do Pererê (Ziraldo) – pioneira ao colocar o folclore e a diversidade cultural no centro da narrativa
Histórias emblemáticas para conhecer
- As Aventuras de Nhô-Quim (Angelo Agostini) disponível gratuitamente em PDF pelo Senado Federal: Baixar aqui
- Zé Caipora (Angelo Agostini) também acessível na mesma coletânea
Fim de semana no balão mágico
O fim de semana, de sol ou de chuva, na companhia dos balões falantes será mágico. É tempo de desacelerar, de olhar imagem e palavra como parceiros numa conversa que acontece página por página. Deitar-se na rede, no sofá ou à sombra de uma árvore e se perder nesse colorido literário. Rir, refletir ou simplesmente sentir a alegria singela de uma boa história faz bem. Afinal de contas, ler quadrinhos é divertido e uma imensidão de encantamentos.
Por Romênia Mariani


