Professores da rede Sesi-SP continuam em greve
A instituição ofereceu um aumento real de apenas 0,33%, considerado insuficiente pela categoria

A greve continua. Neste dia 1/04, a Fepesp entrará com pedido de dissídio coletivo de greve no TRT-SP… Sindicatos apoiarão as ações e comunicação com a basenova assembleia: 1/04, às 18 horas (a distância)
Professores do Sesi SP decidem manter greve
Em assembleia para avaliar o primeiro dia de greve, os professores do Sesi no Estado de São Paulo decidiram manter a paralisação, iniciada nesta segunda-feira, 31 de março.
Foram 790 participantes na assembleia, mais uma vez um número significativo de professores, que avaliaram positivamente as ações e a repercussão da mobilização estadual em toda a base da Fepesp (Federação dos Professores do Estado de São Paulo).
“Parabéns, professores e professores! Estamos mostrando ao Sesi que professor não se verga e exige respeito, quer ser valorizado. Esta é a verdadeira aula de civismo que vocês estão dando para os alunos”, declarou Celso Napolitano, presidente do SinproSP e da Fepesp.
Balanço da greve do SESI no dia 31
- A greve dos professores do SESI está mantida na manhã de 31 de março. Os Diretores do SINPRO serviriam nas portas das escolas.
- Nova assembleia está marcada para as 18h do dia 31 para decidir pela continuidade da greve.
Nesta segunda-feira (31), primeiro dia da greve, ocorreram paralisações totais ou parciais nas escolas da rede Sesi em todo o estado de São Paulo.
O SinproSP (Sindicato dos Professores de São Paulo) e a Fepesp estão empenhados na Campanha Salarial desde novembro de 2024. Até agora, houve 11 rodadas de negociação para defender a pauta de reivindicação dos professores – que foi escolhida em assembleia.
Assembleia – Para avaliar o primeiro dia de paralisação, o SinproSP – junto com a Fepesp – convocou a categoria para assembleia remota (estadual) hoje (dia 31), às 18 horas.
Assembleia aprovou greve dos professores do SESI
A decisão de paralisação foi colocada em votação com a seguinte pergunta, apresentada à assembleia em tempo real:
“Você concorda com a proposta do GREVE em todas as Unidades do SESI no Estado, a partir de 31/03, com o cronograma apresentado, que inclui nova assembleia no dia 27/03, às 19 horas?”
O resultado da votação refletiu o descontentamento da categoria:
Sim – 83%
Não – 9%
Abstenções – 8%
As assembleias serão realizadas remotamente, garantindo ampla participação dos docentes. A greve foi aprovada em diversas regiões do estado, incluindo ABC , Araçatuba e Birigui, Campinas, Franca, Guapira e Unicidades, Jacareí, Jundiaí, Osasco, Ourinhos, Presidente Prudente, Sinpae Ribeirão Preto, Rio Claro, Santos, São Carlos, São José do Rio Preto, São Paulo, Sorocaba , Vales e Valinhos-Vinhedo.
Com a aprovação pela ampla maioria, a Fepesp divulgou o seguinte cronograma de mobilização:
- Segunda-feira (24/03): O SESI-SP foi oficialmente notificado sobre a decisão da assembleia;
- Quarta-feira (26/03), às 15h: Último prazo para que a instituição atenda às reivindicações da categoria;
- Quinta-feira (27/03), às 19h: Nova assembleia estadual unificada foi realizada para avaliar o cenário, professores aderiram à greve;
- Segunda-feira (31/03): A greve iniciada será caso não haja avanço nas negociações.
Principais Reivindicações da Categoria
Além do reajuste salarial, a categoria listou suas principais demandas após sucessivas rodadas de negociação sem avanços significativos:
- Os professores do Fundamental I da rede Sesi-SP enfrentam uma realidade cada vez mais desgastante: turmas superlotadas, com números que chegam a ultrapassar 60 alunos – e, em alguns casos, atingem até 90 estudantes. A situação tem gerado insatisfação generalizada entre os docentes, que apontam a prática como inviável para garantir um ensino de qualidade;
- Outro ponto de tensão diz respeito à mudança da Educação de Jovens e Adultos (EJA) para a modalidade de Ensino à Distância (EAD). Com essa transição, os professores relatam que foram obrigados a atender turmas com mais de 200 alunos, o que tem causado estresse e esgotamento físico e emocional. Além disso, a instituição também se nega a estabelecer limites máximos de estudantes para a modalidade EAD no acordo coletivo;
- A situação é igualmente crítica na adaptação, fase prevista à recepção de novos alunos para identificar suas necessidades educacionais específicas. Professores que atuam nessa área relacionam-se com a falta de trabalhadores para lidar com a crescente demanda. Com poucos profissionais disponíveis, as tarefas se acumulam, comprometendo a qualidade do atendimento e aumentando a sobrecarga. Diante desse cenário, a categoria reivindica urgentemente a contratação de mais profissionais para reduzir o volume excessivo de trabalho e garantir condições adequadas tanto para os docentes quanto para os alunos.
Essas questões têm sido alvo de críticas contínuas por parte dos professores, que veem na ausência de medidas concretas do Sesi-SP uma falta de compromisso com a valorização dos profissionais e com a qualidade do ensino oferecido. Para a categoria, a solução não passa apenas por ajustes pontuais, mas pela inclusão de diretrizes claras no acordo coletivo que limitam a sobrecarga de trabalho e promovem melhores condições de atuação.
Próximos passos
- Discussão e encaminhamento do estado de greve – Aprovado o indicativo de estado de greve. Isso não significa paralisação imediata, mas sim um alerta de mobilização. A deflagração de greve será debatida em assembleia específica, caso necessário.
- Assembleia de caráter permanente – Para evitar nova publicação de edital e burocracia, foi deliberado que a assembleia seguirá permanente, podendo ser convocada a qualquer momento caso a ordem do dia se mantenha.
- Acompanhamento da negociação – A Fepesp e os sindicatos reafirmaram o compromisso de continuar iniciado por avanços e convocar novas assembleias, conforme o andamento das negociações.
O presidente da Federação, Celso Napolitano, declarou, no portal da Fepesp : “O segmento patronal fala em ensino de qualidade, mas pra isso é preciso valorizar o agente educador, ou seja, as professoras e professores”. Celso lembrou ainda que já fizemos 10 rodadas de negociação, sem avanços efetivos.
Em nota, o Sesi-SP alegou: “O SESI-SP está em processo de negociação do pleito dos professores, por meio dos sindicatos que os representam, e busca o entendimento, conforme os preceitos que pautam a entidade, de respeito e valorização dos profissionais.”